Balaji Srinivasan defende cripto para refugiados

O investidor e ex-diretor de tecnologia da Coinbase, Balaji Srinivasan, afirmou que empresas do setor de cripto deveriam desenvolver ferramentas voltadas para refugiados e pessoas sem nacionalidade. Segundo ele, redes baseadas em blockchain podem garantir acesso a dinheiro e pagamentos quando instituições financeiras deixam de funcionar.

A declaração surgiu em uma publicação feita no X no último sábado. Na mensagem, Srinivasan alertou que conflitos armados, tensões geopolíticas e mudanças econômicas podem ampliar o número de pessoas deslocadas nos próximos anos.

Além disso, ele ressaltou que o debate não está ligado à especulação de mercado. O foco, segundo o investidor, está no uso prático da tecnologia em cenários de emergência e instabilidade.

Na postagem, Srinivasan argumentou que soluções baseadas em blockchain podem atuar como infraestrutura financeira alternativa. Isso se torna particularmente relevante quando refugiados perdem documentos ou ficam sem acesso ao sistema bancário durante crises.

Blockchain como infraestrutura financeira portátil

Na avaliação de Srinivasan, a indústria de cripto precisa ampliar o desenvolvimento de soluções pensadas para pessoas fora do sistema bancário tradicional. Refugiados e apátridas formam um grupo que poderia se beneficiar diretamente dessas ferramentas.

Além disso, ele argumenta que redes públicas de blockchain foram projetadas para operar mesmo sob pressão. Em tese, essas redes continuam funcionando mesmo durante falhas de infraestrutura ou restrições impostas por governos.

Dessa forma, ativos digitais podem permitir que indivíduos mantenham acesso ao próprio dinheiro. Mesmo quando bancos fecham ou sistemas de pagamento deixam de operar, redes descentralizadas podem continuar processando transações.

Na visão do ex-executivo da Coinbase, essa resiliência torna a tecnologia especialmente relevante em ambientes instáveis. Assim, a cripto pode funcionar como alternativa quando a infraestrutura financeira tradicional enfrenta interrupções.

Além disso, redes descentralizadas permitem transferências diretas entre usuários em diferentes países. Isso reduz a dependência de intermediários e pode facilitar pagamentos internacionais durante deslocamentos forçados.

Setor ainda prioriza traders e investidores

As declarações de Srinivasan surgiram após uma discussão iniciada por Andi Duro, fundador do site de pesquisas TwoCents. Em outra publicação, Duro afirmou que a tecnologia também pode ajudar refugiados que vivem em regiões com sistemas financeiros frágeis.

No entanto, ele observou que poucas empresas desenvolvem produtos direcionados especificamente para esse público. Segundo Duro, grande parte das plataformas prioriza usuários mais lucrativos.

Assim, muitos projetos concentram esforços em negociação de ativos e serviços voltados a traders. Aplicações relacionadas a pagamentos, identidade digital e inclusão financeira acabam recebendo menos atenção.

Esse cenário reacende um debate recorrente dentro da indústria. Embora o mercado de cripto tenha crescido rapidamente, ferramentas voltadas ao uso cotidiano ainda representam uma parcela menor do desenvolvimento do setor.

Srinivasan reconheceu avanços recentes, mas afirmou que ainda existe espaço relevante para inovação voltada a pessoas deslocadas ou com acesso financeiro limitado.

Stablecoins ganham espaço em transferências globais

Durante a discussão, Srinivasan citou as stablecoins como um exemplo concreto de aplicação global da tecnologia. Esses ativos digitais mantêm valor atrelado a moedas fiduciárias, como o dólar.

Por causa dessa característica, stablecoins são frequentemente utilizadas para transferências internacionais. Além disso, tendem a apresentar menor volatilidade em comparação com outras criptomoedas.

Dados recentes do mercado indicam crescimento na oferta da stablecoin USDC, emitida pela Circle. A capitalização do ativo se aproxima da faixa de US$ 80 bilhões, após registrar expansão ao longo dos últimos meses.

Esse avanço tem sido associado ao aumento da demanda por pagamentos internacionais e liquidez em dólar digital, especialmente em regiões com maior instabilidade econômica ou restrições bancárias.

Nesse contexto, o crescimento das stablecoins reforça parte do argumento apresentado por Srinivasan. Para alguns analistas do setor, ativos digitais podem funcionar como ferramenta prática de transferência de valor entre fronteiras.

Ao mesmo tempo, o debate amplia a pressão sobre empresas da indústria. Parte dos especialistas defende que o setor ainda precisa desenvolver soluções financeiras mais acessíveis para pessoas fora do sistema bancário tradicional.