Binance reserva US$ 6,34 bilhões após roubo
A Binance afirmou que separou mais de US$ 6,34 bilhões de recursos próprios para absorver o impacto do roubo. O ataque retirou cerca de US$ 6,3 bilhões em criptoativos de carteiras quentes da plataforma. A empresa publicou a atualização em 30 de outubro, na segunda comunicação sobre o incidente. De acordo com a companhia, o fundo SAFU e a tesouraria corporativa cobrirão as perdas.
Do valor reservado, US$ 5 bilhões já correspondem aos mesmos ativos subtraídos no ataque. A lista inclui USDC, USDT, BTC, ETH e BNB. Assim, a reposição equivale a aproximadamente 80% do valor afetado, conforme informou a empresa. Entretanto, a disponibilidade financeira não significa que a plataforma já tenha reposto todos os ativos.
Recursos sustentam cobertura das perdas
A Binance está comprando os ativos restantes no mercado e por meio de operações de balcão. Para completar a cobertura, a empresa utilizará recursos corporativos e o fundo SAFU. Enquanto isso, a estratégia busca recompor os saldos afetados pelo ataque. No entanto, a corretora ainda precisa concluir a aquisição dos 20% restantes.
O ataque comprometeu carteiras quentes por volta das 20h05 UTC de 29 de outubro. Com isso, os invasores realizaram saques sem autorização. Em resposta, a plataforma conteve a infraestrutura afetada e revogou as autorizações comprometidas. Além disso, a Binance implementou controles para impedir novas operações irregulares.
Os saques continuam suspensos durante as revisões de segurança e a validação dos sistemas. Durante esse período, a equipe também aplica as medidas corretivas necessárias. Nesse período, depósitos e outros serviços não afetados permanecem disponíveis. Por isso, os usuários devem distinguir a continuidade dos depósitos da recuperação completa do acesso aos fundos.
Retomada dos saques ocorrerá por etapas
A equipe técnica pretende iniciar a retomada dos saques cerca de 34 horas após a atualização. Contudo, o prazo depende da conclusão das verificações de segurança. Em seguida, a Binance planeja liberar o serviço de maneira gradual. A empresa comunicará cada etapa da reabertura aos usuários.
Portanto, o cronograma representa uma meta condicionada, não a confirmação de que o serviço já está disponível. Até lá, a companhia manterá os saques bloqueados enquanto finaliza as validações. Paralelamente, os depósitos continuarão operacionais nos serviços que não sofreram impacto.
Investigação identifica outras vias de invasão
A hipótese inicial indicava que um notebook comprometido havia permitido a invasão. Posteriormente, a investigação identificou outros pontos de entrada na infraestrutura. Até agora, a empresa não encontrou evidências de vazamento das chaves privadas das carteiras. A apuração continua com a participação de especialistas internos e externos.
A Binance ainda reconstrói toda a sequência do ataque. Além disso, a companhia espera divulgar novas descobertas técnicas em cerca de 48 horas. Ainda assim, a publicação dependerá da verificação dos achados e da avaliação de possíveis riscos para a investigação.
A plataforma também prepara uma análise detalhada sobre o incidente. O documento deverá reunir as causas identificadas, as lições aprendidas e as novas proteções adotadas. Ao mesmo tempo, cerca de US$ 3 bilhões permanecem congelados em blockchain. Autoridades, empresas de análise, emissores e outros participantes do setor colaboraram com o bloqueio.
Porém, o congelamento não representa a recuperação definitiva dos valores. A devolução dos recursos ainda faz parte das medidas pendentes. Por consequência, a empresa não pode descontar automaticamente esse montante do roubo para calcular uma perda líquida.
Prova de reservas tem divulgação prevista
A Binance prevê realizar a captura inicial de sua prova de reservas cerca de 12 horas após a atualização. Já os resultados devem ficar prontos até segunda-feira, 2 de novembro. A iniciativa pretende apresentar as posições atualizadas e o respaldo dos saldos dos usuários. Nesse contexto, a verificação ajudará a demonstrar a situação das reservas após o ataque.
A compra dos 20% restantes, a verificação das reservas e a recuperação dos recursos roubados avançam como processos separados. Dessa forma, os recursos corporativos disponíveis não confirmam a reposição integral dos ativos. Eles também não indicam, isoladamente, que a Binance já reativou os saques.
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