Bitcoin: Abu Dhabi mantém IBIT após perda de US$ 118 mi

Dois investidores soberanos de Abu Dhabi mantiveram suas posições no ETF de Bitcoin da BlackRock durante o segundo trimestre de 2026. Mubadala Investment Company e Abu Dhabi Investment Council preservaram uma exposição conjunta de US$ 763,7 milhões. A decisão ocorreu apesar da forte queda anual da criptomoeda.

Registros regulatórios mostram que as instituições detinham, juntas, 22,94 milhões de cotas do iShares Bitcoin Trust ETF, o IBIT, em 30 de junho. Nenhum dos fundos reduziu a quantidade de cotas durante o período.

Queda do Bitcoin reduz posições de Abu Dhabi

Os fundos absorveram a desvalorização do IBIT sem alterar suas participações. As posições combinadas valiam cerca de US$ 881,4 milhões no fim de março. Portanto, a redução de valor chegou a aproximadamente US$ 118 milhões no segundo trimestre.

A participação da Mubadala caiu de US$ 565,6 milhões para US$ 490,1 milhões em valor declarado. Ainda assim, a gestora manteve suas 14.721.917 cotas do IBIT em 30 de junho. O volume permaneceu igual ao registrado três meses antes.

Essa posição continuou como o segundo maior investimento declarado pela Mubadala em sua carteira 13F, avaliada em US$ 34,8 bilhões. Ela ficou atrás apenas da GlobalFoundries, conforme a carteira 13F enviada à SEC.

Durante o primeiro trimestre, a Mubadala ampliou a posição em quase 16%, com a adição de mais de 2 milhões de cotas. Naquele momento, o Bitcoin perdia força. A instituição também havia elevado a participação em cerca de 46% no último trimestre de 2025.

ADIC mantém IBIT como maior posição declarada

O Abu Dhabi Investment Council, conhecido como ADIC, também preservou suas 8.218.712 cotas do IBIT. Em 30 de junho, a participação valia cerca de US$ 273,6 milhões. Esse era o maior investimento declarado pela instituição em valores mobiliários listados nos Estados Unidos.

O IBIT representava mais de 33% da carteira 13F do ADIC, avaliada em aproximadamente US$ 715 milhões. Os dados constam na declaração regulatória da instituição.

O ADIC começou a informar a posição diretamente no início de 2026. Antes disso, sua subsidiária Al Warda Investments divulgava a participação. Contudo, a mudança no reporte não alterou a propriedade beneficiária das cotas.

Mercado recua, mas fundos preservam estratégia

Na sexta-feira, o Bitcoin era negociado perto de US$ 62.900. O preço estava cerca de 29% abaixo dos US$ 88.700 registrados no início de 2026. Além do mais, a criptomoeda havia perdido aproximadamente metade do valor frente ao recorde superior a US$ 126.000, alcançado em outubro.

Dados da BlackRock mostram que o IBIT acumulava queda de 27,6% no ano até 13 de agosto. Enquanto isso, os ativos líquidos do fundo recuaram para cerca de US$ 47,35 bilhões. As cotas fecharam a quinta-feira cotadas a US$ 35,88.

O mercado mais amplo de ETFs de Bitcoin acompanhou a retração. Conforme dados da SoSoValue, os ativos sob gestão caíram de mais de US$ 116,7 bilhões para aproximadamente US$ 95,5 bilhões. A diferença entre os dois valores corresponde a cerca de US$ 21,2 bilhões.

Harvard reduziu exposição durante a queda

Os investidores de Abu Dhabi adotaram uma estratégia diferente da seguida por instituições que reduziram a exposição. A Universidade Harvard, por exemplo, reduziu sua posição no IBIT em 43% no primeiro trimestre. A instituição já havia diminuído a participação no fim de 2025.

Em contrapartida, a Mubadala ampliou sua exposição no mesmo período, enquanto o ADIC manteve sua participação. Michael Tanguma, diretor-executivo da Onramp Bitcoin, afirmou no X que Abu Dhabi também pode manter Bitcoin diretamente em armazenamento frio.

Para Tanguma, depender apenas de uma estrutura de ETF seria incomum para um investidor soberano com estratégia de longo prazo. Entretanto, o formulário 13F abrange valores mobiliários específicos listados nos Estados Unidos. Assim, o documento não revela Bitcoin mantido diretamente em carteiras controladas pelo governo.

Os registros não confirmam nem descartam a avaliação de Tanguma. Eles mostram apenas que os dois fundos mantiveram integralmente suas cotas do IBIT durante o segundo trimestre.

Abu Dhabi expande atuação em ativos digitais

A manutenção das posições ocorre enquanto Abu Dhabi amplia sua presença institucional em ativos digitais. A estratégia envolve regulação, investimentos de risco, tokenização e infraestrutura voltada ao mercado de criptomoedas.

O Abu Dhabi Global Market, centro financeiro internacional do emirado, opera desde 2018 um regime regulatório dedicado a ativos virtuais. No fim de 2025, a instituição informou que mais de 20 empresas reguladas tinham licenças para operar com ativos virtuais ou tokens referenciados em moedas fiduciárias.

Em dezembro, a Binance recebeu uma licença global sob esse regime. Mais recentemente, a Coinbase obteve aprovação regulatória para estabelecer um hub internacional de tokenização em Abu Dhabi.

Capital estatal acompanha expansão regulatória

O capital ligado ao Estado também acompanhou a expansão regulatória. Em 2025, a MGX, apoiada por Abu Dhabi, concordou em investir US$ 2 bilhões na Binance. A operação ficou entre os maiores investimentos institucionais já realizados em uma empresa do setor de criptomoedas.

Separadamente, a Hub71 criou um programa dedicado a ativos digitais. O ecossistema tecnológico recebe apoio do governo de Abu Dhabi. A iniciativa reúne mais de US$ 2 bilhões em capital comprometido com startups de Web3 e blockchain.

A Mubadala também expandiu sua atuação para além da exposição ao Bitcoin por meio do IBIT. Em julho, a Mubadala Capital transferiu um de seus fundos de mercados privados para uma blockchain. Depois, disponibilizou a estratégia em formato tokenizado nas redes Base, Solana e Sui.

Essas iniciativas mostram que Abu Dhabi passou a integrar os ativos digitais à sua infraestrutura financeira. Ao mesmo tempo, seus fundos soberanos preservaram as posições no IBIT durante a queda do Bitcoin e do mercado de ETFs.