Bitcoin cai após impacto Warsh e aperto de liquidez
O Bitcoin enfrentou uma forte onda de vendas nesta quinta-feira, após perder o suporte crucial de US$ 70.000 e registrar uma das quedas mais intensas dos últimos quinze meses. O recuo refletiu a reprecificação imediata da liquidez global, que começou depois que o governo dos EUA colocou Kevin Warsh como indicado para a presidência do Federal Reserve.
O ativo tocou mínimas próximas de US$ 67.619, aprofundando um movimento que apagou cerca de US$ 40 bilhões em posições de open interest em menos de dois dias. Além disso, a saída rápida de traders alavancados expôs um mercado mais frágil do que se antecipava, especialmente em um momento em que investidores buscavam sinais de flexibilização monetária.
A indicação de Warsh reacendeu discussões sobre o rumo da liquidez. Embora o economista já tenha demonstrado simpatia pelo Bitcoin e o comparado ao “novo ouro”,os investidores estão se afastando de sua conhecida postura em relação à redução do balanço patrimonial. Portanto, muitos participantes passaram a considerar a possibilidade de uma política mais dura contra o excesso de liquidez.
Mercado reage ao aperto monetário
A pressão também aumentou devido ao comportamento dos ETFs à vista de Bitcoin, que registraram saída líquida e reduziram o total de ativos sob gestão para menos de US$ 100 bilhões no primeiro trimestre. Assim, a redução reforçou a percepção de enfraquecimento do apetite institucional.
Do ponto de vista técnico, a quebra dos US$ 70.000 trouxe danos relevantes. Durante boa parte de 2025, esse nível funcionou como base forte para compradores, sendo defendido mesmo em momentos de instabilidade. No entanto, sua perda abriu espaço para quedas adicionais, já que as ordens entre US$ 60.000 e US$ 65.000 apresentam menor profundidade.
Enquanto isso, o ouro renovou recordes e superou US$ 5.100 por onça, atraindo capitais em meio à busca por proteção. Assim, parte dos investidores reduziu a exposição a ativos sensíveis à liquidez, priorizando alternativas historicamente vistas como reservas de valor.
O paradoxo Warsh pressiona o mercado
A reação negativa destacou o chamado paradoxo Warsh. Para investidores de varejo, ele representa um nome alinhado ao Bitcoin; para analistas institucionais, ele simboliza um formulador de políticas avesso ao suporte monetário amplo. Warsh critica há anos o tamanho do balanço do Fed, alegando que ele distorce preços.
Esse contraste provocou uma reavaliação do papel da liquidez no desempenho dos criptoativos.
Portanto, em vez de projetar ganhos sustentados por possíveis estímulos. O mercado passou a considerar um cenário de condições financeiras mais rígidas por um período mais longo. A volatilidade recente mostra a busca por um novo ponto de equilíbrio mais apoiado na utilidade percebida do que na liquidez excedente.
No curto prazo, a combinação entre a quebra dos US$ 70.000, a liquidação de posições alavancadas e a migração para ativos seguros cria um ambiente de cautela. Além disso, a resposta imediata ao impacto da indicação de Warsh. Reforça que a liquidez continuará atuando como principal vetor do comportamento do Bitcoin nos próximos dias.
O movimento também reacende o debate sobre como mudanças no Federal Reserve afetam o mercado de criptoativos. Investidores seguem atentos ao cenário, que permanece imprevisível. Ao mesmo tempo, sinais mais claros sobre a postura de Warsh podem definir o ritmo das próximas semanas.