Bitcoin cai com saídas de ETFs spot e tensão EUA-Irã
O Bitcoin ampliou as perdas nesta semana. O movimento ocorreu em meio a saídas seguidas dos ETFs spot nos Estados Unidos, enfraquecimento técnico e tensão geopolítica.
Dados do CoinMarketCap indicam queda de mais de 6% em sete dias e quase 10% em duas semanas. Além disso, a baixa atingiu boa parte do mercado de criptomoedas.
A combinação entre menor apetite institucional e piora do sentimento reforçou a aversão ao risco. Assim, o ativo perdeu força quando o mercado buscava estabilização acima de faixas técnicas relevantes.
Fluxos negativos pressionam suporte técnico
O analista Nic afirmou, no X, que o Bitcoin rompeu a região de suporte dos US$ 75.000. Desde então, o ativo passou a negociar perto do próximo nível crítico, em torno de US$ 73.000.
Dessa forma, a estrutura de curto prazo ficou mais frágil após uma tentativa frustrada de recuperação. Mais cedo em maio, o BTC chegou a US$ 83.000, mas encontrou rejeição nessa faixa.
Desde esse movimento, a direção virou para baixo. Nesta semana, contudo, a queda ganhou velocidade e ficou mais intensa do que nas correções anteriores.
Um dos principais fatores por trás dessa pressão veio dos ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos. Dados on-chain da SoSoValue mostram oito pregões consecutivos de saídas líquidas.

Desde 15 de maio, os fundos registraram apenas retiradas. Ao mesmo tempo, investidores institucionais reduziram exposição a fim de proteger capital diante da continuidade das perdas.
Em 27 de maio, ocorreu a maior saída do mês, com cerca de US$ 733,43 milhões retirados em um único dia. O movimento foi liderado pelo IBIT, da BlackRock, que concentrou o maior volume de resgates no período.
Antes da sequência negativa, esses produtos tinham registrado apenas seis dias de entradas líquidas. Nesse sentido, o fluxo recente indica domínio dos vendedores e menor disposição dos grandes participantes para sustentar preços mais altos.

Risco de distribuição aumenta
A Swissblock, empresa privada de pesquisa financeira, também destacou a deterioração recente do sentimento. Em comentário no X, a casa afirmou que o Índice de Risco do Bitcoin passou a sinalizar pressão vendedora suficiente para sobrecarregar o mercado.
Na avaliação da Swissblock, o BTC voltou para uma zona de distribuição após um período de forte acumulação e múltiplas altas em março e abril. Além disso, a empresa observou que a falta de suporte dos ETFs, combinada com a leitura do indicador de risco, sugere aceleração do risco de queda.
A perda de US$ 75.000 abriu espaço para um teste da região de US$ 73.000, enquanto o retorno da tensão geopolítica ampliou as liquidações.
Nic no X
A estrutura saiu de acumulação e entrou em distribuição, com pressão vendedora crescente e menor apoio dos fluxos institucionais.
Swissblock no X
Tensão geopolítica amplia aversão ao risco
Além dos fatores técnicos, a piora do quadro geopolítico adicionou nova pressão ao Bitcoin. Segundo Nic, a retomada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã após um cessar-fogo anunciado recentemente desencadeou liquidações em massa.
A CNN registrava que a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã lançou novo ataque contra uma base aérea americana. Ao mesmo tempo, ataques dos Estados Unidos teriam atingido drones iranianos e um local de lançamento considerado crítico nas proximidades do Estreito de Ormuz.
Com isso, a incerteza sobre um possível acordo de paz voltou a crescer. Por consequência, investidores reduziram exposição a ativos de maior risco, o que ajuda a explicar a pressão sobre o Bitcoin e sobre o mercado cripto mais amplo.
Níveis monitorados pelo mercado
O movimento recente reúne fatores técnicos e macroeconômicos bem definidos. O mercado acompanha a perda de US$ 75.000, o teste da região de US$ 73.000, oito sessões seguidas de saídas nos ETFs spot e a retirada diária de US$ 733,43 milhões em 27 de maio.
Portanto, enquanto os fluxos institucionais seguirem negativos e a tensão entre Estados Unidos e Irã permanecer elevada, o Bitcoin tende a continuar sob pressão. Ainda assim, a reação perto de US$ 73.000 deve indicar se a correção perde força ou se abre espaço para novas mínimas no curto prazo.