Bernstein vê Bitcoin a US$ 150 mil apesar da queda

O Bitcoin negociava perto de US$ 63.000 na segunda-feira, 8 de junho, e recuperava parte das perdas após tocar a mínima de dois meses em 5 de junho. A correção veio em meio a saídas de capital dos ETFs spot, incerteza macroeconômica e migração de recursos para ações ligadas à inteligência artificial. Assim, a criptomoeda passou a operar cerca de 50% abaixo do recorde histórico de US$ 126.279, registrado em outubro de 2025.

A queda reacendeu um padrão conhecido em fases de fraqueza do mercado cripto. Enquanto investidores de varejo reduziram participação, a cobertura mais ampla da imprensa voltou a destacar o medo. Ainda assim, o contraponto de instituições financeiras ganhou força nesta semana.

Bernstein mantém tese de reserva de valor

Em relatório publicado na segunda-feira, analistas da corretora de Wall Street Bernstein afirmaram que a tese de longo prazo do Bitcoin como reserva de valor permanece intacta. A avaliação continuou positiva, embora os fluxos líquidos para ETFs spot de Bitcoin e para empresas com tesouraria no ativo tenham desacelerado.

Segundo a casa, essas entradas somam US$ 12 bilhões até agora em 2026, bem abaixo dos US$ 60 bilhões observados em 2025. Contudo, a Bernstein atribuiu a maior parte da pressão vendedora a empresas de tesouraria corporativa que liquidaram posições. Já os ETFs spot acumulam saídas líquidas de cerca de US$ 2,6 bilhões no ano.

“O fato de o Bitcoin estar sem brilho neste ciclo não deve ser usado contra ele”, escreveu a Bernstein, acrescentando que a perda de tração no varejo não enfraquece o caso estrutural de propriedade do ativo.

Além disso, o relatório destacou que 61% da oferta circulante de Bitcoin não se movimenta há mais de um ano. Na leitura da corretora, esse dado mostra uma base relevante de investidores sem disposição para vender nos níveis atuais.

A Bernstein mantém preço-alvo de US$ 150.000 para o Bitcoin em 2026. A justificativa é uma mudança estrutural no perfil dos compradores, com avanço de investidores institucionais, como plataformas de gestão de patrimônio, fundos de pensão e fundos soberanos.

Fluxos fracos não anulam cenário de 2026

Em análises anteriores, a instituição já havia descrito o início de 2026 como o período com o “caso de baixa mais fraco” da história do Bitcoin. O argumento central é que a adoção crescente por bancos e grandes gestoras diferencia a correção atual dos antigos invernos do mercado de criptomoedas.

No curto prazo, porém, os fatores de pressão sobre o preço são mais objetivos. Parte relevante do capital migrou, em ritmo histórico, para a tese de inteligência artificial. Com isso, centenas de bilhões de dólares fluíram para hyperscalers e grandes empresas de tecnologia nos últimos meses.

Varejo perde espaço enquanto instituições acumulam

Analistas que acompanham essa realocação também apontam que o IPO da SpaceX, previsto para 12 de junho na Nasdaq, atraiu atenção significativa do varejo. A operação tem valuation estimado entre US$ 1,75 trilhão e US$ 2 trilhões. Além disso, vendas de Bitcoin realizadas pela Strategy ampliaram a pressão de oferta no mercado.

No campo regulatório, a pauta segue no radar institucional. O Comitê Bancário do Senado dos Estados Unidos aprovou em maio o CLARITY Act por 15 votos a 9. O projeto cria uma estrutura de mercado para ativos digitais e divide a autoridade regulatória entre a Securities and Exchange Commission e a Commodity Futures Trading Commission.

A Câmara já havia aprovado o texto em julho do ano passado, por 294 votos a 134. Caso vire lei, o projeto poderá encerrar anos de incerteza regulatória que mantiveram parte do capital institucional à margem do mercado.

Ben Lilly, analista sênior de criptomoedas da Brownstone Research, traçou um paralelo direto com o mercado de baixa de 2022 em texto na Brownstone Research. Naquele momento, a BlackRock lançou em agosto um trust privado de Bitcoin em pleno aprofundamento da queda. Posteriormente, esse movimento antecedeu o ETF spot de Bitcoin da gestora, o IBIT, que alcançou US$ 80 bilhões em ativos sob gestão cinco vezes mais rápido do que o antigo recordista, o ETF do S&P 500 da Vanguard.

Estrutura favorece players institucionais

Na visão de Lilly, o mesmo roteiro se repete em 2026. Enquanto o varejo reduz exposição, as instituições seguem construindo posição. Portanto, esse movimento ajuda a explicar por que a leitura de longo prazo permanece positiva mesmo após a correção recente.

Como resultado, o quadro descrito pelos analistas combina fraqueza de curto prazo com continuidade da tese institucional. O Bitcoin negocia perto de US$ 63.000, os ETFs spot registram saídas líquidas de aproximadamente US$ 2,6 bilhões em 2026, 61% da oferta permanece sem movimentação há mais de um ano e a Bernstein ainda projeta US$ 150.000 para este ano.