Bitcoin avança enquanto impasse regulatório segue na Coreia

A Korea Exchange reforçou que está pronta para lançar ETFs de Bitcoin e outros produtos ligados a cripto, mesmo com o impasse regulatório que ainda domina a Coreia do Sul. A sinalização ocorreu durante a primeira sessão de negociações de 2026 e evidencia a pressão crescente por modernização no mercado financeiro local.

O presidente da bolsa, Jeong Eun-bo, afirmou que o plano inclui oferecer ETFs de ativos virtuais e derivativos, além de adotar um modelo de negociação ininterrupta. Segundo ele, esse movimento busca reduzir o Korea Discount e ampliar a competitividade internacional do mercado de capitais da Coreia do Sul.

Jeong destacou ainda que a supervisão será reforçada com sistemas baseados em inteligência artificial, ampliando iniciativas contra manipulação de ações por meio de uma força-tarefa dedicada.

Korea Exchange Bitcoin ETFs - Jeong Eun-bo image
Korea Exchange Chairman Jeong Eun-bo. | Fonte: Yonhap

Reguladores mantêm ritmo lento e ampliam incertezas

A iniciativa da Korea Exchange contrasta com o andamento lento dos órgãos reguladores, que discutem há anos a liberação de ETFs à vista de Bitcoin. A Financial Services Commission apresentou, ainda em junho, uma previsão de aprovação para o final de 2025, porém nenhum avanço relevante ocorreu desde então.

O centro do impasse envolve o Digital Asset Basic Act, previsto para 2026, mas ainda travado por divergências entre a Financial Services Commission e o Bank of Korea sobre quem pode emitir stablecoins. O Banco Central defende que apenas consórcios liderados por bancos, com ao menos 51 por cento de participação, deveriam ter essa permissão. No entanto, a FSC afirma que essa medida limitaria empresas de tecnologia e atrasaria a inovação.

As discordâncias também incluem a criação de um comitê exclusivo para supervisionar emissões de stablecoins. O projeto de lei estabelece exigências rígidas de proteção ao investidor, como custódia com reservas integrais e regras de conformidade semelhantes às do sistema financeiro tradicional. Além disso, ofertas iniciais de moedas, proibidas desde 2017, poderiam retornar sob diretrizes rigorosas de divulgação.

Stablecoins precisariam manter reservas totalmente em depósitos bancários ou títulos públicos, sob custódia obrigatória de instituições autorizadas.

Projetos legislativos enfrentam resistência

A administração de Lee Jae-myung prometeu flexibilizar regras para ativos digitais, e o Partido Democrata propôs ajustes na Capital Markets Act permitindo ETFs com Bitcoin como ativo subjacente. Outra proposta buscava liberar a emissão de stablecoins por empresas com capital mínimo de 500 milhões de won. No entanto, o governador do Bank of Korea, Rhee Chang-yong, rejeitou a medida.

Fiscalização cresce e pressiona grandes exchanges

Enquanto o debate regulatório avança lentamente, a fiscalização se intensifica. A Financial Intelligence Unit multou a exchange Korbit em 27,3 bilhões de won após identificar mais de 22 mil violações relacionadas à lavagem de dinheiro. As falhas incluíram identificação deficiente de clientes, transações ilegais com plataformas estrangeiras e avaliações inadequadas de risco.

A Dunamu, operadora da Upbit, recebeu multa de 35,2 bilhões de won e suspensão de três meses para novos cadastros. Bithumb, Coinone e GOPAX seguem sob investigação, e as penalidades finais podem atingir centenas de bilhões de won.

As autoridades também avaliam ampliar a regra de viagem, exigindo dados de remetente e destinatário em qualquer transação, independentemente do valor.

Mercado pronto, regulações atrasadas

A falta de alinhamento entre os órgãos reguladores afeta gestores de fundos. A Financial Supervisory Service, por exemplo, restringiu de forma verbal a inclusão de ações ligadas a cripto em ETFs locais, com base em diretrizes antigas de 2017. Assim, parte do mercado afirma que essas limitações favorecem ETFs listados nos Estados Unidos e prejudicam produtos locais.

O cenário mostra um mercado pronto para avançar com ETFs de Bitcoin, mas preso a um processo regulatório lento. As declarações da Korea Exchange ampliam a pressão por mudanças, enquanto multas recordes e novas exigências de monitoramento elevam o escrutínio sobre o setor no curto prazo.