Bitcoin encara alerta de risco quântico

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Bitcoin voltou ao debate sobre segurança nesta segunda-feira, 19 de outubro de 2026, após Mario Nawfal publicar no X um alerta sobre computação quântica, identidade digital e infraestrutura crítica. A mensagem cita bancos, redes elétricas, sistemas militares e criptoativos protegidos por criptografia tradicional.

O comentário também menciona David Carvalho, fundador e CEO da Naoris Protocol, hoje ligada à marca NaoX Protocol. Nawfal apresentou o alerta como parte de uma entrevista sobre Q-Day, nome usado para o cenário em que um computador quântico suficientemente avançado poderia quebrar esquemas criptográficos usados atualmente.

O que o alerta afirma

A publicação de Nawfal usa um tom forte ao dizer que uma máquina quântica poderia falsificar identidades e emitir ordens aparentemente legítimas. No entanto, o ponto técnico mais relevante para o Bitcoin não envolve uma quebra imediata da rede, e sim o risco futuro sobre assinaturas digitais.

Essas assinaturas provam a posse dos fundos. Portanto, a preocupação recai principalmente sobre moedas cujas chaves públicas já apareceram on-chain. Em carteiras que ainda não revelaram a chave pública, o risco de exposição direta é menor enquanto os fundos não forem movimentados ou enquanto não houver reutilização de endereço.

Risco técnico recai sobre chaves públicas

Um estudo publicado em 2026 no arXiv afirma que, na data do trabalho, não existia um computador quântico criptograficamente relevante capaz de quebrar Bitcoin ou Ethereum. Ainda assim, os autores estimam que cerca de 6 milhões de bitcoins, aproximadamente 30% da oferta, estavam em posições com alguma exposição quântica.

Segundo o estudo, cerca de 2,3 milhões de BTC formam a parte mais difícil de mitigar. Esse grupo inclui moedas dormentes, perdidas ou ligadas à era de Satoshi, pois os responsáveis por essas carteiras talvez nunca consigam migrar os fundos para endereços resistentes a ataques quânticos.

Além disso, o trabalho separa a ameaça às assinaturas do mecanismo de prova de trabalho. Na avaliação dos autores, a mineração do Bitcoin não aparece como o alvo mais sensível, porque o ganho quântico sobre hashing seria limitado e a dificuldade da rede poderia se ajustar. O problema central, portanto, está nas chaves que autorizam movimentações.

Esse debate também aparece na BIP 361, proposta técnica que descreve uma migração para assinaturas pós-quânticas. O texto afirma que mais de 34% dos bitcoins já haviam revelado uma chave pública on-chain em 1º de março de 2026. A proposta, porém, ainda não representa uma mudança adotada pela rede.

NIST acelerou a transição pós-quântica

O alerta ocorre em um contexto no qual governos e empresas já tratam a transição criptográfica como tema concreto. Em agosto de 2024, o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos, o NIST, finalizou três padrões de criptografia pós-quântica e orientou administradores de sistemas a iniciar a migração.

Para o mercado cripto, no entanto, a transição exige mais do que trocar bibliotecas de software. Redes públicas dependem de consenso social, coordenação entre carteiras, exchanges, desenvolvedores, mineradores e usuários, além de regras que preservem fundos legítimos durante qualquer mudança de assinatura.

NaoX busca espaço na infraestrutura pós-quântica

A publicação de Nawfal também recoloca a NaoX no centro da discussão. Em julho de 2026, o projeto informou que Naoris Protocol passou a se chamar NaoX Protocol, mantendo o token NAORIS, a rede principal e a proposta de uma blockchain de camada 1 com criptografia pós-quântica.

Segundo o comunicado do próprio projeto, a rede usa assinaturas baseadas no padrão NIST FIPS 204 e mantém compatibilidade com EVM. Essa informação deve ser lida como declaração do protocolo, já que segurança efetiva, adoção e liquidez dependem de validação contínua por usuários, auditores e participantes de mercado.

Em abril de 2026, a CoinDesk noticiou o lançamento da blockchain resistente a ameaças quânticas da então Naoris. A reportagem citou testes com mais de 106 milhões de transações pós-quânticas, 3,3 milhões de carteiras e mais de 1 milhão de nós de segurança ativados durante a fase de testnet.

Ainda assim, as fontes técnicas consultadas não comprovam que o Q-Day seja iminente. O tema ganhou força porque a padronização do NIST, estudos acadêmicos e propostas como a BIP 361 mostram que o risco deixou de ser apenas teórico. Para o Bitcoin, a discussão prática agora envolve custódia, reutilização de endereços, wallets e uma possível migração coordenada de longo prazo.

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