Bitcoin enfrenta teste com Tesouro dos EUA a US$ 1 tri
O Tesouro dos Estados Unidos mantinha cerca de US$ 1,016 trilhão em sua conta no Federal Reserve em 28 de outubro. Agora, as decisões de financiamento previstas para esta semana podem testar as condições de liquidez do Bitcoin. Uma eventual redução desse saldo até o fim do ano poderia devolver reservas aos bancos e aliviar as condições de financiamento.
O resultado, porém, dependerá das novas projeções de caixa e dívida que o Tesouro divulgará em 2 de novembro. Em seguida, o órgão apresentará seus planos de emissão e recompra de títulos em 4 de novembro. Às 10h41 UTC de 2 de novembro, o Bitcoin era negociado perto de US$ 77.865, abaixo de US$ 80 mil.
Diferença de US$ 166 bilhões no caixa do Tesouro
O balanço do Federal Reserve de 29 de outubro mostrou que a Conta Geral do Tesouro somava US$ 1,016 trilhão. Conhecida pela sigla TGA, essa conta concentrava o saldo registrado em 28 de outubro. Em agosto, o Tesouro projetava US$ 850 bilhões para o fim de dezembro.
Portanto, a diferença entre o dado observado e a previsão anterior alcança aproximadamente US$ 166 bilhões. Essa comparação indica quanto a TGA precisaria cair para atingir a projeção divulgada em agosto. Na época, a estimativa de financiamento previa US$ 628 bilhões em captação líquida negociável privada no quarto trimestre.
Assim, a nova hipótese para o caixa no fim do ano tornou-se o ponto central da análise. O Tesouro também havia previsto um pico de US$ 1,05 trilhão no fim de outubro, com margem de US$ 50 bilhões. A declaração de refinanciamento de agosto associou esse colchão aos grandes pagamentos esperados no período.
O saldo de 28 de outubro permaneceu dentro da faixa projetada. Ainda assim, uma única leitura não confirma o pico final do caixa. As próximas estimativas devem indicar se o Tesouro pretende reduzir a TGA até dezembro.

Fonte: dados do Tesouro dos Estados Unidos e do Federal Reserve.
Reservas bancárias dependem de outros fluxos
Se o Tesouro mantiver a projeção anterior, haverá espaço para uma queda relevante do saldo atual. Em contrapartida, uma meta maior reduziria essa margem, enquanto uma meta menor ampliaria o potencial de liberação das reservas. O anúncio de 2 de novembro atualizará as estimativas de empréstimos e caixa.
Os pagamentos do Tesouro transferem recursos da TGA para instituições depositárias no banco central. Dessa forma, essas operações elevam as reservas bancárias, conforme explica o Federal Reserve. Já os impostos e as compras privadas de dívida pública direcionam recursos à TGA e absorvem reservas.
No entanto, os dados de outubro mostram que o caixa do Tesouro não explica sozinho a variação das reservas. Na semana encerrada em 28 de outubro, a média das reservas bancárias caiu US$ 69 bilhões, para US$ 2,894 trilhões. Enquanto isso, a TGA subiu US$ 48 bilhões e outros depósitos cresceram US$ 16 bilhões.
Por sua vez, os fatores totais que fornecem reservas recuaram US$ 1 bilhão durante o período. Os números reforçam que vários fluxos afetam simultaneamente a liquidez do sistema bancário. Logo, a evolução da TGA precisa ser analisada em conjunto com esses componentes.
Emissões definem o teste de financiamento
O tipo de dívida emitida também influencia a pressão sobre intermediários financeiros, conhecidos como dealers, e seus clientes. Um estudo do Federal Reserve, publicado em 30 de outubro, analisou os efeitos das novas emissões. O levantamento concluiu que elas ampliam os estoques dos dealers e a demanda por financiamento dos clientes.
Além disso, títulos com cupom, como notes e bonds, geram efeitos estimados maiores nos balanços do que as letras do Tesouro. Em geral, os estoques dos dealers diminuem após alguns dias. Contudo, a demanda por financiamento pode persistir mesmo após a transferência dos papéis aos clientes.
A amostra principal do estudo abrangeu o período entre janeiro de 2016 e junho de 2025. Nesse sentido, os resultados ajudam a avaliar como a composição das emissões pode afetar o financiamento. O cronograma apresentado pelo Tesouro será relevante para medir essa possível pressão.
As recompras de títulos em circulação podem aliviar pressões específicas sobre os estoques, enquanto o governo continua captando recursos. Em 19 de agosto, o Tesouro elevou o limite das operações de suporte à liquidez de longo prazo. O teto passou de US$ 2 bilhões para ao menos US$ 4 bilhões por operação, com vigência entre 9 de setembro e 4 de novembro.
Esses valores representam limites por operação, e não compras efetivamente realizadas. Ao mesmo tempo, o Tesouro afirmou que as recompras não devem alterar de forma relevante a captação líquida negociável privada. Isso ocorre porque novas emissões substituem os títulos recomprados.
Demanda por risco completa a hipótese
Para o Bitcoin, a questão central é se a combinação entre caixa, emissões e recompras facilitará o financiamento. Uma meta menor de caixa pode coexistir com emissões que mantenham os intermediários sob pressão. Por isso, investidores precisam avaliar o volume captado, os vencimentos e o cronograma de liquidação em conjunto.
A ligação com o Bitcoin permanece como uma hipótese baseada nas condições financeiras. Um estudo do Fundo Monetário Internacional de 2023 analisou a relação entre política monetária e preços das criptomoedas. O documento concluiu que o aperto do Fed reduziu um fator amplo de preços por meio da menor disposição dos investidores ao risco.
Apesar disso, a gestão de caixa do Tesouro difere de uma mudança na política monetária. Uma queda efetiva da TGA, reservas estáveis e menor tensão no mercado de recompra fortaleceriam a tese de alívio. Da mesma forma, entradas sustentadas em produtos de investimento em Bitcoin e compras à vista mais fortes reforçariam esse cenário.
Por outro lado, uma meta maior de caixa reduziria a possibilidade de liberação de reservas. Novas quedas nas reservas bancárias ou pressões persistentes sobre o financiamento também enfraqueceriam a hipótese. Portanto, os próximos anúncios do Tesouro serão decisivos para avaliar o teste de liquidez.
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