Bitcoin chega a US$ 87 mil com entradas em ETFs
Fluxos institucionais e juros impulsionam o Bitcoin
O Bitcoin chegou a US$ 87 mil durante a semana e depois recuou para perto de US$ 84.500. O Ethereum e outras grandes criptomoedas acompanharam parte do movimento. A recuperação ocorreu após um setembro difícil para o mercado. Ao mesmo tempo, investidores passaram a esperar que o Federal Reserve mantivesse os juros estáveis.
No início da semana, o Bitcoin tocou níveis mais altos antes de perder parte dos ganhos. Comentários de dirigentes do Fed reduziram as expectativas de uma nova alta dos juros no curto prazo. Nesse contexto, os ativos de maior risco atraíram mais demanda. Como resultado, a cotação do Bitcoin também impulsionou ações ligadas ao setor.
ETFs de Bitcoin registram entradas de US$ 2,4 bilhões
Durante a recuperação, as ações da Strategy, Coinbase e Robinhood avançaram ao lado do Bitcoin. Os investidores também voltaram a direcionar recursos aos fundos negociados em bolsa. Com isso, a melhora do humor alcançou diferentes segmentos dos mercados financeiros. Entretanto, o cenário ainda depende dos próximos indicadores macroeconômicos dos Estados Unidos.
Os ETFs à vista de Bitcoin dos Estados Unidos registraram cerca de US$ 2,4 bilhões em entradas líquidas. Os dados consideram a semana de negociações encerrada em 25 de setembro. Dessa forma, os fluxos acumulados desses fundos em 2026 voltaram ao campo positivo. A demanda institucional ajudou a sustentar o desempenho do Bitcoin.
Por sua vez, a Strategy manteve sua estratégia de acumulação e comprou mais 1.665 BTC. A companhia passou a controlar 847.666 BTC após a nova aquisição. No fim da semana, a dominância do Bitcoin também se aproximou de 60%. Esse indicador representa a participação do Bitcoin no valor total do mercado de criptomoedas.
Citigroup eleva projeções para Bitcoin e Ethereum
Mesmo com a melhora geral do apetite por risco, investidores continuaram priorizando a maior criptomoeda do mercado. Paralelamente, o Citigroup revisou suas projeções para os dois principais ativos digitais. O banco citou a maior atividade do setor e a retomada das entradas em ETFs. A revisão indicou uma perspectiva mais otimista para os próximos meses.
O Citigroup elevou seu preço-alvo de 12 meses para o Bitcoin de US$ 82 mil para US$ 113 mil. Além disso, o banco aumentou a previsão para o Ethereum de US$ 2.240 para US$ 3.028. As estimativas refletem expectativas de maior atividade no mercado de criptomoedas. Ainda assim, as projeções não eliminam os riscos associados à volatilidade.
Dados de emprego influenciam expectativas sobre juros
O mercado de trabalho dos Estados Unidos também influenciou as negociações. Empregadores norte-americanos criaram apenas 29 mil vagas em setembro. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego subiu para 4,2%. Nesse cenário, o enfraquecimento do emprego reduziu a possibilidade de aumentos agressivos dos juros pelo Fed.
Taxas menores ou estáveis tendem a favorecer investimentos considerados mais arriscados, incluindo criptomoedas. Contudo, uma leitura de inflação acima das expectativas pode mudar rapidamente esse quadro. Caso a pressão inflacionária aumente, os preços podem voltar a enfrentar perdas. Por isso, o mercado permanece atento aos próximos indicadores econômicos.
Embora tenha acompanhado a recuperação, o Ethereum registrou ganhos inferiores aos do Bitcoin. Um incidente de segurança envolvendo validadores Ethereum da MetaMask também chamou a atenção. Após o ataque, um invasor desviou recompensas de staking estimadas em cerca de 0,36 ETH. Em resposta, a MetaMask iniciou saídas preventivas de validadores.
SEC e Europa avaliam regras para custódia e Binance
Nos Estados Unidos, a SEC propôs uma nova estrutura para a custódia de criptomoedas por consultores de investimento registrados. Pela proposta, os consultores poderiam manter determinados ativos sob autocustódia. A possibilidade valeria quando não houvesse um custodiante terceirizado adequado. Ainda assim, os profissionais precisariam cumprir requisitos de segurança e conhecimento técnico.
Na Europa, reguladores avaliam se a Binance continuou atendendo clientes sem autorização adequada sob as regras MiCA. A empresa afirma que alguns usuários acessam seus serviços por meio da isenção de solicitação reversa. Entretanto, as autoridades analisam se a plataforma aplica corretamente essa exceção. Com isso, o caso amplia a pressão regulatória sobre a empresa.
Tether amplia planos enquanto Blast encerra operações
Enquanto isso, a Tether anunciou planos para levar funcionalidades do USDT ao Bitcoin por meio do projeto Utexo. A iniciativa prevê transferências privadas de USDT e operações de troca entre BTC e USDT. O projeto também inclui empréstimos garantidos por Bitcoin. Assim, a empresa pretende ampliar a utilidade do USDT na infraestrutura do Bitcoin.
Por outro lado, a rede de segunda camada Blast informou que encerrará suas atividades. Os ativos depositados na rede já haviam recuado de forma significativa. No auge, o valor mantido na plataforma superou US$ 2 bilhões. Agora, o encerramento evidencia a crescente competição entre redes de segunda camada.
A atividade desse segmento tem se concentrado em plataformas maiores. Portanto, a capacidade do Bitcoin de permanecer próximo de US$ 84.500 será um ponto relevante na próxima semana. A elevada alavancagem do mercado pode ampliar eventuais oscilações de preço. Porém, as incertezas macroeconômicas e regulatórias também devem manter a volatilidade em patamar elevado.
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