Bitcoin a US$ 63 mil desafia previsão do World Gold Council
O Bitcoin operava perto de US$ 63.038, cerca de 19% abaixo dos US$ 77.500 registrados em maio. Naquele período, David Tait, CEO do World Gold Council, afirmou acreditar que o preço acabaria chegando a zero.
A queda trouxe novamente atenção à previsão extrema do executivo. Ainda assim, apesar da desvalorização, o Bitcoin permanece muito distante de um colapso literal.
Bitcoin recua para perto de US$ 63 mil
Tait não baseou sua avaliação em um modelo formal de valuation. Em vez disso, classificou a projeção como um instinto de trader e questionou a capacidade do Bitcoin de funcionar como proteção financeira.
Para o executivo, o Bitcoin deveria compensar a exposição a investimentos mais arriscados. Contudo, ele argumentou que o ativo não cumpriu esse papel de forma consistente durante períodos de estresse nos mercados.
“Opinião controversa: o CEO do World Gold Council acredita pessoalmente que o Bitcoin está a caminho de US$ 0. Essa visão é muito diferente da crescente adoção institucional que vemos em torno do Bitcoin. O Bitcoin realmente vai a zero ou essa previsão vai envelhecer muito mal?”
Crypto Patel, no X.
Nesse contexto, a crítica ganhou relevância enquanto os produtos ligados a ativos digitais avançavam nas finanças tradicionais. Um estudo de 2025 apontou que a correlação do Bitcoin com o S&P 500 aumentou após o lançamento dos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos.
Enquanto isso, a correlação entre Bitcoin e ouro permaneceu próxima de zero. Assim, a conclusão indicou um comportamento mais próximo de um instrumento financeiro sensível ao risco do que de um substituto direto do ouro.
Ouro avança com compras dos bancos centrais
Em contrapartida, o ouro se fortaleceu no mesmo período e ultrapassou US$ 4.400 por onça nesta semana. Os bancos centrais também compraram 289 toneladas líquidas no segundo trimestre.
Dados do World Gold Council mostraram um crescimento anual de 62% nessas aquisições. Além disso, a demanda por ouro no primeiro semestre alcançou 2.522 toneladas, com valor recorde de US$ 380 bilhões.
Esse contraste não confirma a previsão de Tait. Porém, evidencia os comportamentos distintos que o executivo destacou ao comparar o Bitcoin com reservas defensivas tradicionais.
Wall Street reduz metas para o Bitcoin
O preço próximo de US$ 63 mil também contraria projeções institucionais anteriores. Em julho, o Citi reduziu sua meta de 12 meses para o Bitcoin de US$ 112.000 para US$ 82.000.
O banco citou fluxos negativos dos ETFs, demanda mais fraca dos investidores e avanço lento da legislação cripto nos Estados Unidos. Por outro lado, o cenário pessimista do Citi passou a projetar o Bitcoin em US$ 53.000.
O Standard Chartered também reduziu para cerca de US$ 100.000 sua expectativa para o fim de 2026, após projetar US$ 150.000. Da mesma forma, o TD Cowen cortou sua meta de fim de ano de US$ 140.000 para US$ 100.000.
As revisões colocam o mercado entre projeções muito diferentes. Embora a previsão de zero continue distante, várias estimativas acima de seis dígitos perderam força.
ETFs e mineradores pressionam o mercado
O acesso institucional continuou disponível apesar da retração dos preços. O iShares Bitcoin Trust da BlackRock ainda oferece exposição regulada, embora o retorno baseado no valor patrimonial líquido recuasse 27,57% no ano.
Em 13 de agosto, o desempenho do fundo refletia a retração mais ampla do mercado. Mais recentemente, o Bitcoin permaneceu sobretudo entre US$ 62.000 e US$ 66.000 durante várias semanas.
Ao mesmo tempo, as compras dos ETFs disputaram espaço com vendas de mineradores e detentores corporativos. Como resultado, esse equilíbrio manteve o mercado comprimido em níveis muito inferiores às previsões iniciais para o ciclo.
Perto de US$ 63.038, o Bitcoin representa um teste de realidade para os dois lados. O mercado caiu de forma relevante desde maio, mas não chegou perto de validar a previsão mais extrema de Tait.
Até agora, os números mostram que a fraqueza do mercado pressionou as metas otimistas. Entretanto, o preço continua muito distante de confirmar uma queda a zero.