Bitcoin: ações da Alpha Modus caem 25% após acordo
As ações da Alpha Modus caíram cerca de 25%, para US$ 2,84, após a empresa anunciar um acordo envolvendo Bitcoin. A companhia receberá 3.170 unidades do ativo em troca de uma emissão expressiva de ações e warrants.
A empresa, listada na Nasdaq, fechou a operação com dez investidores sediados fora dos Estados Unidos. O acordo prevê a entrega de 51,62 milhões de ações Classe A e warrants para a compra de outras 51,62 milhões.
Acordo com Bitcoin amplia risco de diluição
Conforme um documento apresentado à SEC em 27 de agosto, as partes avaliaram cada Bitcoin em US$ 71 mil. Portanto, a contraprestação total implícita alcança aproximadamente US$ 225,1 milhões.
Embora as partes já tenham assinado o acordo, a transação ainda não foi concluída. Assim, os investidores não transferiram os Bitcoins, enquanto a Alpha Modus ainda não emitiu os novos títulos.
A tabela de capitalização de 24 de agosto apontava cerca de 4,99 milhões de ações Classe A em circulação. Com a emissão inicial, esse total subiria para aproximadamente 56,61 milhões de papéis.
Como resultado, as ações anteriores ao acordo representariam apenas 8,8% da base ampliada. Na prática, a companhia emitiria cerca de 10,35 novas ações para cada ação Classe A já existente.
Os warrants poderão acrescentar outras 51,62 milhões de ações, caso os investidores os exerçam durante os dois anos de vigência. O preço de exercício ficou definido em US$ 4,36, criando uma segunda camada de diluição potencial.
Mesmo assim, a operação permanece sujeita aos limites de titularidade beneficiária e às exigências da Nasdaq. Eventuais aprovações dos acionistas também continuam necessárias.
Operação tenta corrigir deficiência na Nasdaq
O acordo também busca atender a uma necessidade imediata da Alpha Modus. A empresa pretende fortalecer seu balanço patrimonial e preservar a listagem na Nasdaq.
Em abril, a Nasdaq notificou a Alpha Modus porque a companhia não atendia a nenhum dos três padrões alternativos do Nasdaq Capital Market. Os critérios consideram lucro líquido, valor de mercado dos títulos listados ou patrimônio dos acionistas.
Posteriormente, a Alpha Modus apresentou um plano de conformidade. A administração espera que o aporte em Bitcoin fortaleça o patrimônio dos acionistas e ajude a corrigir a deficiência identificada pela bolsa.
O relatório trimestral mais recente mostrou US$ 2 milhões em caixa. Contudo, a empresa registrou déficit patrimonial de US$ 6,1 milhões e déficit de capital de giro de US$ 6,3 milhões.
A companhia também não obteve receita no trimestre nem no primeiro semestre de 2026. Durante os seis meses, acumulou prejuízo de US$ 6,2 milhões.
O documento levantou dúvida substancial sobre a capacidade da Alpha Modus de continuar operando. Além do mais, estimou uma necessidade mínima de US$ 2,5 milhões para sustentar o plano de crescimento.
Entretanto, o acordo entrega Bitcoin, e não dinheiro. Por esse motivo, a operação não resolve automaticamente as necessidades imediatas de liquidez da companhia.
Estratégia avança durante retração do mercado
O momento chama atenção porque a Alpha Modus amplia sua exposição ao Bitcoin enquanto as estratégias corporativas de tesouraria perdem apoio entre investidores. As 50 maiores companhias abertas detentoras de Bitcoin somavam cerca de US$ 67 bilhões em valor de mercado em agosto.
Em julho de 2025, o valor combinado estava próximo de US$ 150 bilhões, conforme dados divulgados pelo Financial Times. A retração mostra a mudança de percepção sobre empresas que adotaram reservas corporativas de Bitcoin.
A Strategy, de Michael Saylor, popularizou esse modelo por meio de compras agressivas. Depois disso, outras empresas abertas passaram a captar dívida e capital para acumular o ativo.
Porém, o Bitcoin caiu cerca de 30% nos últimos 12 meses, apesar da recuperação recente em direção a US$ 80 mil. Nesse período, várias ações de companhias com tesourarias em Bitcoin registraram perdas ainda maiores.
William Alessi considera a queda um ponto de entrada
Diante desse cenário, algumas empresas começaram a vender suas reservas ou voltaram a priorizar seus negócios principais. As estratégias de tesouraria alavancadas ampliaram as perdas durante o movimento.
A Alpha Modus, por outro lado, seguiu a direção contrária. O diretor-executivo William Alessi afirmou que a companhia avaliou uma estratégia com Bitcoin quando os preços estavam próximos das máximas históricas, mas desistiu naquela ocasião.
“Consideramos seguir essa estratégia quando o Bitcoin estava perto de máximas históricas e decidimos que aquele não era o momento ideal.”
Agora, Alessi avalia que a queda de 30% criou um ponto de entrada melhor do que as máximas do ano anterior. Ainda assim, o recuo das ações após o anúncio indica que os investidores permanecem pouco convencidos pela proposta.