Bitcoin e ações cripto podem estar perto do fundo, diz Bernstein

O mercado de Bitcoin e de ações ligadas ao setor de criptomoedas pode estar próximo de um ponto de inflexão. Segundo análise da Bernstein, a correção recente, que levou papéis a recuarem cerca de 60% em relação aos picos de 2025, abre espaço para possíveis pontos de entrada a preços mais baixos. Nesse contexto, investidores passam a observar o setor com mais cautela, sobretudo diante da temporada de resultados do primeiro trimestre.

Em relatório divulgado na segunda-feira, liderado pelo analista Gautam Chhugani, a Bernstein afirma que fatores macroeconômicos e tensões geopolíticas pressionaram o desempenho do setor. Além disso, o enfraquecimento do sentimento no mercado cripto contribuiu para a compressão das avaliações. Ainda assim, a corretora avalia que os fundamentos estruturais de crescimento permanecem intactos no longo prazo.

Apesar dessa visão mais construtiva, a empresa revisou para baixo os preços-alvo de algumas companhias relevantes. A Coinbase teve sua estimativa reduzida de US$ 440 para US$ 330, conforme divulgado no Investing.com. Da mesma forma, a Robinhood passou de US$ 160 para US$ 130, enquanto a Figure recuou de US$ 72 para US$ 67. Ainda assim, todas seguem classificadas como desempenho acima da média.

Correlação entre Bitcoin e ações do setor

As ações cripto acompanharam a forte correção do mercado, que eliminou trilhões de dólares em valor ao longo do ciclo recente. Ao mesmo tempo, o próprio Bitcoin recuou de seus máximos históricos, o que reduziu volumes de negociação e aumentou a cautela entre investidores.

Por outro lado, a Bernstein destaca vetores estruturais que sustentam o crescimento do setor. Entre eles estão a expansão das stablecoins, a tokenização de ativos e o avanço dos mercados de previsões. Além disso, o uso de derivativos segue em crescimento, o que reforça a sofisticação do mercado.

Ao mesmo tempo, os perfis das empresas analisadas diferem. A Robinhood ainda possui exposição relativamente menor ao segmento cripto em sua receita. Em contrapartida, a Figure é vista como uma companhia fortemente posicionada em tokenização, o que influencia suas perspectivas de crescimento.

Segundo a corretora, resultados mais fracos no primeiro trimestre podem marcar um possível piso no sentimento do mercado. Em contrapartida, uma recuperação gradual ao longo do segundo semestre de 2026 é considerada plausível dentro do cenário atual.

Pressões globais e comportamento do Bitcoin

O desempenho recente do Bitcoin também reflete fatores globais. Durante o fim de semana, o ativo manteve trajetória de queda após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, relacionadas a negociações com uma nova liderança no Irã. Assim, o ambiente geopolítico voltou a influenciar o apetite por risco.

O Bitcoin chegou a se aproximar de US$ 64.000 em momentos de maior pressão. Ainda assim, segue oscilando em uma faixa próxima entre US$ 65.000 e US$ 70.000, o que sugere um período de consolidação diante das incertezas externas.

Tensões geopolíticas elevam cautela

Relatos de ataques com mísseis e drones ampliaram a aversão ao risco global. Além disso, preocupações com infraestrutura energética e rotas estratégicas, como o Estreito de Hormuz, aumentaram a incerteza. Ao mesmo tempo, a postura dos Estados Unidos alterna entre diplomacia e ameaças mais firmes.

Como resultado, investidores adotam uma postura mais defensiva. Ainda assim, a ausência de movimentos extremos sugere que o mercado mantém relativa estabilidade, mesmo em meio às tensões.

Derivativos ajudam a conter volatilidade

Outro fator relevante envolve o mercado de derivativos. Investidores institucionais têm adotado estratégias como a venda de opções de compra cobertas. Com isso, transferem parte do risco para formadores de mercado, que, por sua vez, realizam operações de hedge.

Esse mecanismo tende a suavizar os movimentos de preço. Na prática, esses agentes compram em quedas e vendem em altas, o que contribui para manter o Bitcoin dentro de uma faixa mais estreita.

Em suma, o cenário atual reflete um equilíbrio entre pressões macroeconômicas e fundamentos estruturais positivos. Embora a queda expressiva nas ações do setor e a retração do Bitcoin sejam relevantes, o mercado ainda encontra suporte em tendências de longo prazo, enquanto investidores monitoram os próximos desdobramentos globais.