Binance: hacker usa Aave para evitar bloqueio de USDT

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O invasor da Binance, identificado como o grupo norte-coreano TraderTraitor, usou protocolos DeFi para tentar evitar o congelamento dos valores roubados. Na quinta-feira, o atacante movimentou inicialmente US$ 3,79 bilhões na rede Ethereum. O montante incluía 200.630 ETH e stablecoins. Assim, o grupo buscou antecipar possíveis bloqueios das empresas emissoras.

Entre 20h58 e 21h01 UTC de 29 de outubro, o invasor depositou US$ 60 milhões em USDT na Aave. Em seguida, tomou emprestados 19.760 WETH, avaliados em US$ 45,13 milhões. A estratégia transformou a stablecoin usada como garantia em ETH disponível. Com isso, o atacante reduziu a exposição direta ao congelamento do USDT.

Conversão de USDT em ETH antecedeu bloqueios

O TraderTraitor também trocou US$ 325 milhões em USDT por meio da UniswapX e da 1inch. As operações ocorreram entre 21h09 e 21h34 UTC. Dessa forma, o invasor tentou concluir as conversões antes da intervenção das emissoras. Tether e Circle começaram os bloqueios por volta de 21h18 UTC.

Analistas observaram que o atacante pagou cerca de 10% do valor trocado para acelerar a execução das ordens. Ainda assim, as transferências pela UniswapX levaram aproximadamente 35 minutos. Já o empréstimo na Aave foi concluído em apenas cinco minutos. Portanto, a operação de crédito ofereceu uma saída mais rápida para parte dos recursos.

Depois das conversões e do desembrulho dos WETH, o grupo recebeu 142.062 ETH nativos. Diferentemente do USDT, esses valores não podem sofrer congelamento direto por uma empresa emissora. No entanto, os bloqueios impediram a livre movimentação da garantia mantida em stablecoin.

Após as operações, o invasor controlava cerca de 420 mil ETH. O total reunia os 142.062 ETH obtidos nas conversões, os 200.630 ETH originais e outros valores trocados. Nesse contexto, um analista classificou a estratégia como uma das ações mais inteligentes que já presenciou no mercado de criptomoedas.

O hacker da Binance pode ter acabado de executar uma das jogadas mais inteligentes que já vi em criptomoedas. A Tether pode congelar o USDT que está na carteira, mas não pode congelar o ETH que ele já tomou emprestado. Agora, a Aave fica com a garantia congelada, enquanto o hacker está com ETH líquido.

no X

Aave rejeita risco de dívida ruim

O ataque à KelpDAO explorou uma brecha semelhante em empréstimos DeFi para retirar e lavar recursos roubados. Naquele caso, a Aave ficou com mais de US$ 120 milhões em dívidas ruins. Contudo, o fundador da Aave, Stani Kulechov, afirmou que a situação atual apresenta diferenças. Para ele, a garantia depositada mantém a posição sobrecolateralizada.

Na verdade, não há dívida ruim. De fato, há sobrecolateralização com uma garantia estável. O caso da Kelp foi diferente.

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Mesmo assim, permanece a dúvida sobre quem receberá os US$ 60 milhões depositados como garantia. A Binance figura como vítima principal do ataque, enquanto a Aave aparece como vítima secundária. Ao mesmo tempo, o congelamento limita a movimentação da garantia mantida no protocolo. O material disponível não determina qual plataforma será ressarcida.

Garantia em USDT depositada na Aave após ataque à Binance
Fonte: X

 

Caso expõe limites dos controles automatizados

Parte da comunidade questionou como transferências superiores a US$ 1 milhão receberam aprovação sem revisão humana. A discussão ganhou força após a retirada de US$ 325 milhões de algumas hot wallets da Binance. Em exchanges centralizadas, limites de movimentação podem reduzir riscos nesse tipo de cenário. Porém, protocolos descentralizados operam sob uma estrutura diferente.

Plataformas sem custódia foram projetadas para funcionar sem intervenção humana direta. Por outro lado, essa automação dificulta respostas imediatas quando recursos roubados chegam aos protocolos. Segundo a Chainalysis, plataformas que executam carteiras Ethereum com a falha explorada devem permanecer vigilantes. A empresa também recomendou a implementação das atualizações adequadas.

Em síntese, o TraderTraitor combinou Aave, UniswapX e 1inch para converter US$ 365 milhões em USDT antes dos bloqueios. A operação deixou o grupo com ETH líquido, enquanto a garantia em stablecoin ficou sujeita às restrições. Apesar das comparações com o caso KelpDAO, a Aave sustenta que o episódio não gerou dívida ruim. Ainda permanece indefinido quem poderá recuperar os US$ 60 milhões usados como garantia.

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