Banco da Reserva da Austrália eleva juros a 4,85%

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O Banco da Reserva da Austrália elevou a taxa oficial de juros em 25 pontos-base, para 4,85%, nesta terça-feira. Com a medida, a taxa alcançou o maior nível desde novembro de 2008. A decisão representou a quinta elevação promovida pela instituição em 2026. Ao mesmo tempo, o novo aperto ampliou a pressão financeira sobre famílias e empresas.

Para conter a inflação, a diretoria aprovou o aumento por seis votos a três. Enquanto seis integrantes apoiaram a elevação, três defenderam a manutenção da taxa. A instituição relacionou a decisão ao impacto persistente dos preços sobre o consumo e a atividade econômica. Assim, o custo do crédito deve permanecer elevado enquanto as pressões inflacionárias não recuarem.

Inflação sustenta novo aperto monetário

A inflação australiana atingiu 4,3% em setembro. O avanço decorreu principalmente da alta global dos combustíveis e do crescimento dos gastos internos. Além disso, as projeções oficiais indicam que a pressão sobre os preços continuará elevada durante grande parte do próximo ano. Por isso, o banco central sinalizou que poderá manter uma política monetária restritiva nos próximos meses.

Nesse contexto, a presidente da instituição, Michele Bullock, defendeu a decisão da diretoria. Durante uma entrevista coletiva, ela afirmou que o aumento dos juros ajudará a reduzir a inflação. A dirigente também reconheceu o impacto imediato da medida sobre os australianos.

“Sei que esta não é a notícia que muitos australianos querem ouvir, mas é o que se precisa para baixar a inflação elevada.”

Hipotecas ficam mais caras para milhões de famílias

A elevação dos juros afetará diretamente mais de três milhões de famílias com financiamentos imobiliários em vigor. Conforme os cálculos da Canstar, o ajuste acrescentará 107 dólares australianos à parcela mensal de uma hipoteca média. Dessa forma, o aumento acumulado das prestações chegou a 532 dólares australianos em 2026. O encarecimento também reduz a renda disponível para consumo e outras despesas domésticas.

As estimativas atualizadas apontam que a inflação retornará à faixa da meta somente no fim de 2027. Esse prazo supera em três trimestres a previsão anterior. Segundo o banco central, os custos da energia explicam o adiamento. Ainda assim, a instituição não prevê que a economia australiana entre em recessão.

Tecnologia e mercado de trabalho entram nas projeções

Investimentos de grande porte em tecnologia e inteligência artificial também elevaram os preços de bens tecnológicos. Entretanto, as projeções oficiais ainda indicam crescimento de 1,6% do produto interno bruto no exercício anual vigente. Já a taxa de desemprego deve subir gradualmente e superar 5% em 2028. Portanto, o banco acompanha tanto a inflação quanto os possíveis efeitos do aperto sobre o mercado de trabalho.

Para a economista-chefe da EY, Cherelle Murphy, o banco central pode adotar uma postura de espera durante o verão australiano. A avaliação ocorreu após a reunião da diretoria. Nesse cenário, as autoridades poderiam observar os efeitos das altas anteriores antes de promover outro ajuste.

Decisão amplia disputa política sobre os juros

O aumento do custo de vida intensificou a disputa entre o governo federal e a oposição. De um lado, o tesoureiro Jim Chalmers atribuiu a alta do petróleo ao conflito armado no Oriente Médio. De outro, o líder oposicionista Angus Taylor criticou os gastos públicos e acusou o governo de encarecer o crédito. Com isso, a política econômica ganhou maior espaço no debate político australiano.

Analistas privados interpretaram a ausência de indicações explícitas sobre novas elevações como um possível sinal de pausa monetária. Assim, a retirada dessas referências pode representar um alívio temporário durante o período de festividades. Economistas do UBS classificaram a orientação oficial para as próximas decisões como “claramente acomodatícia”. Contudo, a trajetória dos juros continuará dependente do comportamento da inflação e da atividade econômica.

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