Bitcoin cai após retração do varejo nos Estados Unidos
As vendas no varejo dos Estados Unidos recuaram 0,6% em julho ante junho. Foi a primeira contração em nove meses. Economistas esperavam uma leve alta no período.
Como resultado, os mercados financeiros adotaram uma postura mais cautelosa, enquanto os preços das criptomoedas recuaram. Na ocasião, o Bitcoin permaneceu sob pressão vendedora abaixo de US$ 63.000, conforme dados da CoinMarketCap. Assim, a divulgação ampliou a aversão ao risco entre os investidores.
Consumo mais fraco pressiona o Bitcoin
A perda de força ocorreu após o fim do impulso gerado pelas restituições fiscais. Além disso, a antecipação do Prime Day da Amazon para junho alterou os padrões habituais de consumo. A mudança deslocou parte das compras que poderiam ocorrer em julho.
O gasto dos consumidores representa cerca de dois terços do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos. Portanto, a fraqueza do consumo levantou dúvidas sobre o ritmo de crescimento econômico no terceiro trimestre. O mercado passou a acompanhar os próximos indicadores com maior cautela.
O relatório do Departamento de Comércio mostrou quedas nas vendas pela internet, de peças automotivas e em postos de combustíveis. Em contrapartida, bares e restaurantes registraram uma alta moderada de 0,5%. Ainda assim, a piora do resultado geral teve maior impacto sobre o sentimento dos investidores.
Nesse contexto, o aumento da aversão ao risco também alcançou o mercado de criptomoedas. Investidores reduziram a exposição a segmentos mais voláteis diante das dúvidas sobre a atividade econômica. O movimento manteve o Bitcoin abaixo do nível de US$ 63.000.
Mercado espera manutenção dos juros em setembro
O desempenho fraco das vendas se somou aos sinais recentes de moderação no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, a inflação dos Estados Unidos apresentou maior estabilidade. Esses fatores reforçaram as expectativas de manutenção dos juros na reunião de setembro do Federal Reserve.
Analistas avaliam que o banco central precisa de mais evidências sobre a economia antes de alterar sua política monetária. Dessa forma, os próximos relatórios de inflação e emprego podem influenciar as decisões do comitê. Os investidores também devem avaliar possíveis mudanças nas perspectivas de crescimento.
As vendas subjacentes, que excluem automóveis, gasolina e alimentos, caíram 0,4%. A leitura também decepcionou os mercados, que esperavam um crescimento sustentado nesse segmento. Essa categoria ajuda a avaliar com maior precisão a força da demanda das famílias.
Analistas da BMO Capital Markets afirmaram que um mercado de trabalho mais fraco e o consumo moderado favorecem uma postura paciente do comitê monetário. Entretanto, a incerteza econômica reduz parte do efeito positivo associado à expectativa de uma política monetária mais flexível. Ativos de risco enfrentam menor disposição dos investidores para assumir exposição.
Entrada menor de recursos pode limitar o mercado
A fraqueza macroeconômica pode dificultar a entrada de novos recursos no mercado de criptomoedas. Sem catalisadores claros de compra, o cenário favorece períodos de consolidação ou novas correções nos principais ativos digitais. Por outro lado, indicadores econômicos mais favoráveis podem alterar essa percepção.
Agora, os investidores acompanham os próximos dados de inflação e emprego nos Estados Unidos. Esses indicadores podem oferecer novos sinais sobre a trajetória da maior economia mundial. Também podem influenciar as expectativas para as próximas decisões do Federal Reserve.
Apesar da queda mensal, as vendas no varejo ainda acumulam crescimento anual de 5%. O aumento da riqueza das famílias, apoiado pelo desempenho do mercado de ações, continua sustentando parte do consumo. Contudo, os compradores mostram maior sensibilidade aos preços, o que limita uma recuperação mais rápida.
Enquanto o consumo desacelerar, as dúvidas sobre o crescimento econômico devem permanecer no radar dos investidores. Nesse ambiente, a volatilidade do Bitcoin e do mercado cripto pode continuar elevada. A evolução dos indicadores macroeconômicos deve orientar o apetite por risco no curto prazo.