Bitcoin avança com ETFs após opções de US$ 1,2 bi

O Bitcoin ganhou força após o vencimento de opções de US$ 1,2 bilhão. Ainda assim, os dados indicam que o principal motor da alta veio do retorno da demanda. Durante boa parte de julho, operadores do mercado cripto atribuíram a falta de direção do ativo a uma concentração relevante de contratos. Essa estrutura mantinha o preço entre US$ 60.000 e US$ 65.000. Nesse cenário, formadores de mercado compravam nas quedas e vendiam nas altas para ajustar suas proteções.

Na sexta-feira, a liquidação dos contratos retirou cerca de US$ 1,2 bilhão em exposição nocional. A princípio, se essa barreira de opções realmente segurava o Bitcoin perto de US$ 63.000, o preço deveria reagir após o evento. Foi o que ocorreu. Na terça-feira, o ativo rondava US$ 66.200, com alta diária de 2,9% e avanço semanal de cerca de 5%.

Além disso, o movimento levou o Bitcoin a testar a faixa de US$ 65.700. Esse nível passou a funcionar como suporte depois de atuar como resistência ao longo do mês. Portanto, a região virou uma referência técnica importante no curto prazo.

Fluxo ganhou peso sobre o vencimento

Em 17 de julho, venceram cerca de 19 mil contratos de opções de Bitcoin. O valor nocional ficou próximo de US$ 1,2 bilhão, com relação put-call de 0,9 e nível de dor máxima em US$ 63.000. Ao mesmo tempo, o Ethereum registrou o vencimento de 123 mil contratos, equivalentes a aproximadamente US$ 230 milhões, com relação put-call de 1,61. Assim, o lote combinado de opções de criptomoedas somou cerca de US$ 1,43 bilhão.

Ainda assim, o valor nocional não representa pressão direta de compra ou venda. Em outras palavras, os US$ 1,2 bilhão expressam o valor de face da exposição subjacente, não o capital efetivamente em risco. Esse montante, medido pelos prêmios, tende a ser bem menor. Além disso, a relação put-call de 0,9 mostrava apenas leve preferência por calls. Já o ponto de dor máxima em US$ 63.000 servia mais como referência contábil.

Uma leitura de mercado indicou que vencimentos trimestrais recentes na Deribit mostraram pouca evidência de travamento consistente do Bitcoin nesses níveis. Portanto, o max pain não funcionou, desta vez, como sinal confiável para o fechamento do preço.

Interesse em aberto removido foi limitado

O dado mais relevante era quanto interesse em aberto o vencimento realmente retiraria do mercado. Nesse caso, o lote foi relativamente pequeno quando comparado a eventos recentes. O vencimento de 10 de julho, por exemplo, limpou algo perto de 7% das opções em aberto. Esse percentual ficou bem abaixo dos ciclos mensais e trimestrais, que costumam redefinir bilhões de dólares de uma só vez.

Por isso, o evento isolado dificilmente teria força para impor uma tendência duradoura. Ainda que o vencimento tenha coincidido com a recuperação do preço, outros fatores ganharam mais peso na formação do movimento atual.

MétricaEntorno do vencimento de 17 de julhoLeitura de 21 de julho
BTC à vista~US$ 63.000 a US$ 64.500~US$ 66.200
Fluxos de ETFsRetorno após 8 semanas de retraçãoCinco sessões seguidas de entrada
Demanda por proteção nas opçõesViés elevado para putsMenor busca por proteção
Acumulação de baleiasEm construção+66.700 BTC em 60 dias
Índice de Medo e GanânciaCautela~29, em medo

ETFs de Bitcoin e baleias reforçam a recuperação

O que sustentou a alta, de fato, foi a volta da demanda. Os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos registraram cinco sessões consecutivas de entradas e duas semanas seguidas de saldo líquido positivo. O destaque ficou com o iShares Bitcoin Trust, da BlackRock, após um intervalo de oito semanas marcado por saídas bilionárias no setor.

Ademais, esse giro de humor ganhou força com dados mais fracos de inflação nos Estados Unidos e com a recuperação das ações de tecnologia na Ásia. Como resultado, o apetite por risco melhorou depois da venda recente no setor de semicondutores.

Ao mesmo tempo, grandes detentores continuaram absorvendo oferta. Dados baseados em métricas da CryptoQuant mostram que carteiras com 1.000 a 10.000 BTC adicionaram cerca de 66.700 moedas nos últimos 60 dias. Esse foi o ritmo mais forte de acumulação dessa faixa desde fevereiro.

Quando esse grupo compra enquanto investidores menores vendem, a oferta disponível encolhe. Dessa forma, o mercado precisa de menos capital novo para empurrar o preço para cima. A leitura sugere que o processo já estava em curso antes mesmo do vencimento de sexta-feira.

Mercado futuro confirma melhora, mas sem euforia

Se a pressão das opções, via gamma, tivesse sido o principal freio do preço, a recuperação deveria aparecer sobretudo no mercado à vista. Nesse caso, o financiamento ficaria mais comportado e o volume avançaria. Essa dinâmica apareceu parcialmente nos dados de mercado. O interesse em aberto nos futuros subiu para perto de US$ 32 bilhões, enquanto o volume avançou mais de 80% no dia.

No entanto, a confirmação ainda seguia limitada. O mercado não mostrava convicção plena de que uma recuperação mais longa já estivesse assegurada. O Índice de Medo e Ganância rondava 29, permanecendo em território de medo mesmo com a valorização recente.

Além disso, as entradas acumuladas em ETFs em julho giravam em torno de US$ 200 milhões. Esse valor ainda parecia pequeno diante dos US$ 4,5 bilhões em saídas observados em junho. Em suma, apenas uma fração do capital perdido voltou até aquele momento. Os volumes no mercado à vista também seguiam enxutos. Enquanto isso, uma drenagem de US$ 2,3 bilhões em liquidez de stablecoins reduziu a reserva de capital capaz de sustentar níveis mais altos.

Níveis técnicos e cenário macro seguem no radar

O ambiente macroeconômico continua relevante. O petróleo acima de US$ 91 mantém um fator adicional de risco antes da reunião do Federal Reserve, marcada para 28 e 29 de julho. Portanto, qualquer deterioração no apetite por risco pode atingir o Bitcoin justamente quando o mercado testa uma retomada mais firme.

Se o ativo perder a região de US$ 64.000, a faixa de US$ 62.000 pode voltar ao foco dos operadores. Por outro lado, a manutenção acima de US$ 65.700 reforçaria a leitura de suporte e abriria espaço para novas tentativas de consolidação em patamares mais altos.

Antes do vencimento, a concentração de opções oferecia uma explicação plausível para a lateralização do Bitcoin. Depois da liquidação, porém, o rompimento da faixa veio junto com cinco sessões seguidas de entradas nos ETFs, acumulação de 66.700 BTC por carteiras com 1.000 a 10.000 moedas e preço próximo de US$ 66.200. Desse modo, o fluxo de capital parece ter exercido papel mais relevante do que o vencimento em si.