Bitcoin da Twenty One Capital vale mais que suas ações

O valor bruto do Bitcoin da Twenty One Capital superava a capitalização de mercado da empresa em 11 de agosto de 2026. No entanto, a companhia usava 37% das reservas como garantia de uma dívida.

Na mesma data, o CEO Raphael Zagury afirmou aos acionistas, no X, que as ações da XXI negociavam com um “desconto relevante” em relação ao Bitcoin mantido pela companhia. Para ele, essa diferença poderia indicar uma alocação inadequada de capital.

Contudo, o relatório trimestral enviado pela empresa à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) mostra que a comparação exige outros fatores. Entre eles, estão as reservas vinculadas e as obrigações registradas no balanço.

Reservas de Bitcoin garantem dívida da Twenty One

Em 30 de junho de 2026, a Twenty One detinha 43.514 BTC. Desse total, 16.116 BTC serviam como garantia para US$ 486,5 milhões em notas conversíveis. Os títulos pagam juros de 1% e vencem em 2030.

Enquanto a empresa mantiver esse Bitcoin como garantia, não poderá usá-lo para necessidades gerais de liquidez ou outros fins corporativos. Por isso, a vinculação reduz a parcela das reservas disponível para financiar as operações.

Com o Bitcoin próximo de US$ 63.700, toda a tesouraria valia aproximadamente US$ 2,77 bilhões. Já a capitalização de mercado da XXI alcançava cerca de US$ 1,56 bilhão, conforme o fechamento de 11 de agosto.

Esse cálculo colocava as ações aproximadamente 44% abaixo do valor bruto das reservas de Bitcoin. Ainda assim, a comparação direta ignorava as obrigações financeiras associadas ao balanço da companhia.

A Twenty One também mantinha US$ 106,1 milhões em caixa. Ao adicionar esse valor e descontar o principal das notas, o valor líquido simplificado chegava a cerca de US$ 2,39 bilhões.

Assim, o desconto implícito das ações diminuía para aproximadamente 35%. Os números constam no relatório trimestral enviado à SEC.

Liquidez e prejuízo no primeiro semestre

Apesar das reservas vinculadas, a Twenty One não indicou um problema imediato de liquidez. A companhia declarou que não pretende vender, durante os próximos 12 meses, o Bitcoin adquirido no fechamento da combinação de negócios.

Ainda assim, a empresa manteve aberta a possibilidade de vendas em circunstâncias excepcionais. Entre os motivos, citou necessidades operacionais, obrigações regulatórias, investimentos estratégicos e outros fins corporativos.

Esse cenário ocorre após a Twenty One registrar prejuízo líquido de US$ 1,27 bilhão no primeiro semestre de 2026. Uma redução de US$ 1,25 bilhão no valor justo do Bitcoin explicou quase toda a perda.

Twenty One busca receitas além da tesouraria

O desconto atribuído às ações ganhou importância diante da estratégia apresentada por Zagury. O CEO pretende transformar a Twenty One em mais do que uma companhia de tesouraria em Bitcoin.

“A Twenty One possui um dos maiores balanços de Bitcoin dos mercados públicos. Essa é uma vantagem real, mas, para valer a pena possuir ações da Twenty One, ela precisa se tornar mais do que uma tesouraria de Bitcoin.”

Para atingir esse objetivo, Zagury descreveu planos para criar ou adquirir negócios operacionais. A companhia também pretende ampliar sua atuação nos mercados de capitais e desenvolver produtos de crédito garantidos por Bitcoin.

Além disso, o executivo afirmou que a empresa precisa gerar fluxo de caixa positivo com base em seu balanço de Bitcoin. Entretanto, a execução dessas metas de longo prazo ainda permanece limitada.

Em 21 de julho, a Twenty One informou que havia desistido de buscar a Strike. A empresa era uma das duas possíveis aquisições identificadas no início do ano.

Enquanto isso, os planos operacionais, de fusões e aquisições e de crédito continuam em desenvolvimento. Dessa forma, a companhia precisa reduzir o desconto aplicado pelos investidores e criar receitas além das próprias reservas.