Axiom enfrenta denúncia por uso indevido de dados internos

A recente denúncia sobre o suposto uso indevido de dados internos da Axiom intensificou o debate sobre segurança e governança nas exchanges cripto. Após dias de rumores, o investigador on-chain ZachXBT detalhou uma apuração que aponta práticas irregulares dentro da plataforma. Segundo ele, funcionários teriam acessado informações privadas de usuários sem controle adequado e usado esses dados em negociações desde o início de 2025.

Acusações direcionadas ao uso de ferramentas internas

O relatório destaca Broox Bauer, conhecido no X como @WheresBroox, como figura central no caso. Bauer seria funcionário sênior da área de desenvolvimento de negócios da Axiom em Nova York e, conforme as alegações, usava ferramentas internas com controles frágeis para consultar dados sigilosos. Além disso, os acessos incluíam carteiras vinculadas, dados de registro e identificadores internos, o que teria permitido monitoramento constante de perfis específicos.

Áudios incluídos na investigação mostram um indivíduo apontado como Bauer afirmando que conseguia rastrear qualquer usuário por códigos de indicação, endereços de carteira ou IDs internos. Em outro trecho, ele declara que podia descobrir qualquer dado relacionado ao usuário observado, o que aumentou a gravidade das suspeitas.

Segundo ZachXBT, Bauer iniciava o monitoramento com cerca de vinte carteiras e ampliava o escopo gradualmente, evitando despertar suspeitas. O relatório menciona ainda descrições detalhadas sobre solicitações internas para rastreamento de endereços específicos, que resultavam em listas completas de usuários acompanhados.

O investigador cita episódios concretos envolvendo suposta exposição de dados. Em abril de 2025, Bauer teria compartilhado a captura de tela de um painel interno com informações privadas de um trader chamado “Jerry”. Em agosto, outra imagem teria revelado detalhes de registro e carteiras ligadas a um usuário conhecido como “Monix”. Na mesma época, o grupo teria buscado dados de pessoas que negociaram o memecoin AURA, sugerindo uso desses acessos para avaliar tendências.

A apuração também menciona uma planilha no Google Sheets contendo endereços de influenciadores e analistas cripto. Esses dados teriam sido obtidos a partir do painel interno da Axiom. Além disso, algumas pessoas mencionadas teriam confirmado a veracidade dos endereços atribuídos a elas, o que reforçou as suspeitas sobre o vazamento interno.

Questionamentos jurídicos e reação às novas evidências

As revelações levantaram dúvidas sobre a governança da Axiom e seus mecanismos de proteção. Conforme o relatório, funcionários teriam acesso amplo e pouco monitorado aos dados dos usuários, sem ferramentas eficientes de auditoria. Assim, mesmo que gestores citados como Cal ou Mist soubessem ou não do caso, o problema estrutural de controle interno se tornou evidente.

Como Bauer reside em Nova York, ZachXBT afirmou que o caso pode entrar no radar da Promotoria do Distrito Sul de Nova York (SDNY). Segundo ele, independentemente de ações criminais futuras, os cofundadores da Axiom precisam revisar os sistemas internos e avaliar medidas legais contra os envolvidos.

Horas antes da divulgação do relatório, outra situação aumentou a crise. Reportagens externas mencionaram que um possível insider realizou operações com duas carteiras recém-criadas, movimentando US$ 59.800 em apostas. As negociações resultaram em quase US$ 109.000 em lucro, o que reforçou suspeitas sobre o uso de informações privilegiadas.

Axiom

O gráfico diário mostra o valor total do mercado cripto em US$ 2,3 trilhões. Fonte: TOTAL no TradingView.com

Os indícios apresentados sugerem que, decerto, o uso de dados privados ocorreu de forma contínua, envolvendo acessos internos, compartilhamento de informações e possíveis operações lucrativas. Portanto, a pressão por explicações imediatas aumentou, assim como a necessidade de uma revisão profunda nas práticas internas da Axiom.