Bitcoin: Eric Trump desafia Strategy com mineração

Eric Trump, cofundador e diretor de estratégia da American Bitcoin (ABTC), revelou uma estratégia agressiva de acumulação de Bitcoin que posiciona a empresa como concorrente direta da Strategy, liderada por Michael Saylor.

Durante participação na conferência Bitcoin 2026, em Las Vegas, Trump afirmou que o ativo atravessa um de seus momentos mais favoráveis. Segundo ele, os últimos seis meses transformaram o mercado, impulsionados pelo lançamento recorde de ETFs, pela crescente adoção institucional e pela entrada de grandes bancos com produtos ligados ao Bitcoin.

Trata-se, portanto, de uma avaliação feita por um executivo diretamente envolvido em uma operação que vem ganhando relevância no segmento de tesourarias corporativas em Bitcoin.

Mineração integrada redefine estratégia da American Bitcoin

O principal diferencial da American Bitcoin está em sua estrutura operacional. Enquanto a Strategy recorre ao mercado de capitais para adquirir Bitcoin, a ABTC adota uma abordagem distinta ao minerar o ativo antes de acumulá-lo.

De acordo com Eric Trump e Asher Genoot, presidente executivo do conselho da empresa, essa estratégia amplia a eficiência operacional. Além disso, a parceria com a Hut 8 Corp. (Nasdaq: HUT) garante infraestrutura robusta, com a empresa detendo 80% da operação após aportar equipamentos ASIC.

Dessa forma, a ABTC consegue adquirir Bitcoin a um custo inferior ao preço de mercado à vista. Atualmente, a produção varia entre oito e dez BTC por dia. Ao mesmo tempo, a companhia mantém compras recorrentes e uma política rigorosa de retenção.

Em contraste com mineradoras tradicionais, a empresa não vende os ativos para cobrir despesas operacionais. Pelo contrário, direciona todo o BTC minerado ao tesouro corporativo, classificando o sistema como uma “máquina absoluta de acumulação”.

Expansão operacional e desempenho inicial

Os dados iniciais indicam crescimento relevante. Desde a estreia na Nasdaq, em setembro de 2025, até janeiro de 2026, a empresa registrou rendimento aproximado de 116% em sua posição em Bitcoin, considerando mineração e compras diretas.

Atualmente, a ABTC detém 6.899 BTC, avaliados em cerca de US$ 474 milhões. Com isso, ocupa a 16ª posição entre as maiores detentoras corporativas do ativo.

Além disso, em março de 2026, a companhia ampliou sua capacidade com a aquisição de 11.298 novos mineradores ASIC. Como resultado, o poder computacional cresceu cerca de 12%, adicionando aproximadamente 3,05 EH/s ao hashrate. Os equipamentos foram instalados na unidade de Drumheller, em Alberta, no Canadá.

Diferença para a Strategy ainda é expressiva

Apesar da expansão, a distância em relação à Strategy permanece significativa. A empresa liderada por Michael Saylor detinha 818.334 BTC ao final do primeiro trimestre de 2026, o equivalente a cerca de US$ 61,81 bilhões.

Por outro lado, a proposta da American Bitcoin segue uma lógica estrutural distinta. Segundo Eric Trump, a integração entre mineração e tesouraria reduz o custo médio de aquisição, o que pode gerar vantagem competitiva ao longo do tempo.

No entanto, o desempenho desse modelo depende de fatores críticos. Entre eles estão o preço do Bitcoin, a economia da mineração, a dificuldade da rede e a capacidade de expansão do hashrate.

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Fonte: BTCUSD no Tradingview

No momento da redação, o Bitcoin era negociado próximo de US$ 81.500. Enquanto isso, a American Bitcoin mantém quase 7.000 BTC em tesouraria, reforçando sua estratégia de acumulação disciplinada em diferentes faixas de preço.

Em conclusão, as declarações de Eric Trump, combinadas com os dados operacionais e a expansão recente, evidenciam uma abordagem alternativa no mercado corporativo de Bitcoin, baseada na integração entre mineração e gestão de tesouraria.