Bank of America recebe multas de US$ 1,2 bilhão
O Bank of America recebeu mais de US$ 1,2 bilhão em penalidades após reguladores identificarem falhas em seus controles antilavagem. As autoridades concluíram que o banco reportou com atraso mais de US$ 5 bilhões em transações suspeitas. Além disso, a apuração abrange fatos posteriores à defesa de regras equivalentes para empresas de criptomoedas feita por Brian Moynihan. Em dezembro de 2023, o CEO afirmou no Senado que essas companhias deveriam cumprir exigências semelhantes às dos bancos.
Reguladores identificam falhas nos controles do banco
Em 13 de outubro de 2026, a FinCEN aplicou penalidades de US$ 1,2 bilhão ao Bank of America. O total inclui uma multa de US$ 750 milhões da OCC. A sanção foi a maior penalidade civil já aplicada pela entidade a uma instituição bancária. Por sua vez, a OFAC anunciou um acordo separado de US$ 11,6 milhões sobre 475 aparentes violações de sanções.
Segundo a FinCEN, o banco admitiu violações em três áreas de conformidade. Os problemas atingiram o programa antilavagem, a diligência sobre contas correspondentes estrangeiras e os relatórios de atividades suspeitas. Mais de US$ 1 bilhão das operações tardias envolvia riscos prioritários de financiamento ilícito e segurança nacional. Entre os casos estavam redes chinesas de lavagem de dinheiro e possíveis operações comerciais próximas à fronteira sudoeste dos Estados Unidos.
Monitoramento interno teve participação limitada
A OCC identificou falhas no monitoramento de transações que movimentaram trilhões de dólares. O órgão também apontou relatórios atrasados, treinamento inadequado e conhecimento insuficiente da equipe sobre a Lei de Sigilo Bancário. Da mesma forma, a agência encontrou deficiências nas auditorias internas. A OCC ainda criticou a resposta do banco a uma ordem de cessação emitida em dezembro de 2024.
O Tesouro afirmou que o Bank of America dependia excessivamente de consultas de autoridades e encaminhamentos de outras instituições. Enquanto isso, os sistemas internos tiveram participação menor na identificação de atividades suspeitas. Jonathan Gould, controlador da moeda, destacou o elevado e crescente perfil de risco de financiamento ilícito da instituição. Contudo, os US$ 5 bilhões representam transações suspeitas reportadas com atraso, não um volume comprovado de dinheiro lavado.
Defesa de regras equivalentes para criptomoedas
Em 6 de dezembro de 2023, Brian Moynihan participou de uma audiência do Comitê Bancário do Senado. Elizabeth Warren perguntou se o banco possuía sistemas para detectar, reportar e interromper possíveis operações de financiamento ao terrorismo. O executivo respondeu que sim. Em seguida, ele concordou que empresas de criptomoedas deveriam seguir regras antilavagem equivalentes.
Moynihan integra o conselho do Bank Policy Institute, conhecido como BPI, e já presidiu a entidade. Em agosto de 2026, o instituto publicou o documento “Mesmos riscos, mesmas salvaguardas”. O texto sustenta que as regras para ativos digitais mantêm lacunas de financiamento ilícito nos mercados secundários. A análise cita exchanges, custodiantes e empresas de DeFi, com atenção especial às stablecoins.
O BPI também apoiou iniciativas de 2023 para ampliar a Lei de Sigilo Bancário à indústria de ativos digitais. Entretanto, integrantes do setor passaram a usar as falhas do Bank of America como contraponto. Mike Cagney, executivo da Figure, afirmou que empresas de criptomoedas lidam melhor com KYC do que os bancos norte-americanos. A declaração ampliou o debate sobre a eficiência dos controles adotados pelos dois setores.
“A indústria de criptomoedas lida melhor com KYC do que os bancos dos Estados Unidos.”
Mike Cagney, no X.
KYC não substitui o monitoramento contínuo
O KYC corresponde ao processo de identificação dos clientes durante a entrada em uma plataforma. Já as conclusões contra o banco tratam do monitoramento contínuo, dos relatórios de atividades suspeitas e da diligência sobre correspondentes. Portanto, a comparação apresentada por Cagney possui alcance mais limitado do que sua declaração sugere. Ainda assim, o histórico regulatório do mercado de criptomoedas oferece contexto adicional ao debate.
A Binance se declarou culpada em 2023 por conspiração para violar a Lei de Sigilo Bancário. A empresa também admitiu falta de registro como transmissora de dinheiro e violações de sanções. Como resultado, aceitou pagar US$ 4,3 bilhões e ficar sob a supervisão de um monitor independente. Paralelamente, uma análise da FinCEN apontou cerca de US$ 12,7 bilhões em atividades suspeitas ligadas a golpes com ativos digitais.
Os relatórios examinados pela FinCEN foram enviados entre setembro de 2023 e dezembro de 2025. Assim, os dados também mostram que os riscos de financiamento ilícito não ficam restritos ao sistema bancário. Ao mesmo tempo, as infrações da Binance reforçam a necessidade de controles efetivos no mercado de criptomoedas. Os dois casos envolvem falhas distintas, embora estejam sujeitos a princípios regulatórios semelhantes.
Fiscalização pode alcançar bancos e empresas digitais
Uma possível resposta regulatória seria aplicar as regras antilavagem de forma consistente aos bancos e às empresas de criptomoedas. Nesse cenário, plataformas com monitoramento on-chain, triagem de carteiras e controles automatizados poderiam demonstrar conformidade com padrões bancários. A discussão passaria a avaliar quais sistemas produzem inteligência financeira com maior qualidade e rapidez. Porém, uma fiscalização uniforme também elevaria as obrigações de conformidade para os dois setores.
Exchanges, custodiantes e intermediários de stablecoins podem enfrentar uma cobertura mais ampla da Lei de Sigilo Bancário. Ao mesmo tempo, DeFi, carteiras digitais e mercados secundários de stablecoins devem permanecer no centro da disputa política. Moynihan afirmou ao Senado que empresas de criptomoedas precisam cumprir os mesmos padrões dos bancos. Agora, as conclusões regulatórias também colocam a capacidade das instituições bancárias de aplicar essas regras sob avaliação.
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