BCE testará pagamentos com IA no euro digital

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O Banco Central Europeu (BCE) abriu um programa para avaliar como a inteligência artificial poderá atuar em pagamentos com um futuro euro digital. Empresas, instituições públicas, fintechs, comerciantes e pesquisadores poderão enviar candidaturas. O prazo termina em 9 de novembro, às 17h CET. Os candidatos selecionados iniciarão as atividades em 2027.

Segundo o BCE, a iniciativa examinará experiências de pagamento com IA, micropagamentos e interações entre máquinas. Além disso, os participantes deverão considerar privacidade desde a concepção, controle dos usuários e proteção de dados. Ainda assim, a análise não representa uma decisão de incluir esses recursos no eventual lançamento do euro digital.

IA poderá participar de pagamentos automatizados

O programa de exploração estudará agentes de IA capazes de interagir com sistemas de pagamento e outros agentes. No entanto, o banco central não confirmou que pagamentos autônomos integrarão o euro digital. Nesse contexto, as discussões buscarão identificar aplicações para consumidores, comerciantes, empresas e serviços públicos.

Os workshops ocorrerão na sede do BCE, em Frankfurt, durante o primeiro e o segundo trimestres de 2027. Durante os encontros, os participantes também analisarão micropagamentos. Essas operações envolvem valores muito pequenos e podem ser caras ou difíceis de processar por métodos convencionais. Porém, o BCE não definiu limites nem um modelo técnico para autorizações realizadas por agentes de IA.

As interações entre máquinas também integram a pesquisa. Contudo, o BCE apresenta essa frente como uma análise de possibilidades futuras. Portanto, o programa não prevê autorização irrestrita para dispositivos ou sistemas de IA gastarem euros digitais. Nos pagamentos on-line, os bancos continuariam responsáveis por verificar identidades e prevenir a lavagem de dinheiro.

Organizações desenvolverão protótipos funcionais

Uma segunda frente avançará além dos workshops e exigirá protótipos funcionais das organizações selecionadas. Entre janeiro e junho de 2027, o grupo testará recibos eletrônicos, pagamentos multipartes, operações condicionais e novos recursos para aplicativos. Ao final, as equipes apresentarão provas de conceito e relatórios com os resultados.

Os recibos eletrônicos poderão exibir comprovantes de compra junto ao pagamento no aplicativo. Já os pagamentos multipartes abrangem operações financiadas por várias pessoas ou divididas entre diferentes destinatários. Da mesma forma, os pagamentos condicionais ocorrerão quando requisitos previamente acordados forem cumpridos.

O BCE diferencia essa função do dinheiro programável. Pela proposta da Comissão Europeia, o euro digital não ficaria restrito a produtos, comerciantes ou períodos específicos. Assim, a condicionalidade afetaria apenas a execução da operação após o cumprimento das condições definidas.

Piloto separado começará no segundo semestre

O programa de inovação não deve ser confundido com o piloto mais amplo do euro digital. Esse teste começará no segundo semestre de 2027 e terá duração de 12 meses. Além do mais, o projeto usará uma versão beta do euro digital sob condições controladas. O BCE selecionou 36 provedores de serviços de pagamento entre mais de 50 candidaturas.

O grupo inclui Deutsche Bank, Revolut Bank, Stripe Technology Europe, UniCredit, Adyen e SumUp. Também participam outros bancos e empresas de pagamentos da zona do euro. Enquanto isso, o piloto reunirá o BCE e 19 bancos centrais nacionais da região. Funcionários testarão transferências entre pessoas e compras em comerciantes participantes.

As operações abrangerão transferências on-line e off-line entre pessoas, compras físicas, comércio eletrônico e pagamentos móveis. Entretanto, a versão beta não terá curso legal. Paralelamente, comerciantes de comércio eletrônico e móvel poderão se candidatar ao piloto até 27 de outubro de 2026.

Emissão depende da legislação europeia

Os testes não asseguram que os europeus terão acesso ao euro digital. O BCE decidirá sobre a emissão somente após a União Europeia aprovar a legislação necessária. Caso o marco legal avance, o planejamento prevê a preparação para uma possível primeira emissão em 2029.

Em junho de 2026, a Comissão de Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu aprovou sua posição sobre a proposta principal. O projeto abrange emissão, curso legal, distribuição, privacidade, proteção de dados e características técnicas. Depois disso, a União Europeia ainda precisará concluir o processo legislativo. O Conselho do BCE também terá de tomar uma decisão separada.

O banco central define o euro digital proposto como dinheiro digital de banco central voltado ao varejo. Dessa maneira, ele complementaria cédulas e moedas físicas. Bancos e provedores supervisionados distribuiriam o euro digital aos consumidores, em vez de o BCE oferecer contas diretas comuns. Antes disso, a instituição firmou acordos para reutilizar padrões europeus de pagamento e reduzir custos de integração para bancos e comerciantes.

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