Bitcoin: BOJ e yields recordes ampliam risco de queda
Analistas alertam que o Bitcoin pode enfrentar uma correção de 20% a 25% diante da possibilidade de alta de juros pelo Banco do Japão em 16 de junho e dos rendimentos dos títulos dos Estados Unidos em níveis historicamente elevados.
O Bitcoin passou a operar sob uma combinação mais dura de pressões macroeconômicas. Para o analista Darkfost, o BTC enfrenta agora os maiores rendimentos dos títulos dos Estados Unidos desde sua criação.
Atualmente, as taxas de longo prazo dos papéis US10Y e US30Y oscilam entre 4,5% e 5%. Além disso, o mercado precifica uma probabilidade de 60% de nova alta de juros antes do fim do ano. Assim, o ambiente se torna menos favorável para ativos de risco.
Rendimentos altos reduzem o prêmio de risco
Na avaliação de Darkfost, o prêmio de risco para manter posição em Bitcoin perde força quando títulos de longo prazo oferecem retornos comparáveis ou superiores. Em outras palavras, parte dos investidores pode preferir bônus do governo com retorno entre 4,5% e 5% a assumir a volatilidade do mercado de criptomoedas.
Além disso, o analista afirmou que a elevação dos yields costuma coincidir com perda de ritmo no preço do BTC. Embora as taxas básicas já tenham sido maiores em outros ciclos, e o índice DXY também tenha mostrado mais força, o quadro atual de liquidez restrita amplia a pressão sobre o ativo.
O BTC está enfrentando os maiores rendimentos de títulos de sua história.
O mercado de bônus dos Estados Unidos nunca apresentou condições tão desfavoráveis desde que o Bitcoin foi criado.
É verdade que as taxas de juros já foram mais altas e o DXY também, mas hoje temos 60% de probabilidade de ver uma alta de juros antes do fim do ano. gráfico
— Darkfost (@Darkfost_Coc) no X
Darkfost no X
Segundo Darkfost, a recuperação da confiança dos investidores deve levar meses. Nesse sentido, ele argumenta que o próximo movimento dependerá, em grande medida, das decisões de política econômica do presidente Donald Trump e do cenário macroeconômico mais amplo.
Ademais, o analista sustenta que cortes de juros só devem ganhar espaço quando os investidores voltarem a ter convicção em manter dívida pública. Como resultado, os rendimentos tenderiam a recuar, o que melhoraria novamente o prêmio de risco de ativos como o Bitcoin.
Liquidez global segue como variável central
Esse pano de fundo importa porque o Bitcoin costuma responder com sensibilidade às condições de liquidez. Portanto, yields altos e perspectiva de aperto monetário reduzem o fluxo para ativos mais voláteis. Ainda assim, o mercado acompanha os próximos eventos de política monetária.
Banco do Japão entra no radar do mercado
Por outro lado, o analista XBTkaz observou o impacto direto das altas de juros do Banco do Japão (BOJ) sobre o Bitcoin. Segundo ele, nas quatro elevações de juros do banco central japonês ocorridas na era moderna do BTC, o preço caiu em todas as ocasiões.
De acordo com XBTkaz, a correção média após esses movimentos ficou entre 25% e 30%. Agora, o mercado espera uma quinta alta de juros do Banco do Japão em 16 de junho. A projeção indica que a nova taxa pode chegar a 1%.
O analista explicou que juros mais altos no Japão elevam o custo de tomar iene emprestado. Dessa forma, operações de carry trade financiadas na moeda japonesa tendem a ser desmontadas. Consequentemente, a liquidez global diminui, enquanto a pressão vendedora sobre ações e criptomoedas aumenta.
Para ele, a decisão do Banco do Japão em 16 de junho e a reunião do Federal Open Market Committee (FOMC), marcada para 17 de junho, podem atuar como catalisadores de um topo local no mercado.
Aqui está a análise completa sobre as altas de juros do BOJ que ocorreram e são relevantes para o BTC.
Vamos falar rapidamente sobre o que são essas altas e por que elas afetam os mercados.
As altas de juros do BOJ elevam o custo de tomar iene emprestado, o que pode reduzir a liquidez e pressionar ativos de risco.
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XBTkaz no X
Faixa de US$ 68 mil a US$ 72 mil pode marcar topo local
XBTkaz também traçou um cenário de curto prazo para o preço do Bitcoin. Na visão dele, o BTC ainda pode subir até a faixa de US$ 68.000 a US$ 70.000 antes de uma queda mais forte. Além disso, um ponto de inflexão indicado para 22 de junho ainda deixaria espaço para uma breve extensão do movimento.
Ao mesmo tempo, o analista colocou a região entre US$ 70.000 e US$ 72.000 como limite máximo de alta. Assim, qualquer avanço acima de US$ 70.000 abriria, na leitura dele, uma possível entrada vendida. Já o alvo de baixa ficou na faixa dos US$ 50.000 baixos.
No conjunto, as duas análises apontam para o mesmo pano de fundo macroeconômico. De um lado, os yields elevados comprimem o apetite por risco. De outro, a decisão do Banco do Japão se aproxima como um gatilho historicamente negativo para o Bitcoin. Nesse cenário, investidores monitoram os rendimentos de 4,5% a 5% nos títulos US10Y e US30Y, a probabilidade de 60% de nova alta de juros antes do fim do ano, a reunião do Banco do Japão em 16 de junho e o encontro do FOMC em 17 de junho. Enquanto isso, a faixa entre US$ 68.000 e US$ 72.000 surge como possível topo local antes de uma correção para a casa dos US$ 50.000.