Bitcoin e Ethereum concentram capital com alta das altcoins

O Bitcoin e grandes altcoins registraram ganhos expressivos, mas o capital continuou concentrado em Bitcoin e Ethereum. Dados da Cryptex Finance indicaram uma alta ampla dos preços, sem avanço equivalente na distribuição dos recursos.

A empresa acompanha 36 ativos, que representam cerca de 92% do mercado de criptomoedas. Joe Sticco, cofundador da Cryptex Finance, afirmou que mais projetos participaram do rali. Ainda assim, os investidores não demonstraram preferência clara por setores ou vencedores individuais. Para ele, o mercado negociou como um único grupo.

Índice amplo reforça liderança do Bitcoin

O índice de mercado da Cryptex alcançou 1.199,69 pontos. Portanto, ficou quase 20% acima da base de 1.000 pontos, definida em 20 de fevereiro. O indicador reúne preços da Coinbase para 36 ativos distribuídos por cinco setores. Dessa forma, Sticco considera a amostra mais abrangente do que análises restritas ao Bitcoin e a poucas altcoins.

Nos sete dias anteriores à medição, porém, o índice avançou somente 1,92%. Grande parte da recuperação desde as mínimas recentes ocorreu durante cerca de 72 horas, entre 19 e 21 de agosto. Depois, o mercado passou vários dias em relativa estabilidade.

“Meça a partir da mínima e você verá um rali. Meça a semana anterior, que é o que a maioria dos leitores pensa estar recebendo, e não verá quase nada”, afirmou Sticco.

Nesse período, o Bitcoin acelerou após uma grande liquidação no mercado de derivativos e a renovação da demanda à vista. Em 19 de agosto, o BTC saiu de menos de US$ 65.000 e chegou perto de US$ 69.500. Ao mesmo tempo, liquidações eliminaram mais de US$ 1 bilhão em posições vendidas no intervalo de uma hora.

Baixa dispersão enfraquece tese de rotação

A dispersão dos preços também levou Sticco a rejeitar a hipótese de uma rotação completa de capital. No dia analisado, o melhor desempenho do índice alcançou 6,71%. Enquanto isso, o pior componente recuou 1,49%. A diferença ficou próxima de oito pontos percentuais, apesar da diversidade da amostra.

“Isso não é um mercado separando vencedores de perdedores. É um mercado se movendo como um bloco”, disse Sticco.

Assim, a baixa dispersão sugere que um fator comum impulsionou as criptomoedas simultaneamente. Em contraste, uma rotação ocorreria quando investidores transferissem recursos conforme os fundamentos de cada projeto. O Bitcoin subiu cerca de 14% em sete dias, enquanto XRP ganhou 28% e Solana avançou aproximadamente 19%.

Apesar das diferenças, a dominância do Bitcoin permaneceu entre 57% e 60%, conforme o universo analisado. Além disso, Sticco citou um Altcoin Season Index abaixo de 40 pontos. A marca ficou distante dos 75 pontos normalmente usados para indicar uma temporada de altcoins. Solana também permanecia mais de 50% abaixo do nível registrado em outubro de 2025.

ETFs de Bitcoin e Ethereum dominam os fluxos

Os produtos regulados ajudam a separar a valorização dos preços do destino do capital novo. Em uma sessão de quarta-feira, os ETFs à vista de Bitcoin dos Estados Unidos receberam cerca de US$ 232 milhões. Já os ETFs de Ether atraíram aproximadamente US$ 192 milhões.

Por sua vez, produtos de XRP receberam cerca de US$ 28 milhões. Produtos de HYPE captaram aproximadamente US$ 15 milhões, enquanto os de Solana receberam US$ 9 milhões. Pelos cálculos de Sticco, quase nove em cada dez dólares seguiram para Bitcoin e Ethereum.

Os dados semanais mostraram concentração semelhante. O Bitcoin respondeu por cerca de 71% dos fluxos, e o Ethereum ficou com outros 26%. Logo, os produtos à vista ajudaram na recuperação do Bitcoin, mas não mudaram a concentração dos recursos.

Até 24 de agosto, os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos acumularam aproximadamente US$ 1,9 bilhão em cinco sessões positivas. Posteriormente, a sequência chegou a oito sessões, com cerca de US$ 2,8 bilhões em entradas líquidas. Os ETFs de Ether também registraram oito sessões positivas e mais de US$ 1 bilhão em aportes.

Em agosto, os fluxos dos ETFs de Bitcoin superaram US$ 3 bilhões, no melhor mês de 2026 até então. A BlackRock absorveu uma parcela relevante da demanda, incluindo cerca de US$ 1,3 bilhão na semana anterior. Para Sticco, oito sessões consecutivas de criações reguladas à vista não resultam apenas da liquidação de posições vendidas.

Valorização dos fundos não equivale a novos aportes

O crescimento dos ativos líquidos dos fundos não representa necessariamente dinheiro institucional novo. Os valores mantidos pelos produtos passaram de aproximadamente US$ 77 bilhões, em meados de agosto, para pouco mais de US$ 99 bilhões. Contudo, as entradas líquidas reais durante as oito sessões somaram apenas cerca de US$ 2,8 bilhões.

Na prática, a valorização do Bitcoin elevou o valor das posições que os fundos já mantinham. Os investidores, portanto, não forneceram outros US$ 22 bilhões em capital novo. Entre 3 e 7 de agosto, cinco sessões positivas levaram aproximadamente US$ 853,5 milhões aos ETFs à vista de Bitcoin.

Esse movimento reverteu as saídas da semana anterior. Mesmo assim, Sticco alertou que agosto não deve ser analisado isoladamente. Na primeira metade de 2026, os ETFs à vista de Bitcoin perderam cerca de US$ 5,4 bilhões. Após os aportes recentes, o saldo anual ainda estava negativo em aproximadamente US$ 2,5 bilhões.

Liquidez e derivativos exigem indicadores diferentes

Sticco afirmou que a separação entre compras institucionais e alavancagem exige a análise de diferentes partes do mercado. Fluxos de ETFs e profundidade dos livros de ofertas ajudam a medir a demanda. Em contrapartida, taxas de financiamento, base dos futuros e interesse em aberto mostram o posicionamento dos traders.

A queda do interesse em aberto durante uma alta pode indicar fechamento de posições vendidas, não a chegada de novos compradores. Sticco evitou classificar o indicador atual como otimista ou pessimista. Isso ocorre porque algumas bases públicas usam Bitcoin, enquanto outras adotam valores em dólares. Consequentemente, elas podem apontar tendências distintas durante movimentos fortes do BTC.

“O preço mostra onde a última negociação ocorreu. A profundidade mostra quanto custará a próxima grande negociação”, afirmou Sticco.

Ele considerou os dados públicos de profundidade pouco atualizados para medir a recuperação da liquidez. Em outubro de 2025, um evento de desalavancagem eliminou entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões em posições. Na ocasião, a profundidade no melhor preço do Bitcoin caiu mais de 90% nas principais plataformas.

Em seguida, formadores de mercado reduziram a liquidez passiva após acumularem posições enquanto o mercado encerrava suas proteções. Com isso, os livros de ofertas chegaram aos menores níveis desde 2022. Na avaliação de Sticco, a estrutura institucional evoluiu mais rapidamente do que a liquidez do mercado subjacente.

Tesouro dos EUA e CLARITY Act entram no radar

As condições macroeconômicas também influenciaram o avanço recente. Em 19 de agosto, o Tesouro dos Estados Unidos ampliou as recompras de dívida de longo prazo. O órgão dobrou de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões o limite de certas operações voltadas ao suporte de liquidez.

Depois da decisão, os juros longos caíram e o Bitcoin avançou 8,2% em menos de 12 horas. O preço saiu de uma mínima intradiária próxima de US$ 64.100 e alcançou cerca de US$ 69.500. Quando as expectativas sobre juros mudaram, o BTC devolveu parte dos ganhos.

Sticco também destacou a correlação com ações de empresas de software. Para ele, essa relação mostra a crescente conexão do mercado de criptomoedas com as condições macroeconômicas dos Estados Unidos.

No campo regulatório, o CLARITY Act propõe dividir atribuições entre a SEC e a CFTC em partes do mercado de ativos digitais. O Comitê Bancário do Senado aprovou o projeto por 15 votos a 9 em maio. Os democratas Ruben Gallego e Angela Alsobrooks votaram com os republicanos. Entretanto, eles não garantiram apoio no plenário sem avanços nos pontos pendentes.

Uma votação de encerramento prevista para 15 de setembro exigirá 60 votos. A data coincide com o primeiro dia da reunião do Federal Reserve, marcada para 15 e 16 de setembro. Entre os impasses estão regras éticas, conflitos de interesse, finanças ilícitas e atribuições de procuradores-gerais estaduais. Também existem objeções bancárias aos rendimentos pagos por exchanges sobre saldos de stablecoins.

Na Polymarket, a probabilidade de aprovação em 2026 caiu de cerca de 82% em fevereiro para aproximadamente 25% no fim de agosto. A Galaxy Research estimou uma chance ainda menor, próxima de 10%.