Bitcoin cai abaixo de US$ 77 mil após ataques dos EUA
O Bitcoin caiu abaixo de US$ 77 mil após novos ataques militares dos Estados Unidos contra alvos iranianos. A escalada elevou os preços do petróleo e ampliou a pressão vendedora nos mercados de criptomoedas e ações. No momento do levantamento, o BTC era negociado perto de US$ 76.762, após alcançar uma máxima intradiária de US$ 79.166.
BTC perde os níveis de US$ 78 mil e US$ 77 mil
O Comando Central dos EUA informou no X que as forças americanas iniciaram os ataques às 12h de terça-feira, no horário do leste dos EUA. A operação atingiu alvos da Guarda Revolucionária Islâmica no Irã. Conforme o CENTCOM, a ofensiva respondeu a recentes tentativas de ataques contra navios comerciais e militares americanos na região.
Com os relatos da operação, o Bitcoin perdeu primeiro o patamar de US$ 78 mil. Em seguida, a cotação rompeu os US$ 77 mil, enquanto o Ethereum caiu abaixo de US$ 2.400. Dados da CoinGlass indicaram cerca de US$ 115 milhões em liquidações de posições compradas alavancadas durante uma hora.
As corretoras liquidam uma posição quando a garantia do trader deixa de cobrir as perdas acumuladas. Dessa forma, uma queda rápida força novos encerramentos e acrescenta ordens de venda a um mercado já fragilizado. Na véspera, o Bitcoin permanecia perto de US$ 78 mil, apesar da alta do petróleo acima de US$ 90.
Alta de agosto antecedeu a pressão de setembro
O novo ciclo de ataques voltou a pressionar o suporte de curto prazo. Além disso, a queda interrompeu a breve tentativa de sustentação acima dessa faixa. O movimento ocorreu após um agosto forte, quando o BTC avançou cerca de 23%.
Contudo, as renovadas preocupações geopolíticas afetaram as primeiras sessões de setembro. Os temores sobre a trajetória dos juros também reduziram o apetite por risco. Nesse contexto, investidores passaram a monitorar tanto a escalada militar quanto seus efeitos sobre energia e inflação.
Ataques ampliam tensão no Estreito de Ormuz
Em um relato publicado, o CENTCOM afirmou que a operação sucedeu alegadas tentativas iranianas de atingir navios comerciais. O órgão também citou ameaças contra militares americanos destacados na área. Ao mesmo tempo, a mídia estatal iraniana relatou explosões em vários pontos da costa sul do país.
Entre os locais mencionados estavam a ilha de Qeshm, Bandar Abbas e Chabahar. Relatos citados pela Axios também apontaram Jask, Konarak, Minab e Sirik como áreas atingidas. Qeshm e Bandar Abbas ficam perto do Estreito de Ormuz, uma rota essencial para as exportações de energia do Golfo Pérsico.
Antes do conflito, aproximadamente um quinto dos suprimentos globais de petróleo e gás natural liquefeito atravessava essa passagem. A Reuters havia apresentado essa estimativa em coberturas anteriores do mercado. Portanto, qualquer risco de interrupção no estreito tende a influenciar rapidamente os preços internacionais da energia.
Irã responde com mísseis e drones
A Associated Press informou que a ação encerrou cerca de um mês sem confrontos militares diretos entre os dois países. No domingo anterior, forças americanas atacaram lançadores de foguetes na ilha de Larak. Depois, o Irã lançou mísseis contra instalações americanas na Jordânia.
As forças jordanianas interceptaram os projéteis. Por sua vez, os Emirados Árabes Unidos afirmaram ter interceptado um drone iraniano sobre suas águas. Após os ataques de terça-feira, as agências semioficiais Fars e Tasnim noticiaram novos lançamentos iranianos de mísseis e drones.
Um porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica declarou à Fars que os Estados Unidos “vão se arrepender de seus novos ataques”. Donald Trump classificou a operação americana como “grande e poderosa”. Ainda assim, o presidente advertiu Teerã contra novas retaliações e prometeu uma ofensiva “muito mais dura e elevada” em caso de resposta.
Mais cedo, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que Teerã estava preparado para retomar o acordo de cessar-fogo negociado em junho. Porém, ele condicionou esse retorno ao cumprimento dos termos pelos Estados Unidos. Posteriormente, Trump questionou o valor de um novo acordo, enquanto a resposta iraniana permanecia ativa.
Petróleo acima de US$ 90 aumenta pressão inflacionária
Os preços do petróleo aceleraram com o retorno da atividade militar às proximidades do Estreito de Ormuz. A Reuters registrou alta de 4,6% do Brent, que fechou a US$ 94,65 por barril. Enquanto isso, o West Texas Intermediate avançou 5,2%, para US$ 90,22.
Operadores também monitoravam relatos de que dois petroleiros sofreram ataques ao deixar o estreito. Autoridades iranianas alertaram para novas interrupções nas exportações do Golfo caso a pressão sobre Teerã continuasse. Em julho, outro alerta sobre ataques americanos coincidiu com uma venda de US$ 500 bilhões no mercado acionário.
Na ocasião, o petróleo subiu e o Bitcoin enfrentou pressão vendedora. Custos maiores de energia podem elevar os indicadores de inflação nos Estados Unidos. Consequentemente, esse cenário influencia as expectativas sobre a política monetária do Federal Reserve.
Juros e liquidações mantêm o mercado pressionado
Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano subiram na terça-feira. Já o S&P 500 recuou ao menor nível desde 4 de agosto. Agora, investidores acompanham os dados de inflação de agosto e a decisão de juros do Federal Reserve em setembro.
Em agosto, o Bitcoin ganhou força após o índice de preços ao consumidor mostrar inflação anual de 3,4% nos Estados Unidos. Entretanto, interrupções no fornecimento de petróleo podem pressionar as próximas leituras. O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, manteve uma postura firme contra a inflação e admitiu a possibilidade de juros mais altos.
Rendimentos maiores dos Treasuries tornam investimentos que pagam juros mais atraentes e elevam os custos de financiamento. Historicamente, essas condições pressionam o Bitcoin e outros instrumentos sem rendimento. Paralelamente, as liquidações de posições alavancadas podem ampliar movimentos bruscos durante períodos de baixa liquidez.
Bitcoin testa suporte próximo de US$ 76.500
A mínima intradiária de aproximadamente US$ 76.483 colocou a região de US$ 76.500 sob pressão imediata. Uma quebra sustentada abaixo desse patamar eliminaria outro suporte que vinha desacelerando as quedas. Para iniciar uma recuperação, o Bitcoin precisaria retomar primeiro o nível de US$ 77 mil.
Depois disso, a cotação teria de reconquistar a antiga zona de suporte entre US$ 78 mil e US$ 79 mil. Conforme a CoinGlass, posições compradas concentraram a maior parte dos US$ 115 milhões liquidados em uma hora. Assim, traders que apostavam na alta absorveram a maior parcela dos encerramentos forçados.
Autoridades americanas afirmaram que os ataques iniciais miraram radares iranianos e capacidades militares associadas a ameaças contra embarcações e tropas. Portanto, a escalada militar permanece entre os principais fatores de pressão sobre os mercados. O petróleo elevado, os rendimentos dos Treasuries e a inflação também seguem no radar dos investidores.