Bitcoin a US$ 100 mil? Standard Chartered mantém meta

O Standard Chartered manteve a projeção de que o Bitcoin pode encerrar 2026 em US$ 100 mil. A estimativa resistiu mesmo após a breve queda abaixo de US$ 60 mil na semana passada. Para Geoffrey Kendrick, chefe global de pesquisa de ativos digitais do banco, a correção foi severa, mas grande parte da pressão vendedora pode ter ficado para trás.

Com o Bitcoin na região de US$ 63.400, a meta de US$ 100 mil até 31 de dezembro exige alta de cerca de 57,8% em aproximadamente 206 dias. Em outras palavras, o ativo precisaria avançar 0,22% ao dia, ou perto de 7% ao mês. Ainda assim, o mercado questiona se esse ritmo pode se repetir neste ciclo.

Dificuldade de o Bitcoin atingir US$ 100 mil
A meta de US$ 100 mil do Standard Chartered para o fim do ano exige alta de 57,8% a partir de US$ 63.400, o menor ganho necessário entre quatro projeções institucionais relevantes.

Pressões recentes limitam a recuperação do Bitcoin

A queda em direção a US$ 60 mil ocorreu após saídas recordes dos ETFs, a primeira venda de Bitcoin da Strategy desde 2022 e liquidações forçadas de US$ 1,8 bilhão em uma única sessão. Como resultado, o Índice de Medo e Ganância caiu para 12 pontos. Além disso, o Bitcoin ficou mais de 51% abaixo do recorde histórico registrado em outubro de 2025.

Os ETFs spot negociados nos Estados Unidos acumularam cerca de US$ 4,4 bilhões em saídas ao longo de 13 pregões consecutivos. Ao mesmo tempo, parte do capital institucional migrou para ações ligadas à inteligência artificial. A venda de 32 BTC pela Strategy teve efeito psicológico relevante, embora o volume tenha sido pequeno.

De fato, a Strategy informou uma nova aquisição entre 1 e 7 de junho. Para Kendrick, esse movimento pode sinalizar a retomada do padrão agressivo de compras. Antes disso, o Standard Chartered havia reduzido sua meta para o fim do ano de US$ 300 mil, em dezembro, para US$ 150 mil, em janeiro, e depois para US$ 100 mil, em fevereiro.

Quatro gatilhos podem levar o BTC de volta aos US$ 100 mil

Segundo o banco, a trajetória até US$ 100 mil depende de quatro condições principais. Em primeiro lugar, as saídas dos ETFs precisam deixar de ditar o preço marginal. Após 13 sessões negativas, os fluxos voltaram a ficar levemente positivos no início de junho, o que pode abrir espaço para reversão.

Em segundo lugar, a Strategy precisa seguir como compradora líquida. Em terceiro lugar, o avanço regulatório do CLARITY Act deve voltar ao radar institucional. Por fim, o Bitcoin precisa recuperar médias técnicas importantes, como a média móvel de 30 dias, perto de US$ 75.685, e a média móvel de 200 dias, por volta de US$ 78.840.

CondiçãoSinal atualConfirmação altista
Fluxos de ETFs se estabilizamETFs spot de Bitcoin saíram de uma sequência de 13 sessões de resgates, totalizando cerca de US$ 4,4 bilhõesVárias semanas de entradas líquidas
Strategy segue comprandoStrategy vendeu 32 BTC e depois divulgou nova compra entre 1 e 7 de junhoCompras contínuas sem novas vendas simbólicas
Retorno do impulso regulatórioO avanço do CLARITY Act ainda é incertoAgendamento no plenário do Senado ou caminho regulatório mais claro
Recuperação de níveis de tendênciaBTC segue abaixo da média de 30 dias, em US$ 75.685, e da média móvel de 200 dias, em US$ 78.840Movimento sustentado acima de US$ 75 mil a US$ 79 mil

Entre as instituições, a Grayscale argumenta que a tese do ciclo de quatro anos pode falhar na era do capital institucional. Já na Fidelity, os analistas seguem divididos. Parte da equipe apoia a ideia de um superciclo, enquanto Jurrien Timmer, diretor macro, entende que o padrão clássico continua válido.

Mercados de previsões indicam cautela

A Bernstein manteve projeção de US$ 150 mil para o fim do ano em 24 de março e classificou a correção atual como o caso de baixa mais fraco da história do Bitcoin. No entanto, a casa não reafirmou formalmente essa estimativa após a queda recente. O Citi, por sua vez, ainda trabalha com cenário base acima de US$ 100 mil, enquanto o cenário otimista aponta para cerca de US$ 166 mil.

Por outro lado, analistas de ciclo que acompanham o halving de 2024 situam a janela histórica de fundo por volta do dia 900 após o evento. Como o ciclo atual está no dia 775, faltariam cerca de 125 dias para essa faixa se abrir. Assim, o fundo poderia surgir em outubro, com ciclos anteriores sugerindo mínimas próximas de US$ 40 mil.

Nesse cenário, um fundo hipotético em US$ 50 mil em outubro exigiria alta composta diária de aproximadamente 0,76% até 31 de dezembro para que o Bitcoin voltasse a US$ 100 mil. Portanto, o ritmo seria mais de três vezes superior ao necessário a partir do preço atual.

Na Kalshi, traders atribuem 66% de probabilidade de o Bitcoin cair abaixo de US$ 55 mil em 2026. Além disso, a chance de recuo para menos de US$ 50 mil varia entre 50% e 52%. Ao mesmo tempo, parte do mercado avalia que a rotação de capital para ações de inteligência artificial, ETFs de semicondutores e IPOs de grande visibilidade pode durar mais do que o esperado.

Se o suporte de US$ 60 mil se perder de forma sustentada, com topos e fundos descendentes, a atenção dos traders tende a migrar para a região de US$ 50 mil e para a média móvel de 200 semanas, em US$ 61.778. Esse nível foi tocado na semana passada pela primeira vez desde 2023. Além disso, o pano de fundo regulatório amplia o risco, já que o calendário de aplicação do MiCA na União Europeia tem uma etapa prevista para 1 de julho.

 

Wall Street segue otimista, mas convicção diminuiu

O JPMorgan mantém, em seu modelo de valor justo ajustado pela volatilidade em comparação com o ouro, um nível próximo de US$ 170 mil. Contudo, essa estimativa antecede a queda recente e funciona mais como referência de longo prazo. Já Alex Thorn, da Galaxy Digital, reduziu de 75% para 60% sua estimativa de aprovação de legislação sobre criptoativos nos Estados Unidos em 2026, devido ao risco de calendário no Senado.

Fonte ou mercadoSinalInterpretação
Standard CharteredUS$ 100 mil até 31 de dezembroReafirmação após a queda
Citi, cenário baseAcima de US$ 100 milMeta reduzida, mas ainda otimista
BernsteinUS$ 150 milProjeção mantida, sem nova reafirmação após a correção
JPMorganUS$ 170 milReferência antiga de valor justo
Kalshi: BTC acima de US$ 100 mil antes de janeiro de 202721%Mercado vê a marca como possível, mas não provável
Kalshi: BTC abaixo de US$ 55 mil em 202666%Traders seguem precificando risco de queda
Kalshi: BTC abaixo de US$ 50 mil em 202650% a 52%Risco de drawdown continua central

Geoffrey Kendrick segue como a principal voz institucional a reafirmar explicitamente a meta de US$ 100 mil após a queda do Bitcoin abaixo de US$ 60 mil. Ainda assim, o mercado exige sinais concretos. O ativo precisa recuperar a faixa de US$ 75 mil a US$ 79 mil, receber novo suporte dos ETFs, manter a Strategy ativa nas compras e avançar no campo regulatório antes da janela histórica de fundo projetada para outubro.