B3 lança opções de futuros de Bitcoin, Ethereum e Solana

A B3 passou a negociar opções sobre contratos futuros de Bitcoin, Ethereum e Solana. Com isso, a bolsa amplia sua oferta de produtos ligados ao mercado cripto em ambiente regulado. A estreia ocorreu na segunda-feira (6) e abriu uma nova frente para derivativos de ativos digitais no Brasil.

Na prática, os novos instrumentos permitem proteção, diversificação e posicionamento sem a compra direta das criptomoedas. Assim, o investidor opera sobre contratos futuros já listados pela bolsa brasileira, com regras padronizadas.

Os contratos de referência são os futuros de Bitcoin, identificados por BIT, de Ethereum, identificados por ETR, e da Solana, identificados por SOL. Caso exerça a opção, o investidor assume uma posição comprada ou vendida no respectivo contrato futuro pelo preço de exercício definido.

Como funcionam as opções sobre futuros

Uma opção dá ao comprador o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um ativo por um preço determinado em uma data futura. Para obter esse direito, o investidor paga um prêmio. Em contrapartida, quem vende a opção recebe esse valor e assume a obrigação de cumprir a operação caso ocorra exercício.

Nos produtos lançados pela B3, o ativo de referência não é o Bitcoin, o Ethereum ou a Solana à vista. Em vez disso, o exercício resulta em posição nos contratos futuros correspondentes. Além disso, a bolsa informou que as opções terão exercício automático na data de vencimento.

A negociação ocorrerá de forma independente para cada contrato, das 9h às 18h30. Ademais, os produtos contarão com formadores de mercado, agentes que mantêm ofertas de compra e venda para apoiar a liquidez e a formação de preços.

“Nosso objetivo é conectar o investidor brasileiro às principais tendências do mercado financeiro global, mas sempre com a robustez, a transparência e a segurança que caracterizam a atuação da B3. O avanço dos derivativos de criptoativos cria novas possibilidades para traders, gestores e investidores que buscam exposição a essa classe de ativos com instrumentos adequados de gestão de risco”, afirmou Rafael Tsopanoglou Teodoro, gerente de Produtos de Moedas da B3.

A B3 afirma que a proposta amplia o acesso a instrumentos sofisticados de gestão de risco. Dessa forma, traders, gestores, tesourarias e investidores com maior conhecimento técnico ganham novas alternativas para estruturar operações no mercado cripto.

Expansão dos derivativos cripto ganha novo passo

ETFs, futuros e agora opções

O lançamento segue a estratégia da B3 de expandir sua prateleira de produtos relacionados ao mercado cripto. Esse movimento começou com os ETFs e, posteriormente, avançou para os contratos futuros. A bolsa brasileira esteve entre as primeiras do mundo a listar ETFs de criptomoedas, com a chegada do HASH11 em abril de 2021.

Atualmente, a B3 reúne 21 ETFs e BDRs de ETFs ligados a criptoativos. No segmento de derivativos, o primeiro passo ocorreu em abril de 2024, quando a bolsa lançou o contrato futuro de Bitcoin após autorização da Comissão de Valores Mobiliários. Naquele formato, a liquidação já era financeira, sem entrega ou compra direta de bitcoins.

Mais tarde, em junho de 2025, a B3 iniciou a negociação dos contratos futuros de Ethereum e Solana. Os contratos de ETR e SOL são cotados em dólares e referenciados aos índices Nasdaq Ether Reference Price e Nasdaq Solana Reference Price, respectivamente.

O contrato futuro de Ethereum tem tamanho equivalente a 0,25 ether. Já o contrato da Solana corresponde a 5 SOL. Além disso, a bolsa reduziu em 2025 o tamanho do contrato futuro de Bitcoin em dez vezes, para 0,01 Bitcoin, com o propósito de ampliar a base de investidores.

Segundo dados da própria B3, mais de 41 milhões de contratos futuros de Bitcoin foram negociados entre abril de 2024 e abril de 2025. Em maio de 2025, o mercado registrou recorde diário de 432 mil contratos, com movimentação de R$ 26,5 bilhões.

O que muda para investidores

Proteção, volatilidade e maior sofisticação

Com as novas opções, os investidores passam a contar com mais ferramentas para operar a variação de preço dos principais ativos digitais. Por exemplo, o comprador da opção limita sua perda inicial ao prêmio pago. Ao mesmo tempo, gestores e traders podem usar o instrumento para proteção de carteiras, operações de volatilidade, travas e combinações entre preços de exercício e vencimentos.

Apesar disso, trata-se de um produto mais sofisticado do que a compra direta de criptomoedas ou mesmo de ETFs. Como envolve derivativos, prêmio, vencimento, oscilação de preço e eventual abertura de posição em contratos futuros, o instrumento tende a se adequar melhor a investidores com maior familiaridade com o mercado.

Assim, a chegada das opções sobre futuros de Bitcoin, Ethereum e Solana fortalece o ecossistema de criptoativos em ambiente regulado. Além disso, oferece novas formas de acessar exposição a ativos digitais sem operar diretamente em exchanges nem manter a custódia das criptomoedas por conta própria.

Em suma, a B3 completa mais uma etapa de uma trajetória que começou com ETFs, avançou para futuros e agora inclui opções vinculadas a Bitcoin, Ethereum e Solana. A estrutura mantém liquidação via contratos futuros e negociação dentro do ambiente regulado da bolsa brasileira.