Base supera US$ 43 mi em comércio com agentes de IA
Agentes de IA na Base, rede da Coinbase, já pagam por serviços digitais com o protocolo x402 e acumulam mais de US$ 43 milhões em transações, ampliando o comércio automatizado em blockchain.
Agentes de inteligência artificial deixaram de apenas navegar na internet. Agora, eles também pagam por serviços de forma autônoma. Nesse contexto, a Base, rede desenvolvida pela Coinbase, vem se firmando como um dos principais ambientes da chamada economia agêntica.
Nesse modelo, softwares operam com carteiras próprias e usam blockchain para contratar recursos digitais sem intervenção humana direta em cada etapa. Segundo Jesse Pollak, criador da Base, esses agentes devem, em breve, movimentar mais transações do que humanos. Os dados mais recentes da própria rede indicam que essa mudança já começa a ganhar escala.
Rede da Coinbase amplia pagamentos autônomos
Conforme a Base, agentes presentes na rede já mantêm carteiras e utilizam stablecoins para pagar por inferência de IA, busca em tempo real, dados de mercado, sessões de navegador em nuvem e fluxos completos de pesquisa. Além disso, grande parte dessa atividade passa pelo protocolo x402, lançado em maio de 2025.
Nos 30 dias encerrados em 29 de maio de 2026, o x402 processou 3,1 milhões de transações na Base. No mesmo período, o valor movimentado chegou a US$ 1,2 milhão apenas na rede. Ao mesmo tempo, o número de vendedores no protocolo cresceu 23%, enquanto o total de compradores avançou 37%.
Os serviços adquiridos pelos agentes refletem tarefas mais complexas. Por exemplo, agentes focados em pesquisa compram resultados de busca na web de provedores como Exa AI. Da mesma forma, agentes financeiros pagam por dados de mercado em tempo real. Já agentes de viagem contratam acesso a status de voos, disponibilidade de hotéis e sistemas de reserva por meio de serviços como FlightAware e Amadeus.
A Browserbase também aparece como uma das infraestruturas usadas nesse modelo. A empresa permite que agentes paguem em USDC por sessões de navegação em nuvem para acessar sites e coletar informações. Assim, em vez de assinaturas caras e fechadas, essas operações costumam ser liquidadas em microtransações, muitas vezes por valores inferiores a um centavo de dólar.
A Base destacou no X que ferramentas como BlockRunAI distribuem agentes entre mais de 50 modelos de IA usando pagamentos por chamada em USDC via x402. Além disso, a Venice oferece pagamentos com carteira para inferência em chat, imagem, áudio e vídeo. Já a x402 Cloud, da Bankr, permite que desenvolvedores transformem endpoints em serviços pagos, com liquidação em USDC enviada diretamente para a carteira do criador.
Micropagamentos ganham espaço na infraestrutura
O x402 é o elemento central dessa estrutura. Isso porque o protocolo permite incorporar o pagamento a uma solicitação comum da internet, eliminando a necessidade de aprovação manual de cada transação. Dessa forma, agentes de IA podem contratar recursos, consumir APIs e se relacionar com outros agentes de maneira automatizada.
A Base informou que, entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, quase 16 mil agentes foram lançados na rede por meio da plataforma Virtuals.io. A princípio, a maior parte dessa atividade estava ligada a ações sociais, publicações, monetização de atenção e testes iniciais com trilhos financeiros.
Desde então, as capacidades desses agentes cresceram em paralelo ao amadurecimento da infraestrutura financeira. Assim, a integração com carteiras ficou mais simples, a adoção de stablecoins avançou e as taxas de transação caíram para níveis inferiores a um centavo. Nesse cenário, o uso de stablecoins se tornou parte central da operação.
Empresas de infraestrutura também passaram a integrar o padrão. Atualmente, a Cloudflare oferece suporte ao x402 e integra a infraestrutura do protocolo. Do mesmo modo, a Amazon Bedrock AgentCore Payments incorporou o x402 e a infraestrutura de carteiras da Coinbase a fluxos corporativos voltados a agentes autônomos.
Segundo a Base, o volume total de atividade no x402 já ultrapassou US$ 43 milhões em transações, com a maior parte ocorrendo dentro da própria rede. Em outras palavras, o protocolo já cobre micropagamentos por conteúdo web, APIs, servidores MCP e transações entre agentes.
Agentes autônomos também passaram a gerar receita
O movimento não se limita ao lado do consumo. De acordo com a Base, um número crescente de agentes já passou a gerar receita própria. Um dos exemplos citados foi Felix, descrito como um agente que opera seus próprios negócios e que teria registrado mais de US$ 261.395 em faturamento com produtos administrados por agentes.
Outro caso mencionado foi o de Kelly Claude, agente autônomo que monetiza um serviço pago de criação de aplicativos, além da venda de livros e apps. Enquanto isso, um rastreador chamado Factory Floor acompanha agentes com produtos ativos, aplicativos em revisão e fontes de receita em plataformas como Stripe, Gumroad e App Store.
Para a Base, a mesma infraestrutura de carteiras que permite aos agentes gastar também viabiliza o recebimento de receita. Assim sendo, esses sistemas podem vender pesquisas, operar serviços pagos, contratar outros agentes e administrar custos operacionais sem depender de aprovações humanas a cada ação.
Mercado entre agentes ainda está no início
Esse modelo cria uma camada inicial de comércio entre agentes, ainda em desenvolvimento. Ainda assim, o potencial de ampliar o uso da blockchain como trilho financeiro nativo para inteligência artificial já atrai atenção do mercado.
O analista de mercado Miles Deutscher comentou no X que agentes de IA não conseguem utilizar a infraestrutura bancária tradicional porque não podem passar por processos de KYC nem abrir contas em bancos. Segundo ele, a cripto resolve esse obstáculo. Quando esses agentes passarem a transacionar em escala, isso deve ocorrer de carteira para carteira e de blockchain para blockchain.
Ainda assim, Miles Deutscher ponderou que ganhos de confiabilidade e a construção de confiança empresarial na gestão autônoma de dinheiro podem levar de três a cinco anos, ou mais, para se consolidarem plenamente.
Em paralelo, a Base afirmou que seu foco atual está em reduzir atritos nesse mercado. Para isso, a rede busca ampliar o acesso a carteiras, melhorar a precificação legível por máquinas e facilitar a descoberta e o uso de aplicativos e protocolos por agentes.
Em suma, os números divulgados pela Base sintetizam esse avanço: 3,1 milhões de transações em 30 dias na rede via x402, US$ 1,2 milhão movimentado no período, crescimento de 23% entre vendedores e de 37% entre compradores, além de mais de US$ 43 milhões em atividade acumulada no protocolo. O uso se concentra em busca, dados, navegação, inferência e operações entre agentes autônomos.