Banco de Israel rejeita plano cripto de Benjamin Netanyahu
O Banco de Israel rejeitou a proposta do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de recorrer a criptomoedas para contornar possíveis sanções internacionais. A autoridade monetária afirmou que ativos digitais não substituem relações econômicas já estabelecidas. Por isso, o banco defendeu a preservação dos vínculos comerciais de Israel. A posição contraria diretamente a estratégia apresentada pelo primeiro-ministro.
O banco central divulgou sua resposta no sábado, após Netanyahu orientar seus assessores a elaborar um plano com criptomoedas e tecnologia blockchain. Em paralelo, líderes da oposição criticaram a iniciativa. Segundo eles, uma tentativa de evitar sanções poderia ampliar o isolamento econômico do país. Nesse sentido, o debate passou a envolver riscos políticos, comerciais e financeiros.
Autoridade monetária prioriza relações comerciais
O Banco de Israel declarou que o país deve preservar as relações com seus principais parceiros comerciais. Além disso, a instituição pediu que o governo concentre esforços na prevenção de sanções. O banco também destacou os possíveis efeitos negativos dessas medidas sobre a economia. Dessa forma, a autoridade monetária rejeitou a busca por alternativas digitais para contornar restrições.
“O correto para a economia de Israel é preservar as relações econômicas com nossos principais parceiros comerciais e concentrar esforços em prevenir sanções e sua influência negativa sobre a economia.”
Netanyahu reconheceu que a proposta enfrenta resistência dentro e fora do governo. Em declaração ao Channel 14, ele afirmou que ouve e considera as objeções apresentadas. No entanto, o primeiro-ministro disse que continuará seguindo seu próprio julgamento. Assim, ele indicou que as críticas não encerraram a discussão sobre o plano.
A iniciativa surgiu após a Grã-Bretanha e outros 11 países ocidentais anunciarem sanções contra mercadorias provenientes de assentamentos israelenses na Cisjordânia. O governo britânico detalhou as medidas em um comunicado oficial. Diante disso, o uso de recursos digitais ganhou espaço no debate político israelense. Ainda assim, o banco central defendeu a manutenção dos canais econômicos tradicionais.
Oposição alerta para isolamento econômico
O líder oposicionista Gadi Eisenkot classificou a proposta como uma ameaça à segurança nacional. Na avaliação dele, o isolamento econômico poderia prejudicar investimentos e empregos em Israel. Com isso, Eisenkot relacionou o plano a riscos mais amplos para as próximas gerações. Ele também chamou a estratégia de “BibiCoin” ao criticar Netanyahu.
“Netanyahu está desmontando a economia israelense: a visão da BibiCoin é uma ameaça à segurança nacional. Depois de desmontar a sociedade israelense e enfraquecer as Forças de Defesa de Israel, Netanyahu marca o próximo alvo: desmontar a economia israelense para as próximas gerações. Houve sinais prévios durante a campanha eleitoral. Porém, na última semana, recebemos uma prova final e inequívoca.”
Gadi Eisenkot, no X.
Avigdor Liberman também contestou a estratégia proposta pelo primeiro-ministro. Segundo ele, autoridades conseguem rastrear transações registradas em redes blockchain. Por consequência, elas poderiam identificar e bloquear carteiras associadas a entidades sancionadas. Portanto, a tecnologia não garantiria proteção contra medidas econômicas internacionais.
Rastreabilidade limita estratégia com criptomoedas
O argumento de Liberman destaca um obstáculo prático para o plano. Embora a proposta envolva criptomoedas e blockchain, a rastreabilidade permite acompanhar a movimentação de recursos. Nesse contexto, autoridades ainda poderiam atuar contra endereços relacionados a alvos de sanções. Desse modo, o uso da tecnologia não impediria necessariamente novos bloqueios.
O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett também criticou a proposta de Netanyahu. Para Bennett, Israel não deve correr o risco de se desconectar dos mercados globais. Ao mesmo tempo, a declaração reforçou as preocupações apresentadas pelos demais opositores. As críticas, portanto, convergiram para os possíveis custos do isolamento econômico.
Plano permanece sob pressão política e econômica
O Banco de Israel sustentou que as relações comerciais tradicionais continuam centrais para a economia do país. Em vez de buscar formas de contornar sanções, a instituição defendeu esforços para evitá-las. Por outro lado, Netanyahu sinalizou que continuará avaliando a estratégia elaborada por seus assessores. O impasse mantém o plano sob questionamento político e econômico.
A posição do banco central também evidencia os limites atribuídos aos ativos digitais nesse cenário. Conforme a instituição, esses instrumentos não substituem relações consolidadas com grandes parceiros comerciais. Em contraste, o plano de Netanyahu considera a tecnologia como uma possível resposta às restrições. Com isso, a discussão permanece dividida entre prevenção diplomática e alternativas digitais.
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