Bitcoin deve subir mais, diz CIO da BlackRock

O recuo do Bitcoin em junho, seguido por uma recuperação parcial, reacendeu o debate sobre os próximos movimentos do ativo. Ainda assim, a dúvida sobre um possível fundo de ciclo permanece aberta.

Entre as vozes de maior peso está Rick Rieder, diretor de investimentos de renda fixa global da BlackRock. Em 15 de junho, em entrevista à Bloomberg, ele afirmou que espera ver o Bitcoin em níveis consideravelmente mais altos no longo prazo.

Segundo o executivo, a visão positiva permanece. No entanto, ela ainda não levou a gestora a ampliar sua exposição de forma mais agressiva. Além disso, Rieder indicou que sua leitura é estrutural e voltada a um horizonte mais longo. Ao mesmo tempo, fatores técnicos e de alocação reduzem a convicção da empresa no curto prazo.

Na prática, a BlackRock vê outras oportunidades atraentes no mercado neste momento. Entre elas, estão posições ligadas ao setor de tecnologia e à dívida de mercados emergentes. Dessa forma, a gestora preserva uma postura tática mais cautelosa, embora mantenha uma expectativa construtiva para o principal ativo do mercado de criptomoedas.

“Acho que o Bitcoin, no fim das contas, vai para níveis consideravelmente mais altos.”

Eric Balchunas no X.

O comentário de Rieder ganhou repercussão após publicação de Eric Balchunas. Nesse sentido, a fala reforça que, apesar da cautela atual na alocação, o executivo segue entre os nomes com convicção sobre o Bitcoin dentro da própria BlackRock. Ainda assim, a avaliação interna indica que o ambiente atual oferece alternativas competitivas de retorno.

BlackRock mantém cautela na alocação

Fatores táticos limitam avanço no curto prazo

A leitura também ressalta que parte da pressão recente sobre o Bitcoin pode ter vindo de movimentos sem relação direta com os fundamentos da moeda digital. Por exemplo, investidores teriam buscado liquidez para assumir posição em uma nova empresa pública ligada a Elon Musk. Em virtude disso, a SpaceX teria influenciado o apetite por capital e, por consequência, a fraqueza recente do BTC.

Ainda que esse tipo de movimento afete o preço no curto prazo, a leitura de Rieder permanece positiva no horizonte mais amplo. Em outras palavras, a BlackRock não abandonou sua tese sobre o Bitcoin. Pelo contrário, a gestora segue ativa no setor, mesmo sem ampliar a exposição agora.

Em 11 de junho, a empresa comprou mais de US$ 38 milhões em Bitcoin e Ethereum. Poucos dias depois, em 16 de junho, lançou o iShares Bitcoin Premium Income ETF, conhecido pelo ticker BITA. Assim, a movimentação mostra que a presença da BlackRock no mercado cripto continua a se expandir.

O BITA chama atenção por sua proposta específica. Em vez de buscar toda a valorização potencial do Bitcoin, o ETF pretende limitar parte dos ganhos para oferecer pagamentos mensais aos cotistas. Para isso, o produto usa uma estratégia ativa com opções. Portanto, ele apresenta um perfil distinto dos veículos tradicionais de exposição direta ao BTC.

Preço do Bitcoin reage, mas inspira cautela

Ativo segue abaixo de faixas anteriores

Até 16 de junho, o Bitcoin era negociado a US$ 65.603. O preço representava recuperação de cerca de 10% em relação às mínimas do início do mês, quando o ativo chegou a operar ligeiramente abaixo de US$ 60.000.

Gráfico mensal do preço do Bitcoin
Preço do Bitcoin em gráfico de um mês.

Origem do gráfico: gráfico.

Apesar da reação observada em meados de junho, o ativo continua abaixo da faixa relativamente estável sustentada entre fevereiro e abril. Além disso, segue distante dos níveis mais elevados vistos durante boa parte de abril e maio. Desse modo, o quadro técnico ainda sugere uma estrutura mais fraca nos últimos meses.

De fato, após uma sequência de topos mais baixos e fundos mais baixos desde a máxima histórica registrada no fim de 2025, acima de US$ 125.000, o Bitcoin ainda parece inserido em uma tendência de baixa mais prolongada. No acumulado de 2026, a criptomoeda registrava queda de 25% até a data citada.

O cenário, portanto, combina expectativa estrutural positiva e cautela tática. Rick Rieder avalia que o Bitcoin deve atingir níveis consideravelmente mais altos no longo prazo. Por outro lado, a BlackRock mantém disciplina na alocação, mesmo após compras superiores a US$ 38 milhões em Bitcoin e Ethereum e o lançamento do BITA em 16 de junho.