Bitcoin Depot pede falência e desliga 9 mil ATMs
A Bitcoin Depot Inc., anteriormente a maior operadora de caixas eletrônicos de Bitcoin do mundo, entrou com pedido de proteção contra falência após uma deterioração financeira acelerada. Antes do anúncio, as ações da companhia já haviam caído mais de 40% em apenas uma semana, acumulando recuo de 67% ao longo de 2026.
Além disso, após a divulgação do processo, os papéis negociados sob o ticker BTM na NASDAQ recuaram mais 20% nas negociações fora do horário regular. Como resultado, o movimento reforça a perda de confiança do mercado no modelo de negócios da empresa. A Bitcoin Depot construiu sua operação com base no acesso rápido ao Bitcoin por meio de quiosques físicos. No entanto, esse formato passou a enfrentar obstáculos regulatórios crescentes.
O pedido foi protocolado em 18 de maio no Tribunal de Falências dos Estados Unidos para o Distrito Sul do Texas. Como consequência, toda a rede com mais de 9.000 caixas eletrônicos foi desligada, marcando o fim imediato das operações.
Pressão regulatória compromete modelo de negócio
Segundo o CEO Alex Holmes, a decisão ocorreu após a análise de todas as alternativas disponíveis. Nesse sentido, o executivo destacou que o processo supervisionado busca garantir um encerramento ordenado e a venda dos ativos da empresa.
“Após avaliar todas as opções, decidimos iniciar esse processo supervisionado para facilitar a liquidação organizada das operações e a venda dos ativos”, afirmou Holmes.
Ao mesmo tempo, o processo envolve operações nos Estados Unidos e no Canadá. A empresa pretende reestruturar suas atividades no território canadense, enquanto planeja encerrar completamente operações fora dos EUA, conforme exigências legais locais.
BTCUSD sendo negociado próximo de US$ 76.797. Gráfico: TradingView
De acordo com Holmes, a pressão regulatória foi o principal fator por trás do colapso. Operadores de caixas eletrônicos de Bitcoin na América do Norte passaram a enfrentar regras mais rígidas, incluindo limites de transação, proibições regionais e fiscalização mais intensa. Além disso, ações judiciais passaram a fazer parte do cenário.
A empresa tentou reagir com medidas mais rigorosas de conformidade, como verificação reforçada de identidade, alertas contra fraudes e redução de limites de transação. Ainda assim, essas iniciativas não foram suficientes para conter os prejuízos acumulados.
Receita cai e prejuízo pressiona operação
Os resultados financeiros refletem esse ambiente adverso. A receita da Bitcoin Depot caiu 49% no primeiro trimestre de 2026, na comparação anual. Por conseguinte, o prejuízo líquido atingiu US$ 9,5 milhões.
Além da deterioração financeira, a empresa passou por mudanças relevantes na liderança. Em março, Scott Buchanan deixou o cargo de CEO. Em seguida, Alex Holmes assumiu a posição, acumulando também a presidência do conselho. Enquanto isso, o fundador Brandon Mintz passou a exercer uma função não executiva.
Encerramento total das atividades
Diferentemente de outros processos de recuperação, a Bitcoin Depot não pretende continuar operando. Pelo contrário, o objetivo é liquidar os ativos e encerrar completamente as atividades. Até o momento, nenhum comprador foi anunciado publicamente.
Com isso, o caso se consolida como um dos exemplos mais relevantes do impacto regulatório sobre a infraestrutura física do mercado cripto. A empresa, que já operou uma das maiores redes de conversão de dinheiro em Bitcoin na América do Norte, agora está totalmente fora do ar.
Mudança estrutural no setor cripto
O colapso da Bitcoin Depot evidencia uma transformação estrutural no setor. Enquanto plataformas digitais ganham espaço, modelos físicos enfrentam desafios regulatórios e operacionais cada vez maiores. Dessa forma, o episódio levanta questionamentos sobre a sustentabilidade de negócios baseados em ATMs de criptomoedas no longo prazo.