Bitcoin avança pouco após Fed manter juros nos EUA

O Bitcoin operou em leve alta nesta quarta-feira, depois que o Federal Reserve manteve os juros inalterados nos Estados Unidos. Ainda assim, a reação foi contida. Na hora seguinte ao anúncio, a principal criptomoeda avançou perto de 1% e rondou US$ 64.402 por unidade.

Como o mercado já esperava, o banco central dos Estados Unidos manteve os juros. A taxa dos fundos federais, os fed funds, permaneceu na faixa de 3,50% a 3,75%. No entanto, o comunicado reforçou a divisão interna do comitê. Três dos 12 integrantes do Federal Open Market Committee defenderam alta de 0,25 ponto percentual nesta reunião.

“Urgente: o Federal Reserve deixou oficialmente as taxas de juros inalteradas em 3,5% a 3,75%.”

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Mercado reage com cautela à decisão do Federal Reserve

Embora a manutenção dos juros evite um aperto monetário adicional no curto prazo, a resposta do Bitcoin foi modesta. Dessa forma, o movimento sugere que o mercado já havia precificado a decisão. Além disso, investidores seguem atentos aos próximos passos da autoridade monetária.

Em conversa com a imprensa, o novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, evitou sinalizar com clareza a direção futura da política monetária. “O Fed está atento ao caso”, afirmou. “Fiquei encorajado com a recepção que recebi. Seguimos tão comprometidos como sempre em entregar resultados.”

Warsh também disse que a decisão de julho representou “uma revisão rigorosa da situação econômica”. Além disso, rejeitou a leitura de que a manutenção dos juros configure uma pausa. “Eu não caracterizaria o que fizemos como algo parecido com uma pausa”, declarou. “Eu caracterizaria o que fizemos como uma revisão rigorosa da situação econômica. Eu caracterizaria o que fizemos como uma análise das grandes e difíceis questões.”

Kevin Warsh assumiu o comando da instituição em maio. Desde então, já afirmou ter “nenhuma tolerância” com uma inflação acima da meta há mais de cinco anos. Por isso, o mercado ainda não vê espaço confortável para cortes rápidos, mesmo com parte dos investidores esperando algum alívio monetário.

Inflação limita apostas em cortes de juros

O Bitcoin costuma se beneficiar de juros mais baixos, já que condições financeiras menos restritivas tendem a favorecer ativos de maior risco. Assim, o mercado de criptomoedas vinha alimentando a expectativa de que o Federal Reserve pudesse iniciar ou reforçar um ciclo de cortes.

No campo político, Donald Trump tem pressionado por juros menores desde que voltou ao cargo. Além disso, ele já entrou em choque com o ex-presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, sobre esse tema. Até aqui, porém, Kevin Warsh não demonstra disposição para seguir essa rota enquanto a inflação persistente continuar pressionando a economia e o consumidor americano.

Juros dos EUA seguem no radar do Bitcoin

O pano de fundo dessa discussão remonta a 2022. Naquele ano, o Federal Reserve iniciou um ciclo agressivo de alta de juros para conter a inflação mais elevada em 40 anos, impulsionada no período pós-pandemia de COVID-19. Naquele ambiente, o Bitcoin sentiu o impacto da retirada de liquidez e da maior aversão ao risco.

Posteriormente, em 2024, o banco central promoveu cortes repetidos nas taxas. Desde o fim de 2025, no entanto, a instituição tem demonstrado hesitação em reduzir novamente os juros. Assim, a manutenção da faixa entre 3,50% e 3,75%, somada à dissidência de três dirigentes favoráveis a uma nova alta, reforça a cautela dentro do comitê.

Como resultado, o Bitcoin permaneceu perto de US$ 64.402 após a decisão. O mercado reagiu pouco a um cenário no qual o Federal Reserve manteve os juros, Kevin Warsh evitou indicar o próximo passo e a inflação continuou como o principal obstáculo para uma política monetária mais acomodatícia nos Estados Unidos.