Bitcoin disputa espaço com ouro e prata no trimestre

O primeiro trimestre de 2026 mostra um cenário competitivo entre Bitcoin, ouro e prata. Cada ativo reage de forma distinta ao ambiente macroeconômico, que ainda apresenta incertezas sobre juros, liquidez global e apetite por risco. Além disso, o mercado observa uma alternância constante entre busca por proteção e exposição a ativos voláteis.

Mercado de Bitcoin sente pressão de curto prazo

Gráfico Bitcoin

Fonte: TradingView

O Bitcoin opera próximo de US$ 82.078 após queda diária de 6,9%. O ativo também acumula recuo mensal superior a 7%. No entanto, ainda mantém suporte acima da marca psicológica de US$ 80 mil, mesmo com o ambiente de menor apetite por risco.

A cotação segue cerca de 35% abaixo da máxima acima de US$ 126 mil registrada em outubro. Entretanto, fatores macroeconômicos podem favorecer o ativo no médio prazo. O Federal Reserve reduziu juros três vezes no último ano, e o mercado espera novos cortes ao longo de 2026. Assim, a liquidez global segue elevada, o que historicamente ampara ativos de risco.

No entanto, o fluxo institucional mostra sinais de fraqueza. Os ETFs de Bitcoin à vista tiveram saídas líquidas de US$ 4,57 bilhões entre novembro e dezembro de 2025. Somente no último dia, as retiradas somaram US$ 817 milhões, indicando redução do interesse institucional. Além disso, indicadores on-chain apontam volume menor de transações e aumento de envios para exchanges.

Sinais técnicos reforçam cautela dos investidores

Análises da Glassnode mostram que detentores de curto prazo reduziram exposição. Portanto, a movimentação recente sugere realização de lucros e um mercado mais defensivo. Especialistas da CoinShares afirmam que a liquidez segue favorável no longo prazo, mas o desempenho de curto prazo depende do sentimento dos investidores e do mercado de ações.

Alguns analistas avaliam que ainda é cedo para prever migração consistente de capital de metais preciosos para cripto. Entre eles, Benjamin Cowen aponta que o Bitcoin pode apresentar desempenho inferior ao das ações caso a volatilidade aumente.

Ouro devolve parte dos ganhos após rali de janeiro

Gráfico Ouro

Fonte: TradingView

O ouro recua 3,89% e é negociado a US$ 5.171,12 por onça após forte rali no início do ano. Ainda assim, o metal acumula alta mensal de 24,68%. Além disso, compras de bancos centrais e tensões geopolíticas sustentaram o avanço recente.

Analistas do UBS afirmam que a valorização expressiva reflete estratégias de diversificação. No entanto, ressaltam que correções são naturais após movimentos tão intensos. Apesar da retração, o ouro segue entre os ativos mais fortes do trimestre.

Prata mantém volatilidade elevada e liderança mensal

Gráfico Prata

Fonte: TradingView

A prata registra queda de 5,83% e é negociada a US$ 107,83. Ainda assim, acumula salto de quase 52% no mês. A volatilidade reflete o papel duplo do ativo, ligado tanto à proteção quanto à demanda industrial.

O Citi atribui a alta às expectativas de aumento no consumo industrial e de energia limpa. Além disso, o mercado chinês segue como força relevante para o metal. No entanto, especialistas alertam que o avanço rápido aumenta riscos de correções mais fortes.

Disputa entre ativos continua aberta no fim do trimestre

No trimestre, ouro e prata lideram com ganhos sólidos. O Bitcoin enfrenta pressão baixista e menor fluxo institucional, embora encontre suporte macroeconômico. Portanto, o comportamento até março dependerá das decisões do Federal Reserve e dos dados econômicos.

Enquanto cortes de juros podem favorecer o Bitcoin, preocupações com inflação e crescimento mantêm a atratividade dos metais preciosos. Assim, o cenário atual mostra uma disputa equilibrada, guiada por liquidez, risco e demanda por proteção.