Binance e CZ enfrentam ação de US$ 200 mi no Reino Unido
Cerca de 1.700 investidores do Reino Unido abriram uma ação judicial contra a Binance e seu fundador, Changpeng Zhao, em busca de pelo menos 150 milhões de libras, o equivalente a cerca de US$ 200 milhões, por supostas vendas não autorizadas de derivativos desde 2019.
A ação tramita na High Court of Justice, em Londres, e reúne quase 1.700 investidores britânicos. Segundo a acusação, a Binance ofereceu produtos complexos de negociação alavancada sem a autorização regulatória exigida no Reino Unido. Além disso, alguns autores afirmam ter acumulado perdas de dezenas de milhares de libras ao operar esses instrumentos.
Investidores contestam derivativos alavancados
O centro da disputa envolve produtos de negociação alavancada que, segundo a ação, a Binance passou a promover no fim de 2019. Em geral, esse tipo de derivativo amplia tanto os ganhos quanto as perdas, elevando o risco para investidores de varejo no mercado de criptomoedas.
Os autores sustentam que a corretora comercializou esses produtos sem obter a autorização regulatória necessária no país. Além disso, a ação afirma que a conduta violou regras previstas no Financial Services and Markets Act.
O caso ocorre em um ambiente regulatório mais rígido no Reino Unido para derivativos de criptomoedas voltados ao varejo. Em 2021, a Financial Conduct Authority proibiu empresas de cripto de ofertarem derivativos a clientes de varejo. Depois disso, a Binance adotou etapas adicionais de verificação para usuários britânicos que tentavam acessar esses mercados.
A ação lista como réus a Binance Holdings, sediada nas Ilhas Cayman, e a Nest Exchange, registrada nos Emirados Árabes Unidos. Também cita Changpeng Zhao e indivíduos não identificados ligados às operações da plataforma. Atualmente, a principal licença operacional da Binance está nos Emirados Árabes Unidos, após uma tentativa anterior de obter licença na Grécia fracassar neste mês.
Binance e CZ foram alvo de um processo de US$ 200 milhões no Reino Unido.
Investidores britânicos apresentaram uma ação de US$ 200 milhões contra a Binance e o fundador Changpeng Zhao por supostas vendas de derivativos de criptomoedas sem aprovação.
Quase 1.700 investidores afirmam que a Binance ofereceu produtos alavancados sem a autorização regulatória adequada.
BSCN no X
Binance afirma que vai se defender
A Binance confirmou que pretende contestar formalmente a ação. Em nota, um porta-voz afirmou que a plataforma seguirá cumprindo suas obrigações com os usuários enquanto atua dentro da lei. No entanto, a corretora não apresentou detalhes adicionais, porque a disputa judicial segue em andamento.
Este não é o primeiro episódio de escrutínio regulatório da Binance no mercado britânico. Afinal, a proibição da Financial Conduct Authority em 2021 já havia pressionado a empresa. Desde então, a corretora reforçou controles de acesso para clientes do Reino Unido. Agora, uma das questões centrais da ação envolve a suficiência dessas medidas posteriores diante das exigências regulatórias locais.
MiCA amplia pressão regulatória sobre a exchange
Paralelamente ao processo no Reino Unido, a Binance também administra ajustes ligados ao novo marco regulatório Markets in Crypto-Assets (MiCA) na União Europeia, que entrou em vigor nesta semana. Segundo a exchange, os fundos dos usuários afetados permanecem seguros e mantidos em base 1:1.
Além disso, a empresa informou que continuarão disponíveis as opções já comunicadas anteriormente, incluindo transferências e saques, quando aplicável. Em publicação no X, a Binance afirmou que segue comprometida em apoiar os usuários impactados pela transição regulatória com clareza, cuidado e responsabilidade.
À medida que as mudanças relacionadas ao MiCA entram em vigor hoje na União Europeia, queremos tranquilizar os usuários afetados de que seguimos comprometidos em apoiá-los durante essa transição com clareza, cuidado e responsabilidade.
Seus ativos permanecem seguros na Binance, mantidos em base 1:1, e os usuários afetados continuarão com as opções já informadas.
Binance no X
O CEO Richard Teng também afirmou no X que a Binance trabalha com reguladores para encontrar o melhor caminho para os usuários afetados. Teng acrescentou que a companhia entra em contato individualmente com as contas impactadas para informar os próximos passos e as opções disponíveis.
Pedido mínimo chega a 150 milhões de libras
No centro da ação no Reino Unido, os investidores pedem pelo menos 150 milhões de libras em indenização, cerca de US$ 200 milhões. Ao mesmo tempo, a Binance sustenta que vai contestar as alegações. Dessa forma, o caso combina supostas ofertas de derivativos alavancados desde 2019 e a proibição da Financial Conduct Authority em 2021. Também ocorre enquanto a exchange se adapta às novas exigências da União Europeia.
Até o momento, a empresa não informou quantos usuários europeus foram afetados pelas mudanças ligadas ao MiCA. Ainda assim, o processo em Londres reforça a pressão sobre grandes plataformas globais de criptomoedas. Essa pressão cresce, sobretudo, quando produtos de maior risco chegam a investidores de varejo sem autorização considerada adequada pelas autoridades locais.