Bitcoin cai a US$ 76 mil com saídas recorde em ETFs
O Bitcoin perdeu força e recuou abaixo de US$ 77 mil, pressionado por fatores macroeconômicos, saídas institucionais e sinais on-chain ainda frágeis. No momento, o ativo é negociado próximo de US$ 76.900, após cair cerca de US$ 5 mil em relação ao topo recente de US$ 82 mil. Além disso, acumula quatro dias consecutivos de queda, reforçando a deterioração do sentimento no curto prazo.
Na abertura de segunda-feira, o Bitcoin chegou a operar perto de US$ 77.500. Contudo, perdeu tração ao longo do dia diante da redução da demanda. Como resultado, o valor total do mercado de criptomoedas encolheu mais de US$ 100 bilhões desde a última sexta-feira, atingindo aproximadamente US$ 2,65 trilhões.
Ao mesmo tempo, as liquidações aumentaram de forma expressiva. Em 24 horas, o mercado registrou cerca de US$ 657 milhões em liquidações. Desse total, aproximadamente US$ 584 milhões vieram de posições compradas, o equivalente a 89%. Esse movimento evidencia a fragilidade do posicionamento otimista recente.
Saídas de ETFs ampliam pressão no curto prazo
Em primeiro lugar, a principal pressão recente vem das saídas de capital dos ETFs spot nos Estados Unidos. Apenas na segunda-feira, esses produtos registraram retiradas líquidas de US$ 648,6 milhões, o maior volume negativo diário desde 29 de janeiro. Assim, o fluxo institucional indica uma reversão relevante.
O ETF IBIT, da BlackRock, liderou as saídas com US$ 448,3 milhões. Em seguida, aparecem o ARKB, da Ark & 21Shares, com US$ 109,6 milhões, e o FBTC, da Fidelity, com US$ 63,4 milhões. Em conjunto, os dados apontam para uma retirada coordenada entre grandes gestores.
Além disso, o desempenho recente reforça essa tendência. Na semana anterior, os ETFs já haviam registrado cerca de US$ 1 bilhão em saídas líquidas, interrompendo uma sequência positiva de seis semanas. Desde 16 de maio, o fluxo acumulado negativo volta a se aproximar dessa marca, ampliando a cautela entre investidores.
Na prática, essa mudança ocorre após o Bitcoin tentar sustentar níveis próximos de US$ 82 mil na quinta-feira anterior. Desde então, o ativo acumula queda superior a 5%, refletindo a redução do apetite por risco.
Liquidações e sentimento de mercado
Paralelamente, o aumento das liquidações revela um mercado mais vulnerável. Como resultado, posições excessivamente alavancadas foram rapidamente eliminadas. Ainda que esse processo possa reduzir excessos, também sinaliza fraqueza estrutural no curto prazo.
Além disso, o sentimento evolui de medo intenso para uma fase de incerteza persistente. Nesse sentido, investidores passam a exigir sinais mais consistentes de entrada de capital antes de retomar posições relevantes.
Dados on-chain indicam recuperação limitada
Apesar da recuperação observada nas últimas semanas, analistas apontam que o movimento ainda carece de suporte robusto. Em outras palavras, o fluxo de capital não acompanha o padrão de ciclos anteriores. Dessa forma, a sustentabilidade da alta permanece em dúvida.
Um dos principais indicadores analisados é a variação líquida de 30 dias do Realized Cap, que mede o fluxo mensal de capital on-chain. Após a alta até US$ 82 mil, esse indicador atingiu cerca de US$ 2,8 bilhões positivos por mês. Ainda assim, o valor segue abaixo dos níveis históricos considerados fortes.
“O nível atual de US$ 2,8 bilhões permanece muito abaixo do padrão histórico, indicando ausência de comprometimento agressivo de capital. Essa diferença sugere que a recuperação carece da velocidade institucional necessária para enfrentar um ambiente macroeconômico de juros elevados por mais tempo”, afirmaram analistas da Bitfinex.
Com efeito, esse cenário deixa o mercado mais exposto a choques externos. Além disso, a volatilidade nas taxas de juros continua sendo um fator crítico para ativos de risco.
Cenário macroeconômico e riscos geopolíticos
No campo macroeconômico, as tensões geopolíticas reforçam a cautela. As relações entre Irã e Estados Unidos seguem instáveis. Enquanto isso, o governo iraniano sinaliza possíveis respostas a ataques, ao passo que o ex-presidente Donald Trump indicou adiamento de ações militares durante negociações, conforme reportado pelo Independent.
Além disso, o conflito regional continua a se intensificar. Há confrontos envolvendo Israel e Hezbollah no Líbano, bem como o agravamento da crise humanitária em Gaza. Nesse contexto, investidores monitoram riscos adicionais, sobretudo ligados ao fornecimento global de energia e alimentos.
Por fim, cresce a preocupação com possíveis impactos no Estreito de Ormuz. Caso o Irã restrinja essa rota estratégica, o mercado global pode sofrer efeitos significativos. Como consequência, ativos de risco, como o Bitcoin, tendem a enfrentar maior pressão.
Em conclusão, a combinação de saídas expressivas de ETFs, liquidações elevadas e incertezas macroeconômicas mantém o Bitcoin pressionado. Ainda que existam sinais positivos pontuais, o enfraquecimento dos fluxos de capital e o cenário global adverso indicam um ambiente desafiador no curto prazo.