Bitcoin avança 8% no início de 2026

O Bitcoin iniciou 2026 com forte valorização, subindo cerca de 8 por cento nos primeiros dias do ano e renovando o otimismo no mercado cripto. Além disso, o movimento ganhou força com entradas institucionais, maior apetite no mercado de derivativos e tensões geopolíticas que influenciaram diversos ativos financeiros.

O preço do Bitcoin voltou a operar próximo de US$ 94.100, nível não visto desde o início de dezembro. Em 1º de janeiro, o ativo era negociado perto de US$ 87.400 e alcançou a máxima intradiária de US$ 94.352. Nesta manhã, mantinha negociações na faixa de US$ 94.000, ficando a menos de 1 por cento da máxima semanal recente.

A capitalização de mercado atingiu aproximadamente US$ 1,87 trilhão, enquanto o volume diário de negociação se manteve perto de US$ 51 bilhões. Assim, a oferta circulante segue abaixo de 20 milhões de unidades, respeitando o limite fixo de 21 milhões previsto pelo protocolo.

Impactos geopolíticos e reação do mercado

A recuperação do Bitcoin coincidiu com relatos de que os Estados Unidos haviam capturado o presidente venezuelano Nicolás Maduro. O episódio provocou reação imediata no mercado de commodities e em ações ligadas ao setor de cripto.

Empresas de petróleo registraram forte alta, impulsionadas pela possibilidade de reabertura do setor energético da Venezuela sob nova liderança. Além disso, ações de companhias relacionadas a cripto, como Coinbase e Strategy, subiram mais de 4 por cento. Analistas comentam que o evento reforçou a percepção do Bitcoin como proteção diante de tensões geopolíticas e riscos associados a sanções internacionais.

Dean Chen, da Bitunix, afirmou que momentos de pressão política ou restrições financeiras tendem a aumentar o uso real do Bitcoin. Segundo ele, episódios que envolvem controles de capital e limitações bancárias frequentemente impulsionam a adoção da moeda digital.

Fluxos institucionais e desempenho nos derivativos

No mercado de derivativos, operadores demonstram expectativa de continuidade na valorização. Na Deribit, o interesse aberto em opções de compra com strike em US$ 100.000 para janeiro registrou forte aumento. O contrato se tornou o mais negociado do mês, somando cerca de US$ 1,45 bilhão em valor nocional.

Paralelamente, os ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos voltaram a atrair fluxo relevante. Somente na segunda-feira, aproximadamente US$ 700 milhões ingressaram nesses produtos, o maior volume desde outubro. O montante representa mais de 7.000 BTC adquiridos em um único dia, superando amplamente a emissão diária dos mineradores.

Além disso, dados on-chain revelam que cerca de US$ 1,2 bilhão em BTC foi transferido para carteiras de autocustódia nas últimas 24 horas. Esse comportamento reduz a oferta disponível nas exchanges e sinaliza menor disposição dos investidores em vender no curto prazo.

Níveis técnicos e perspectivas para 2026

Do ponto de vista técnico, o rompimento da consolidação observada no fim de dezembro abriu caminho para a resistência em US$ 98.000. Portanto, um avanço consistente acima desse nível pode impulsionar o ativo rumo à marca psicológica de US$ 100.000, que não se sustentou no fim de 2025.

O suporte mais próximo se encontra na região de US$ 91.400. Em caso de correção mais ampla, há apoio adicional em US$ 87.000. Uma queda abaixo de US$ 84.000 enfraqueceria a estrutura de curto prazo, embora analistas de longo prazo observem que o ativo ainda apresenta mínimas ascendentes ao longo do ano.

No curto prazo, a combinação entre demanda por ETFs, otimismo nos derivativos e impactos imediatos de eventos geopolíticos sustenta a recente valorização do Bitcoin. Assim, 2026 começa com aumento no apetite por risco entre investidores do setor de cripto.