Axia usa energia excedente para minerar Bitcoin no Brasil
A Axia, empresa que sucedeu a estrutura operacional da antiga Eletrobras, firmou um acordo com a Radius Mining para utilizar energia excedente na mineração de Bitcoin no Brasil. A iniciativa busca transformar um recurso frequentemente ocioso em uma nova fonte de receita para o setor elétrico.
O projeto prevê o uso de cerca de 6 megawatts médios de energia que, em determinados períodos, não encontram demanda no sistema. Assim, em vez de ser desperdiçada, essa energia passa a alimentar operações de mineração de criptomoedas, aproveitando a infraestrutura já existente.
Esse volume energético seria suficiente para abastecer aproximadamente 24 mil residências por mês, conforme estimativa. Dessa forma, o projeto evidencia o potencial energético do país e novas formas de monetização.
Modelo modular reduz perdas e amplia eficiência
A estratégia será implementada inicialmente como prova de conceito. Ao mesmo tempo, a Radius Mining ficará responsável pela operação e manutenção das estruturas, que utilizam data centers modulares voltados à mineração.
Esse modelo permite instalar equipamentos próximos às usinas geradoras. Como resultado, reduz perdas na transmissão e aumenta a eficiência operacional. Na prática, a mineração ocorre no próprio ponto de geração, sobretudo quando há excesso de produção ou limitações de escoamento pela rede.
Globalmente, soluções desse tipo ganham espaço por equilibrar oferta e demanda no setor elétrico. No Brasil, cuja matriz é majoritariamente renovável, a aplicação se torna ainda mais estratégica.
Estimativas da própria Radius Mining indicam que esse mercado pode alcançar R$ 9,7 bilhões. Portanto, o avanço desse modelo reflete a busca por alternativas capazes de monetizar energia subutilizada.
Expansão do setor atrai investimentos
Além da parceria com a Axia, a Radius Mining anunciou uma captação de R$ 28 milhões, incluindo recursos próprios e uma rodada seed. Entre os investidores está Leonardo Midea, executivo do setor elétrico e fundador da Prime Energy, adquirida pela Shell em 2023.
Ao mesmo tempo, outras iniciativas reforçam o avanço da mineração de Bitcoin no país. Em abril, o Itaú Ventures investiu na Minter, empresa focada em infraestrutura para data centers abastecidos por energia excedente.
Embora o valor não tenha sido divulgado, o histórico do banco aponta aportes entre R$ 20 milhões e R$ 50 milhões. A Minter já opera uma planta em Xique-Xique, na Bahia, com capacidade de 20 MW e planeja expandir para 40 MW até o fim do ano.
No longo prazo, a meta é atingir 500 MW até 2029. Como resultado, fica evidente o potencial de escala desse mercado no Brasil.
Em suma, o acordo entre Axia e Radius Mining mostra como a utilização de energia excedente pode converter desperdício em atividade econômica. Ao mesmo tempo, projetos paralelos reforçam o posicionamento do Brasil como um ambiente promissor para a mineração de Bitcoin baseada em eficiência energética.