Bitcoin busca US$ 80 mil após reação ao CPI
O Bitcoin operava perto de US$ 77.259,73 em 12 de setembro, praticamente estável após a divulgação do CPI dos Estados Unidos. O ativo precisa sustentar US$ 76.706 para manter o cenário de alta e preservar a possibilidade de retornar aos US$ 80 mil. Contudo, a perda desse suporte poderá acelerar uma queda em direção a US$ 72 mil.
Em agosto, o BTC oscilou dentro de uma faixa estreita antes de avançar com força no início de setembro. Naquele movimento, a cotação partiu da região de US$ 60 mil e superou US$ 81 mil. Desde então, o Bitcoin permaneceu entre US$ 76 mil e US$ 77 mil durante várias sessões.
Bitcoin reage à inflação e testa suporte decisivo

Gráfico de análise de preço do Bitcoin
Movimento deixa longo pavio superior no gráfico
A divulgação do CPI testou diretamente a faixa de suporte do Bitcoin. Inicialmente, o preço avançou até perto de US$ 79.800, mas devolveu todo o ganho e retornou à região de US$ 77 mil. Como resultado, o gráfico formou um longo pavio superior, sinalizando uma rápida rejeição dos preços mais altos.
O indicador Parabolic SAR aparece em US$ 81.920,69, bem acima da cotação atual. Portanto, a tendência de curto prazo ainda não se tornou altista, apesar do pico registrado após os dados. Por outro lado, o BTC permanece acima da média móvel exponencial de 20 dias, situada em US$ 77.026,02. O preço também supera a média de 50 dias, de US$ 73.024,39.
| Tipo | Preço |
|---|---|
| Resistência | US$ 79.800 |
| Resistência | US$ 81.921 |
| Resistência | US$ 82.500 |
| Suporte | US$ 76.706 |
| Suporte | US$ 73.024 |
| Suporte | US$ 72.940 |
Inflação pressiona expectativas para os juros
O índice cheio de preços ao consumidor ficou em 3,4% na comparação anual, em linha com as expectativas. Entretanto, os detalhes da inflação mudaram rapidamente a leitura do mercado. O CPI mensal avançou 0,4%, enquanto o núcleo subiu 0,3% e os serviços básicos, sem habitação, cresceram 0,5%.
Às 8h30, o BTC caiu US$ 1.120 em apenas um minuto após a divulgação. Logo depois, às 9h30, o preço reverteu a queda com a abertura dos mercados. Às 10h, o Bitcoin acumulava alta de 5% e se aproximava de US$ 79.800. Porém, às 11h55, a cotação já havia recuado US$ 2.500 e retornado a US$ 77.300.
As chances de uma alta de 25 pontos-base nos juros pelo Federal Reserve saltaram de cerca de 60% para mais de 85% nos mercados de previsões. Ao mesmo tempo, o rendimento do Treasury de 10 anos ficou entre 4,95% e 4,97%. Já o título de 30 anos superou brevemente 5,1%, maior nível em 22 anos. Nesse contexto, a CoinShares avaliou que o relatório não favoreceu particularmente o Bitcoin devido à inflação subjacente ligeiramente elevada.
Por outro lado, alguns analistas destacaram que a correlação de 90 dias entre Bitcoin e ouro superou 0,59. Além disso, o BTC superou o ouro em dias marcados por fortes quedas nos preços dos títulos. Parte do mercado interpreta esse padrão como sinal de proteção contra a desvalorização monetária, em vez de um comportamento exclusivamente ligado ao risco.
Derivativos registram volatilidade e menos posições

Dados de derivativos de BTC
O volume de negociação subiu 30,89% em 24 horas, para US$ 75,56 bilhões. Em contrapartida, o interesse aberto caiu 2,71%, para US$ 51,70 bilhões, indicando redução de posições apesar da atividade maior. O volume de opções também avançou 1,65%, para US$ 2,80 bilhões.
As liquidações ficaram próximas do equilíbrio, com US$ 89,46 milhões em posições compradas e US$ 94,75 milhões em posições vendidas. Ainda assim, os operadores mantiveram viés de alta. Na Binance, a relação entre posições compradas e vendidas era de 1,62. Entre os principais traders, por sua vez, o índice alcançou 2,20.
| Métrica | Valor | O que indica |
|---|---|---|
| Volume de derivativos em 24h | US$ 75,56 bilhões, alta de 30,89% | Atividade de negociação aumenta com a volatilidade do CPI |
| Interesse aberto | US$ 51,70 bilhões, queda de 2,71% | Posições foram reduzidas apesar do aumento do volume |
| Liquidações em 24h | US$ 184,21 milhões no total | Divisão aproximada entre comprados e vendidos |
| Relação comprado/vendido dos principais traders da Binance | 2,20 | Posicionamento sofisticado ainda inclinado à compra |
ETFs registram segundo dia consecutivo de saídas
Os ETFs à vista de Bitcoin dos Estados Unidos registraram saída líquida de US$ 13,29 milhões em 11 de setembro. Os dados são da SoSoValue. Embora inferior à retirada anterior de US$ 282,56 milhões, o resultado marcou a segunda sessão negativa consecutiva. Os fluxos líquidos acumulados de todos os ETFs de Bitcoin somavam US$ 55,15 bilhões.
No período citado, os fundos receberam US$ 730,87 milhões em 3 de setembro. Contudo, houve saídas de US$ 236,46 milhões no dia 1º, US$ 46,65 milhões no dia 8 e US$ 120,24 milhões no dia 9. Também ocorreram retiradas de US$ 282,56 milhões em 10 de setembro. Na sessão seguinte, o IBIT, da BlackRock, liderou as saídas com US$ 19,23 milhões, enquanto HODL e MSBT receberam entradas modestas.
Cenários para o preço do BTC
No cenário de alta, o Bitcoin precisa manter US$ 76.706 e receber apoio de uma comunicação mais branda do Fed. Dados econômicos mais fracos também poderiam favorecer essa trajetória. Dessa forma, as chances de alta dos juros poderiam recuar dos atuais 85%. A retomada de US$ 80 mil colocaria a resistência do Parabolic SAR, em US$ 81.921, novamente ao alcance.
No cenário de baixa, a perda do suporte de Fibonacci de 0,786 em US$ 76.706 abriria espaço para uma queda rápida até US$ 72 mil. Esse risco aumenta se os rendimentos dos títulos continuarem subindo e o mercado mantiver uma leitura mais dura sobre o Fed. Assim, a reação do preço nesse suporte deverá definir se ocorreu apenas uma eliminação de posições. Caso a pressão persista, o movimento poderá evoluir para uma correção mais profunda.