Bancos dos EUA criam rede Cari Network contra as stablecoins
Cinco bancos regionais dos Estados Unidos anunciaram a criação da Cari Network, uma infraestrutura baseada em blockchain que mira o avanço das stablecoins. A proposta utiliza tecnologia da ZKsync para permitir liquidação quase instantânea de depósitos tokenizados, mantendo os fundos dentro do sistema bancário tradicional e sob estruturas regulatórias existentes.
O movimento sinaliza uma tentativa das instituições de recuperar relevância na camada de liquidação, hoje amplamente ocupada por emissores não bancários como Tether (USDT) e Circle (USDC). Nesse contexto, a disputa por espaço no sistema financeiro digital tende a se intensificar.
Infraestrutura privada busca eficiência operacional
Consórcio aposta em rede permissionada
O consórcio inclui Huntington Bancshares, First Horizon, M&T Bank, KeyCorp e Old National Bancorp. A rede será construída sobre o “Prividium”, uma blockchain privada e permissionada desenvolvida pela Matter Labs, empresa responsável pela ZKsync.
Segundo o CEO da Matter Labs, Alex Gluchowski, o sistema financeiro pode estar passando por uma transição semelhante à da computação moderna, migrando de estruturas isoladas para plataformas mais integradas e programáveis.
Diferentemente das stablecoins tradicionais, os depósitos tokenizados da Cari permanecem registrados nos balanços bancários. Dessa forma, continuam sujeitos às regras do sistema financeiro e a mecanismos de proteção existentes. Além disso, o uso de provas de conhecimento zero pode contribuir para maior eficiência e privacidade nas transações.
Avanço das stablecoins pressiona bancos
Concorrência acelera mudanças
A criação da Cari ocorre em meio ao crescimento das soluções cripto, que operam com liquidez contínua, 24 horas por dia. Em contraste, bancos tradicionais ainda enfrentam limitações operacionais e horários restritos, o que amplia a diferença de eficiência.
Além disso, o interesse institucional por ativos digitais segue avançando. Movimentos recentes de grandes gestoras, como a BlackRock, reforçam que o mercado já ultrapassou a fase inicial de experimentação.
No campo regulatório, ainda há incertezas. Projetos como o CLARITY Act enfrentam obstáculos, o que incentiva bancos a buscar soluções compatíveis com as regras atuais.
Ao mesmo tempo, redes como Solana ampliam participação ao oferecer alta velocidade em transações com stablecoins. Assim, iniciativas como a Cari tentam combinar desempenho com conformidade regulatória.
Disputa por mercado bilionário
Pagamentos digitais ganham nova dinâmica
O foco da Cari é o mercado global de pagamentos, que movimenta trilhões de dólares anualmente. Stablecoins já operam como versões digitais do dólar em diversos contextos, com volumes relevantes. Por conseguinte, a competição por esse espaço se torna estratégica.
Caso percam protagonismo, bancos podem ficar restritos ao papel de custodiantes de liquidez. Por outro lado, iniciativas como a Cari buscam preservar sua participação ativa nas transações.
Gene Ludwig, ligado ao projeto, avalia que os bancos precisam participar da evolução do dinheiro digital para não ficarem dependentes de soluções externas ao sistema tradicional.
Em síntese, embora ainda enfrente desafios como adoção institucional e interoperabilidade, a Cari indica uma mudança de postura. Bancos regionais passam a investir com mais intensidade em infraestrutura digital, enquanto a competição com stablecoins evolui em velocidade, eficiência e alinhamento regulatório.