Bitcoin abaixo de US$ 80 mil sob pressão do petróleo
O Bitcoin operava abaixo de US$ 80 mil em 8 de setembro. Enquanto isso, o petróleo se aproximava de US$ 100 por barril após uma nova interrupção em instalações de energia da Arábia Saudita. Assim, o choque energético ampliou a incerteza antes da próxima decisão de juros do Federal Reserve.
No momento da publicação, o Bitcoin era cotado perto de US$ 78,3 mil, com queda de 1,52% em 24 horas. Ainda assim, o ativo acumulava valorização de 20% nos 30 dias anteriores e preservava seus ganhos mensais. No entanto, a perturbação no setor energético elevou as dúvidas sobre a trajetória da inflação americana.
Segundo uma reportagem da Reuters, instalações sauditas interromperam operações na terça-feira após ataques do movimento Houthi, do Iêmen. Autoridades da Arábia Saudita confirmaram a interrupção. Os futuros do petróleo Brent chegaram a US$ 99,46 por barril e depois operavam perto de US$ 98,63. Além disso, o Brent à vista alcançou US$ 101 durante o pregão, antes da abertura dos mercados europeus.
Choque energético ainda não aparece nos dados de inflação
Para avaliar uma possível recuperação do Bitcoin, o mercado precisa distinguir a inflação já medida das pressões que ainda estão se formando. Uma leitura mais branda para agosto pode aliviar as preocupações com os juros. Porém, esse resultado não eliminaria o risco recente provocado pela alta do petróleo.
O calendário do Bureau of Labor Statistics prevê a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor de agosto em 11 de setembro. A publicação ocorrerá às 8h30, no horário do leste dos Estados Unidos. Como o indicador mede os preços de agosto, ele não refletirá a interrupção ocorrida em 8 de setembro. O BLS divulgará os dados referentes a setembro somente em 14 de outubro.
Essa defasagem separa os dados disponíveis antes da reunião do Fed do risco energético que se desenvolve agora. O Federal Reserve realizará a reunião de política monetária em 15 e 16 de setembro. Dessa forma, o banco central avaliará números de preços ao consumidor anteriores aos ataques de terça-feira.
Fed avalia inflação, energia e mercado de trabalho
O ambiente inflacionário já apresentava sinais mistos. O CPI de julho subiu 0,1% no mês e 3,4% em 12 meses. Excluindo alimentos e energia, os preços avançaram 0,2% no mês e 2,5% na comparação anual.
Contudo, esses números não mostram quanto a nova interrupção poderá afetar a inflação nos meses seguintes. Em 3 de setembro, o dirigente do Fed Christopher Waller afirmou que a continuidade da desinflação o levaria a apoiar a manutenção dos juros. Por outro lado, uma inflação forte em agosto poderia fazê-lo considerar uma alta das taxas. Logo, os próximos indicadores terão peso relevante em sua avaliação.
Waller também apontou uma nova elevação dos preços da energia como risco de alta para a inflação. Entretanto, ele disse que os temores anteriores de contágio para os preços de bens e serviços ainda não se materializaram. Suas declarações descrevem uma posição condicional, e não um compromisso do comitê.
Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho também integra a decisão. O BLS informou a criação de 162 mil empregos em agosto e uma taxa de desemprego de 4,1% em 4 de setembro. Esses dados reforçam a tensão entre petróleo, inflação e emprego que já existia antes da nova interrupção.
Petróleo mantém incerteza sobre Bitcoin e juros
No curto prazo, o desempenho do Bitcoin dependerá da combinação entre uma inflação mais moderada e a redução da pressão energética. Caso o petróleo permaneça caro, o argumento para o Fed manter os juros pode se tornar mais difícil. Em contrapartida, uma queda das cotações reduziria esse risco específico para o cenário inflacionário.
A divulgação de sexta-feira mostrará apenas os dados referentes a agosto. Ainda assim, a duração do novo choque energético continuará como uma questão separada para as perspectivas de inflação. Desse modo, o mercado acompanhará os preços do petróleo antes e depois da reunião do Fed.