Bitcoin e S&P 500 mantêm correlação diária positiva

O Bitcoin atingiu uma correlação negativa de preços com o S&P 500, no menor nível desde 2015, conforme a Bitwise. Contudo, os retornos diários dos dois mercados mantiveram correlação positiva em uma amostra de 260 observações. Portanto, a divergência das trajetórias não garante proteção para carteiras que combinam ações americanas e Bitcoin.

O relatório Market Compass, de 7 de setembro, calculou uma correlação de 260 dias com os logaritmos dos preços. Essa métrica ficou próxima de -0,62 em dados públicos. Em contrapartida, a correlação entre os retornos percentuais alcançou +0,40 no mesmo intervalo. As duas medidas, porém, respondem a perguntas diferentes sobre o comportamento dos mercados.

A correlação dos níveis de preço acompanha a direção das trajetórias durante o período. Já a correlação dos retornos verifica se ganhos e perdas percentuais ocorreram em conjunto. Assim, uma relação negativa entre preços não implica covariância negativa entre retornos nem assegura compensação durante quedas da bolsa.

Bitcoin e ações ainda podem cair juntos

Os dados de Bitcoin no FRED e a série do S&P 500 evidenciam essa diferença. Nas últimas 260 datas comuns até 4 de setembro, a correlação dos níveis logarítmicos ficou em -0,6161. Por outro lado, os 260 retornos percentuais registraram correlação de +0,3957. A janela dos retornos começou em 25 de agosto de 2025 e terminou em 4 de setembro de 2026.

O cálculo dos retornos exige um preço inicial adicional. Além disso, o resultado dos níveis logarítmicos funciona como aproximação, não como reprodução exata do cálculo com dados da Bloomberg. O histórico público do S&P 500 no FRED cobre somente dez anos. Por isso, essa série não confirma de forma independente a classificação histórica citada pela Bitwise.

Os resultados também mudaram conforme a janela analisada. Na mesma base, com horários não sincronizados, a correlação dos retornos foi de +0,14 em 30 observações. O indicador alcançou +0,32 em 60 observações, +0,34 em 126 e +0,13 em 500. Entretanto, essas janelas se sobrepõem e não comprovam uma correlação fixa de longo prazo.

Alocação em Bitcoin altera o risco da carteira

Uma carteira hipotética demonstra como essa diferença pode afetar investidores. A substituição de 5% da parcela em ações por Bitcoin elevou a volatilidade anualizada na janela de 260 retornos. Da mesma forma, o máximo drawdown, que mede a maior queda entre pico e vale, aumentou. Ainda assim, a janela de 500 retornos apresentou um resultado diferente.

Janela de retornos em datas comunsAlocaçãoVolatilidade anualizadaMáximo drawdown
260 observações100% S&P 50012,68%9,10%
260 observações95% S&P 500 / 5% Bitcoin13,01%9,98%
500 observações100% S&P 50016,11%18,90%
500 observações95% S&P 500 / 5% Bitcoin15,73%18,66%

 

Na janela de 500 retornos, a mesma alocação reduziu levemente a volatilidade e o máximo drawdown. Os cálculos usaram os arquivos de preços do Bitcoin e de dados do S&P 500. Nesse sentido, o cálculo redefiniu as ponderações em cada data comum. A simulação não considerou taxas, impostos ou dividendos.

Ambas as janelas terminaram em 4 de setembro de 2026. Como o S&P 500 é um índice de preços, os números não representam uma comparação de retorno total. Já o máximo drawdown corresponde à maior queda desde um pico anterior da carteira dentro da amostra.

Quedas do S&P 500 coincidem com perdas do Bitcoin

O S&P 500 caiu em 115 datas comuns da amostra de 260 retornos. O Bitcoin recuou em 76 dessas sessões. Considerando todas as sessões de baixa das ações, o Bitcoin registrou perda média de 1,03%. Nesse subconjunto, a correlação entre os retornos ficou em +0,29.

Durante quedas mais intensas, os movimentos conjuntos apareceram com maior frequência. Nas 25 observações em que o S&P 500 caiu mais de 1%, o Bitcoin recuou em 22. Além disso, a perda média do Bitcoin alcançou 2,59% nessas datas. O resultado reforça a diferença entre trajetórias de preços e retornos diários.

Houve somente três sessões com baixa superior a 2% nas ações. O Bitcoin caiu nas três datas e registrou perda média de 4,23%. Entretanto, essa amostra pequena não permite estimar seu comportamento durante um eventual crash da bolsa.

Esses números descrevem a amostra, mas não determinam as causas dos movimentos. Alterações na janela, no limite de perda ou no horário de medição podem mudar os resultados. Assim, os dados não estabelecem uma relação fixa entre os dois mercados.

Proxy do FRED até 4 de setembro de 2026 mostra correlação de preços logarítmicos de -0,62 e de retornos de +0,40; Bitcoin caiu em 76 de 115 sessões de baixa das ações.

 

Diferenças de horário limitam a comparação

O FRED registra o preço do Bitcoin na Coinbase às 17h, no horário do Pacífico. Já o S&P 500 representa o fechamento do mercado americano, normalmente às 16h no horário do Leste. Portanto, os registros compartilham a mesma data de calendário, mas não o mesmo horário. Essa diferença limita comparações diretas entre as variações.

O método manteve datas com observações válidas para ambos os mercados. Em seguida, mediu as variações entre datas comuns consecutivas. Dessa forma, movimentos do Bitcoin em fins de semana e feriados entraram no intervalo. O cálculo não repetiu preços das ações para criar novas observações.

A diferença de horário alterou os resultados de modo relevante. Ao deslocar as observações do Bitcoin um dia para trás, a correlação de 260 retornos caiu para +0,14. Quando o cálculo moveu os registros um dia à frente, o indicador recuou para +0,03. Na janela de 30 observações, os mesmos deslocamentos produziram -0,30 e -0,37.

Esses ajustes testam possíveis efeitos de antecipação e defasagem, mas não sincronizam os preços. Por isso, a correlação de +0,40 não representa uma medida exata entre Bitcoin e ações no mesmo instante. A Bitwise também alertou que períodos de descorrelação normalmente não duram. Ainda assim, a gestora considera improvável repetir a alta de cerca de 9.800% ocorrida entre meados de 2015 e o fim de 2017.

A correlação negativa dos níveis logarítmicos mostra trajetórias de preço cada vez mais diferentes no período analisado. Contudo, os retornos indicam que Bitcoin e S&P 500 perderam valor juntos em muitas sessões. Logo, o risco depende da alocação, da volatilidade, do horário de medição e da janela escolhida.