Bitcoin cai após mercado cripto perder US$ 50 bilhões

Na manhã de sexta-feira, 4 de setembro, o mercado de criptomoedas sofreu uma correção súbita. Em menos de 30 minutos, a capitalização total dos ativos digitais perdeu US$ 70 bilhões. Depois, o setor recuperou apenas parte das perdas. Até o horário da publicação, a reação permanecia limitada.

O valor combinado do mercado estava em US$ 2,66 trilhões. Portanto, o montante permanecia cerca de US$ 50 bilhões abaixo dos US$ 2,71 trilhões registrados uma hora antes. O movimento atingiu os principais ativos digitais e também outros mercados financeiros.

Gráfico diário da capitalização do mercado de criptomoedas.
Gráfico diário da capitalização do mercado de criptomoedas. Fonte: TradingView

Bitcoin acompanha a correção dos mercados

O Bitcoin (BTC), principal criptomoeda do mercado, também acompanhou a queda. A cotação recuou de US$ 81.252 para US$ 79.341 até o horário da publicação. Enquanto isso, o ouro caiu inicialmente, mas apresentou uma recuperação mais forte e era negociado a US$ 2.418.

O mercado de ações dos Estados Unidos também abriu no campo negativo. Contudo, a correção foi consideravelmente menor do que a registrada entre as criptomoedas. Pouco depois da abertura da sessão, o índice S&P 500 recuava apenas 0,17%.

Gráfico diário do preço do Bitcoin.
Gráfico diário do preço do Bitcoin. Fonte: Google
Gráficos diários dos preços do ouro e do índice S&P 500.
Gráficos diários dos preços do ouro e do índice S&P 500. Fontes: TradingView e Google

Dados de emprego aumentam pressão sobre juros

O mais recente relatório de empregos dos Estados Unidos pressionou os mercados. Os números vieram muito mais fortes do que o esperado. Dessa forma, o resultado indicou um mercado de trabalho mais robusto. Também elevou a possibilidade de uma alta dos juros em setembro.

Agora, investidores aguardam os próximos dados de inflação dos Estados Unidos. Caso os números também superem as expectativas, uma elevação dos juros se tornará mais provável. Esse cenário ganhou força após o discurso de Jackson Hole do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh. Na ocasião, ele adotou um tom favorável ao aperto monetário.

Assim, a queda de sexta-feira pode antecipar uma correção mais ampla na semana seguinte. Juros elevados tendem a reduzir o interesse por investimentos considerados mais arriscados. Nesse ambiente, Bitcoin e altcoins podem enfrentar maior pressão vendedora.

Consolidação amplia riscos para altcoins

O episódio ocorreu em um momento de vulnerabilidade elevada para o mercado cripto. Após a forte alta no fim de agosto, o Bitcoin aparentemente entrou em uma fase de consolidação. Por isso, investidores e analistas aguardavam sinais de um novo ciclo de alta. A queda repentina aumentou a incerteza sobre esse movimento.

Se o relatório de empregos for seguido por inflação persistente, poderá ocorrer uma venda relevante de BTC. Como resultado, o impulso de alta ainda incipiente pode perder força. O efeito também poderá alcançar ativos digitais menores e provocar perdas mais expressivas.

A chefe de pesquisa da CoinMarketCap, Alice Liu, relacionou esse risco à concentração do mercado. Conforme sua avaliação, o capital vem se concentrando no Bitcoin. Apesar disso, a especulação continua presente entre as altcoins.

Nosso Índice de Temporada de Altcoins está em 26, abaixo dos 54 registrados há um mês, enquanto o capital se consolida no Bitcoin. Ainda assim, nosso scanner de contratos perpétuos identificou um posicionamento incomum em 72 altcoins. Um mercado estreito não é silencioso: a especulação se concentrou, mas não desapareceu.

Mesmo assim, os eventos daquela manhã podem produzir poucas consequências duradouras. A queda também pode estimular uma pressão compradora no mercado de criptomoedas. Afinal, diversos analistas aguardavam uma correção desde o fim de agosto. Para eles, esse recuo poderia anteceder uma retomada da alta.

Por outro lado, o relatório de inflação da semana seguinte ainda pode afastar uma elevação dos juros. A Casa Branca pressiona pela redução dos custos de empréstimos durante o segundo mandato do presidente Donald Trump. Desse modo, o rumo da inflação será decisivo para o cenário imediato do Bitcoin e das demais criptomoedas.