Bitcoin: 235 EH/s ociosos podem pressionar margens

A Luxor estima que cerca de 235 exahashes por segundo, ou EH/s, em máquinas de mineração de Bitcoin estão inativos. Esse volume equivale a quase um quinto da capacidade estimada dos equipamentos ASIC. A eventual retomada dessas máquinas pode aumentar a concorrência e voltar a comprimir as margens dos mineradores.

O relatório de 8 de setembro divide os equipamentos desligados entre máquinas antieconômicas, cortes deliberados, hardware em transporte e unidades em manutenção. Portanto, uma recuperação do hashrate não representa necessariamente alívio financeiro para o setor. Parte da capacidade pode retornar por razões operacionais ou por incentivos relacionados ao mercado de energia.

Em agosto, a valorização do Bitcoin ampliou a receita disponível para a mineração. Ao mesmo tempo, a janela do verão texano para evitar cobranças de transmissão relacionadas aos picos de demanda segue até setembro. Assim, os dois fatores podem estimular o retorno de concorrentes que mantiveram equipamentos desligados.

Capacidade de 235 EH/s permanece fora da rede

Segundo a estimativa, a rede possui aproximadamente 1.150 EH/s de capacidade líquida instalada em ASICs. Contudo, a dificuldade média de mineração em agosto indicou atividade próxima de 915 EH/s. A diferença de 235 EH/s demonstra a escala dos equipamentos temporariamente fora de operação.

Uma máquina antieconômica precisa de receita maior, custos menores ou das duas condições para retornar. Já equipamentos em transporte ou manutenção dependem de entrega, instalação ou reparos. Por outro lado, máquinas cortadas deliberadamente podem estar prontas, mas gerar mais valor ao proprietário enquanto permanecem desligadas.

A Luxor não detalhou o volume correspondente a cada categoria. Dessa forma, ainda não é possível calcular quanto desse poder computacional retornaria em determinado nível de hashprice. A queda da atividade pode refletir dificuldades financeiras ou decisões econômicas relacionadas ao custo da eletricidade.

Estimativas do hashrate e os cortes no Texas

O poder de processamento exato da rede precisa ser estimado pela dificuldade e pela velocidade de descoberta dos blocos. O histórico de hashrate mostra que as leituras diárias podem oscilar devido à aleatoriedade da mineração. Por isso, a média de sete dias oferece uma referência mais representativa.

A suavização dos dados, porém, não diferencia um minerador em dificuldade de outro que evita um período caro de consumo energético. No Texas, os quatro picos coincidentes da ERCOT, conhecidos como 4CP, abrangem junho, julho, agosto e setembro. Cada pico representa o intervalo de 15 minutos com maior carga mensal, conforme a definição da ERCOT.

Mineradores do Texas reduzem a atividade no verão para evitar cobranças de transmissão associadas aos 4CP. Nesse período, ligar uma máquina pode custar mais do que a eletricidade consumida naquele momento. Com o encerramento da janela em setembro, parte da capacidade cortada pode retornar, embora energia e custos operacionais continuem decisivos.

MétricaJulho / ponto inicialAgosto / ponto finalVariaçãoImportância
Hashprice em US$US$ 31,63 por PH/s/diaUS$ 39,33 por PH/s/dia+24,4%Receita maior pode reativar ASICs marginais.
Preço do BitcoinUS$ 62.889US$ 78.312+24,5%O preço do BTC impulsionou a maior parte da recuperação de receita.
Receita da frota de 25 a 38 J/THCerca de US$ 45/MWh em médiaAinda abaixo do custo de energia de referência de US$ 48/MWhFrotas menos eficientes melhoraram, mas não superaram integralmente o custo médio.
Dias acima da referência11 diasRecuperação parcialIncentivos para retomar podem ser episódicos, não permanentes.
Ajuste de dificuldade em 5 de setembro+1,31%Pressão sobre margensA rede já começava a absorver a recuperação.

 

Receita melhora, mas custos permanecem elevados

O hashprice em dólar avançou 24,4% em agosto, de US$ 31,63 para US$ 39,33 por petahash por segundo ao dia. Esse indicador mede a receita esperada para determinada potência computacional, antes de eletricidade e outras despesas. Enquanto isso, o preço do Bitcoin subiu 24,5%, de US$ 62.889 para US$ 78.312.

A melhora favoreceu máquinas menos eficientes, mas agosto continuou difícil para parte do setor. A frota entre 25 e 38 joules por terahash gerou cerca de US$ 45 por megawatt-hora, em média. Ainda assim, o valor ficou abaixo do custo estimado de US$ 48 por megawatt-hora, embora tenha superado essa referência em 11 dias.

Os resultados variam conforme contratos de energia, financiamentos, pessoal e outros custos de cada empresa. Entretanto, a melhora da receita no fim de agosto pode ter viabilizado máquinas anteriormente deficitárias. Os blocos levaram, em média, 9 minutos e 34 segundos para serem encontrados, abaixo da meta aproximada de 10 minutos.

Como consequência, o ajuste de 5 de setembro elevou a dificuldade em 1,31%. O protocolo reajusta o indicador a cada 2.016 blocos e busca manter aproximadamente duas semanas de produção. Caso a capacidade adicional acelere os blocos, a dificuldade poderá subir novamente no ajuste seguinte.

Retomada pode apertar a mineração de Bitcoin

Com maior dificuldade, a mesma máquina gera menos receita esperada em Bitcoin por unidade de poder computacional. Essa relação considera recompensas e taxas constantes. No entanto, o impacto em dólar também depende da cotação do Bitcoin e das taxas de transação.

A dificuldade de outubro subiu em todos os anos entre 2022 e 2025, com média mensal próxima de 10%. Já a média por ajuste alcançou 4,38%. Além disso, uma análise publicada em 2 de setembro indicou que compromissos com inteligência artificial e computação de alto desempenho podem limitar a recuperação.

A Luxor não especificou quanto da capacidade ociosa está relacionado à inteligência artificial. Portanto, esse fator representa uma possível restrição separada para a retomada. Informações divulgadas pelos próprios operadores ainda serão necessárias para identificar dificuldades financeiras persistentes.

Cenários para dificuldade e hashprice

CenárioO que aconteceTrajetória da dificuldadeImpacto no hashpriceConclusão
Caso-baseParte da capacidade cortada no Texas volta após setembro; máquinas antieconômicas seguem seletivas.Aumento moderadoDevolve parte da alta de agostoA recuperação é real, mas autolimitada.
Caso otimistaO preço do BTC continua subindo mais rápido que a dificuldade.Sobe, mas fica atrás da receitaPermanece perto dos níveis melhoresMineradores recuperam alavancagem operacional.
Caso pessimistaGrande capacidade ociosa retorna enquanto o BTC fica estagnado.Sobe fortementeComprimeA recuperação se transforma em armadilha de margem.
Cisne negroAlta no preço de energia, recuo do BTC ou vendas forçadas atingem mineradores mais fracos.Volatilidade aumenta após desligamentosOscila fortementeO hashrate se torna um sinal fraco de saúde financeira em tempo real.

 

Os próximos sinais relevantes incluem mudanças sustentadas no hashrate suavizado, novos ajustes de dificuldade e divulgações sobre cortes e retomadas. Em conjunto, esses dados podem mostrar quanto da capacidade apenas aguardava condições econômicas mais favoráveis. Para os mineradores, a questão central será quanto da recuperação de agosto resistirá ao retorno dos concorrentes.