Bitcoin e IA divergem em descentralização, diz Galaxy

Os caminhos de descentralização do Bitcoin e da inteligência artificial (IA) estão se afastando, segundo análises do setor. Enquanto a rede do Bitcoin apresenta maior concentração operacional, a IA passa a avançar em direção a modelos mais distribuídos e acessíveis.

Atualmente, em algumas regiões dos Estados Unidos, o custo de mineração já supera US$ 100 mil por unidade de operação, o que pressiona margens e incentiva a migração. Como resultado, operadores buscam alternativas mais baratas em países como Paraguai e Etiópia, onde o excedente de energia hidrelétrica reduz custos de forma relevante.

Dados citados pela KuCoin indicam que esse movimento já está em curso. Nesse sentido, parte da taxa de hash se desloca gradualmente para o chamado “Sul Global”. Por consequência, analistas avaliam que essa redistribuição pode fortalecer a rede do Bitcoin, ao reduzir dependência de uma única jurisdição e mitigar riscos políticos e energéticos.

Embora essa dinâmica se afaste da visão originalmente atribuída a Satoshi Nakamoto, ela ainda preserva o princípio de distribuição da rede. Ainda assim, essa descentralização ocorre sob uma nova lógica operacional.

Transformações estruturais na mineração

Ao longo do tempo, a mineração de Bitcoin deixou de ser acessível ao usuário comum. Inicialmente, CPUs e GPUs eram suficientes. No entanto, o cenário atual é dominado por equipamentos ASIC altamente especializados.

Além disso, grandes operações industriais passaram a liderar o setor. Dessa forma, criou-se uma barreira relevante entre participantes casuais e grandes mineradores. Como resultado, houve aumento da concentração de poder computacional.

Ao passo que a dispersão geográfica cresce, a infraestrutura se concentra. Em outras palavras, a descentralização avança no mapa global, mas não necessariamente na estrutura operacional.

IA segue trajetória oposta

Enquanto isso, a inteligência artificial apresenta um movimento inverso. Segundo Alex Thorn, chefe de pesquisa da Galaxy, a IA começou altamente centralizada em grandes data centers controlados por poucas empresas.

No entanto, limitações como escassez de dados, restrições de memória e gargalos de contexto impulsionam mudanças. Assim, modelos menores e mais eficientes ganham espaço.

“Se os modelos locais continuarem ficando menores, mais baratos e mais eficientes, a IA pode se tornar cada vez mais pessoal e executada diretamente nos dispositivos”, afirmou Thorn.

Esse movimento se conecta ao conceito de edge computing, no qual o processamento ocorre localmente, sem depender de servidores remotos. Além disso, essa abordagem atende à crescente demanda por privacidade e respostas em tempo real.

Expansão do mercado e implicações

O mercado global de IA em edge computing foi avaliado em cerca de US$ 25 bilhões em 2025. Segundo a Grand View Research, esse valor pode alcançar aproximadamente US$ 120 bilhões até 2033. Portanto, o crescimento reflete a expansão de dispositivos conectados e a necessidade de processamento instantâneo.

Setores como saúde, logística e manufatura lideram essa adoção. Isso ocorre porque essas áreas exigem baixa latência e alta confiabilidade. Assim, a descentralização da IA se consolida fora dos grandes data centers.

Desafios persistentes para o Bitcoin

Por outro lado, o Bitcoin enfrenta desafios distintos. A concentração da mineração em grandes operadores levanta preocupações sobre a resiliência da rede no longo prazo.

Quando poucos participantes controlam parcela relevante da taxa de hash, o sistema pode se tornar mais sensível a falhas ou eventos coordenados. Ainda assim, especialistas destacam que a distribuição geográfica pode compensar parte desse risco.

BTCUSD em negociação a US$ 70.791. Gráfico: TradingView

Em suma, os dados indicam trajetórias divergentes. Enquanto o Bitcoin evolui para um modelo mais concentrado em infraestrutura, a inteligência artificial avança rumo a soluções distribuídas. Dessa forma, ambas redefinem, por caminhos distintos, o conceito moderno de descentralização.