Bitcoin enfrenta pressão enquanto ouro brilha

Bitcoin enfrenta pressão enquanto ouro brilha

A força do mercado cripto está sendo colocada à prova neste fim de agosto. O Bitcoin, apesar de sustentar níveis relevantes de suporte, encontra sinais on-chain preocupantes. Além disso, enquanto o ouro segue em alta, a maior criptomoeda enfrenta resistência em recuperar seu brilho diante de fatores macroeconômicos.

Sinais on-chain levantam alerta para o bitcoin

O Bitcoin Bull Score, métrica composta que acompanha o MVRV Z-Score, indicadores de ciclo e margens de lucro dos traders, atingiu 20. Historicamente, essa leitura está associada a condições de baixa. O sinal aparece justamente quando o BTC negocia em torno de US$ 113.000, pairando acima de suportes técnicos importantes, mas demonstrando rachaduras na força do mercado.

De acordo com o analista JA_Maartun, esse nível deve ser levado a sério, já que uma pontuação de 20 sinaliza deterioração das condições fundamentais que sustentaram a última alta. Outros especialistas, como Axel Adler Jr., reforçam essa visão. Ele destacou que o mercado está perigosamente próximo do território baixista, com um índice integral em 43%, abaixo do limite-chave de 45%.

Esse quadro foi descrito como uma baixa “suave”, em que o mercado pode se recuperar com fluxos positivos de derivativos em questão de horas. No entanto, sem esse suporte, o BTC tende a depender apenas de recuperações técnicas, sem a força necessária para uma reversão consistente.

Segundo a Glassnode, existe um suporte fundamental entre US$ 107.000 e US$ 108.900. Uma quebra desse patamar poderia abrir espaço para uma correção mais profunda, possivelmente até US$ 93.000.

A teoria dos ciclos em debate

Essa leitura cautelosa colide com previsões mais otimistas. O analista Cryptobirb, por exemplo, sugeriu que a atual alta está 93% concluída e que o pico pode acontecer entre o fim de outubro e meados de novembro de 2025.

No entanto, o tradicional ciclo de quatro anos do Bitcoin vem sendo cada vez mais questionado. Muitos especialistas acreditam que o mercado não segue mais o padrão clássico, em que o capital migra do Bitcoin para o Ethereum e, depois, para as altcoins. Em vez disso, estariam ocorrendo “miniciclos isolados”, caracterizados por movimentos independentes de ativos específicos.

Se essa visão estiver correta, os traders precisarão rever seus modelos. Afinal, uma mudança estrutural no comportamento do capital pode alterar de forma permanente a maneira como as altas e quedas se desenvolvem.

Além disso, há indicadores adicionais que reforçam a tese de enfraquecimento. A média móvel de 30 dias da relação Compra/Venda do Taker caiu para 0,98, seu menor nível em sete anos. Esse dado indica predominância de ordens de venda, cenário que costuma anteceder quedas relevantes de preço.

Ação de preço reforça instabilidade

Apesar dos sinais de baixa, o preço do BTC mostrou respiro no curto prazo. Nas últimas 24 horas, a criptomoeda subiu 2,14%, alcançando US$ 113.094. Porém, no acumulado de sete dias, houve leve queda inferior a 1%. Quando analisados períodos maiores, os números são mais preocupantes: recuo de 8,2% em duas semanas e de quase 5% em um mês.

Atualmente, o Bitcoin está 9,1% abaixo de sua máxima recente, registrada em US$ 124.457. Sua faixa de negociação da última semana, entre US$ 109.214 e US$ 117.016, mostra que o mercado segue indeciso quanto à direção futura.

Ouro ganha força enquanto criptos hesitam

Enquanto o Bitcoin enfrenta turbulência, o ouro mostra desempenho sólido. Na quinta-feira, o metal subiu mais 0,8%, chegando a US$ 3.477 por onça. Assim, ficou a poucos dólares do recorde de US$ 3.534, alcançado no início do mês.

O contraste é evidente: em agosto, o ouro valorizou quase 4%, enquanto o BTC caiu 5,2%. Mesmo fatores macroeconômicos que tradicionalmente beneficiariam o Bitcoin, como juros mais baixos e dólar enfraquecido, não têm surtido o mesmo efeito no chamado “ouro digital”.

A perspectiva de novos cortes de juros pelo Federal Reserve, previstos para setembro, além da possibilidade de nomeações dovish no banco central dos EUA, pode manter o ouro em trajetória positiva. Esses movimentos adicionam mais um elemento de pressão ao Bitcoin, que não conseguiu capitalizar sobre esse cenário macro favorável.

Entre as altcoins, o destaque recente foi a Solana (SOL), com alta de 3,1% em 24 horas. Em contrapartida, Ethereum (ETH) e XRP registraram quedas de 2,1% e 1,4%, respectivamente, reforçando a dificuldade generalizada das criptos em sustentar avanços no curto prazo.

O atual cenário apresenta um contraste marcante: o Bitcoin luta contra sinais técnicos e on-chain de enfraquecimento, enquanto o ouro atrai fluxo e renova sua força como porto seguro. Essa divergência evidencia que o mercado cripto precisa de novos gatilhos para recuperar o entusiasmo. Enquanto isso, investidores seguem atentos ao comportamento do BTC nos suportes críticos, sabendo que uma perda significativa pode redefinir a trajetória para os próximos meses.