Balogun muda odds de EUA x Bélgica na Polymarket

Os mercados de previsões em criptomoedas passaram a dar vantagem estreita aos Estados Unidos sobre a Bélgica após a FIFA liberar o atacante Folarin Balogun para a partida de segunda-feira, pelas oitavas de final da Copa do Mundo. A decisão ocorreu depois de pressão direta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Além disso, provocou críticas de dirigentes do futebol europeu.

Na Polymarket, os preços indicavam cerca de 39% de chance de vitória dos EUA no tempo regulamentar, contra 35% para a Bélgica e 29% para empate no momento da publicação. O mercado, ademais, já havia atraído mais de US$ 6 milhões em apostas.

Mercado de previsões entre Estados Unidos e Bélgica
Mercado de previsões entre Estados Unidos e Bélgica

Origem: Polymarket

Em um mercado separado na própria Polymarket, Balogun aparecia com aproximadamente 90% de chance de entrar em campo. Assim, os traders sinalizavam forte confiança de que o atacante participaria do jogo apesar da controvérsia em torno de seu cartão vermelho.

A Kalshi, bolsa regulada de previsões nos Estados Unidos, mostrava inclinação semelhante no mercado de classificação. Os contratos ligados ao avanço dos EUA às quartas de final negociavam perto de 52%, contra 48% para a Bélgica.

Em outro mercado voltado a jogadores, Balogun aparecia com cerca de 40% de probabilidade de marcar. Romelu Lukaku, por outro lado, surgia com aproximadamente 36%.

Mercados de previsões reagem à decisão da FIFA

A disponibilidade de Balogun criou uma nova variável para os traders. O comitê disciplinar da FIFA suspendeu a execução da punição automática de uma partida que normalmente acompanha um cartão vermelho.

Uma revisão em vídeo apontou contato perigoso com o defensor Tarik Muharemovic, e a arbitragem expulsou Balogun na vitória dos Estados Unidos sobre a Bósnia e Herzegovina. Como resultado, a equipe terminou a partida com 10 jogadores. Até então, o cenário indicava a ausência de uma de suas principais armas ofensivas contra a Bélgica.

No entanto, a FIFA aplicou o Artigo 27 de seu código disciplinar, que permite suspender a execução da sanção por um ano. Balogun permanece em período probatório. Portanto, a punição original poderá voltar a valer se ele cometer infração semelhante nesse intervalo.

Balogun altera as probabilidades para EUA x Bélgica

Essa mudança alterou rapidamente a leitura do mercado. Antes da liberação, a Bélgica aparecia ligeiramente à frente dos Estados Unidos. Às 0h30 de 5 de julho, contratos na Polymarket apontavam cerca de 38% de chance de vitória belga. Depois da confirmação de que Balogun poderia jogar, os EUA assumiram a liderança por margem estreita nos mercados de previsões.

Para os apostadores de criptomoedas, a questão imediata deixou de ser o precedente disciplinar da FIFA. Em vez disso, o mercado passou a medir o impacto concreto da decisão na escalação americana. Balogun marcou três gols em três partidas como titular no torneio e, dessa forma, consolidou-se como uma das principais referências ofensivas da seleção.

Seu retorno oferece ao técnico Mauricio Pochettino mais uma opção real de gol na tentativa de levar os Estados Unidos às quartas de final da Copa do Mundo pela primeira vez desde 2002.

Bélgica e UEFA contestam a liberação de Balogun

A decisão da FIFA gerou forte reação no futebol europeu. Autoridades, além disso, questionaram tanto o procedimento adotado quanto o precedente criado.

A Royal Belgian Football Association declarou surpresa com a medida e sustentou que a suspensão da punição contraria regras que tratam a penalidade de uma partida como automática após cartão vermelho. A federação belga afirmou, em publicação no X, que avalia suas opções.

A UEFA também criticou a decisão e afirmou que a FIFA enfraqueceu a confiança na aplicação das regras do torneio. Para a entidade europeia, a previsibilidade dos padrões disciplinares é central para a credibilidade da competição. A manifestação saiu no X.

O ex-presidente da FIFA Sepp Blatter ampliou o tom das críticas. Segundo ele, decisões relacionadas a cartões vermelhos devem seguir regras, evidências e órgãos independentes, e não interferência política.

“Se um presidente dos Estados Unidos intervém junto ao presidente da FIFA, e um jogador de repente é liberado antes de uma partida eliminatória de Copa do Mundo, a pergunta é inevitável: para onde vai a FIFA?”

Sepp Blatter no X

As críticas refletem uma preocupação mais ampla. Afinal, o processo disciplinar pode perder legitimidade quando pressões externas aparentam influenciar o desfecho. A Bélgica chega ao confronto com sua própria ameaça ofensiva, liderada por Romelu Lukaku. No entanto, a disputa institucional tirou parte do foco das questões táticas e deslocou a atenção para a governança do futebol internacional.

Trump e Mauricio Pochettino comemoram decisão

Do lado americano, o entorno liderado por Donald Trump recebeu a decisão da FIFA de forma positiva. Em postagem na Truth Social, o presidente escreveu:

“Obrigado à FIFA por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça!”

Donald Trump na Truth Social

Mauricio Pochettino também defendeu a medida e afirmou que o cartão vermelho original foi severo. O treinador argumentou que sua equipe já havia sido punida ao atuar com 10 jogadores diante da Bósnia e Herzegovina. Por isso, considerou injusta a expulsão de Balogun.

Com Balogun novamente elegível, os Estados Unidos recuperam uma ameaça direta ao gol contra uma Bélgica mais acostumada a jogos de mata-mata. Ainda assim, os mercados de previsões refletem essa mudança por margem apertada. Na Polymarket, os EUA tinham cerca de 39% de chance de vencer no tempo normal, contra 35% da Bélgica e 29% de empate. Já na Kalshi, os contratos de classificação apontavam 52% para os americanos e 48% para os belgas.