Bitcoin cai 53% e enfrenta resistências-chave

O Bitcoin mantém uma trajetória de correção há cerca de seis meses. Nesse período, o ativo formou um fundo local próximo de US$ 60.000, enquanto o topo do ciclo permanece na região de US$ 126.000. Diante disso, investidores acompanham atentamente os níveis que podem definir os próximos movimentos.

Resistências ainda limitam a recuperação

Análise de Burak Kesmeci, publicada em 27 de março, indica que o Bitcoin está cerca de 53% abaixo da máxima do ciclo. Apesar da magnitude, o movimento ainda se encaixa no intervalo típico de correções históricas, que varia entre 40% e 70%.

Contudo, ciclos anteriores registraram quedas mais profundas. Entre 2017 e 2018, o recuo chegou a 84%. Já no ciclo de 2021 a 2022, atingiu cerca de 77%. Assim, o cenário atual ainda permite novas pressões negativas, especialmente se o ambiente macroeconômico se deteriorar.

Além disso, dados on-chain analisados pela CryptoQuant destacam o comportamento das chamadas “novas baleias”, investidores que mantêm Bitcoin por menos de 155 dias. O custo médio dessas posições gira em torno de US$ 82.800.

Como resultado, esse nível passou a atuar como uma resistência relevante. Isso ocorre porque está acima do preço atual, na faixa de US$ 66.000. Consequentemente, muitos desses investidores permanecem no prejuízo, o que tende a limitar a força de uma recuperação no curto prazo.

Bitcoin

Fonte: CryptoQuant

Suportes e zonas de liquidez no curto prazo

Por outro lado, há suportes importantes próximos ao preço atual. Endereços de depósito da Binance apresentam custo médio de cerca de US$ 58.900, enquanto carteiras de mineradores indicam suporte na região de US$ 55.900.

Ao mesmo tempo, o mapa de custo dos detentores de curto prazo reforça o cenário de resistência. Dados de 26 de março apontam preço realizado médio em US$ 86.900. Em outras palavras, grande parte desses investidores comprou acima do valor atual.

Além disso, subdivisões revelam níveis específicos. O grupo com 1 a 3 meses tem custo médio em US$ 82.600. Já o grupo de 3 a 6 meses concentra-se próximo de US$ 96.000. Dessa forma, forma-se uma zona densa de resistência acima do preço.

Ademais, a média móvel simples de 365 dias está em torno de US$ 97.700. Portanto, o conjunto desses indicadores sugere que o Bitcoin precisa superar múltiplas barreiras antes de confirmar uma reversão mais consistente.

No curto prazo, a resistência imediata aparece em US$ 70.100, nível associado ao custo médio de detentores entre 1 semana e 1 mês. Ainda assim, permanece acima do preço atual.

Por outro lado, o suporte estrutural mais relevante está na faixa de US$ 54.300, que representa o preço realizado e funciona como base de longo prazo.

Panorama atual e próximos movimentos

No momento da análise, o Bitcoin era negociado a US$ 66.012, com queda diária de 4,21%. Ainda assim, o volume de negociação subiu 17,29%, alcançando US$ 45,68 bilhões.

Esse aumento de volume indica maior atividade de mercado, mesmo em um ambiente de pressão vendedora. Em contrapartida, os principais clusters de custo seguem posicionados acima do preço atual, o que reforça o cenário de resistência.

Bitcoin

BTC sendo negociado próximo de US$ 66 mil no gráfico diário | Fonte: TradingView

O que observar a partir de agora

Segundo Kesmeci, o mercado ainda enfrenta resistência estrutural relevante. Nesse sentido, uma reversão mais clara exigiria a recuperação consistente de níveis como US$ 86.900.

Enquanto isso não ocorre, o ativo tende a permanecer em fase de correção. Assim, a faixa entre US$ 54.000 e US$ 70.000 deve ser decisiva. Caso os suportes sejam perdidos, o movimento de queda pode se intensificar. Por outro lado, a superação das resistências pode abrir espaço para uma recuperação gradual.

Em resumo, o Bitcoin segue distante do topo do ciclo, embora ainda preserve suportes importantes. No entanto, a concentração de resistências acima do preço atual continua sendo o principal obstáculo para uma retomada mais consistente.