Bitcoin: especialista em TI é preso por furto de US$ 1,9 mi

A polícia de Miami prendeu Nahum Reynaldo Castro, de 40 anos, após acusá-lo de desviar quase US$ 2 milhões em Bitcoin de um antigo empregador. Segundo as autoridades, o caso permaneceu oculto por anos, enquanto a carteira de hardware com os ativos ficava guardada em um cofre.

Castro entrou na mira da polícia na terça-feira. O relatório de prisão citado no caso lista acusações de grande furto, lavagem de dinheiro, uso ilegal de dispositivo de comunicação e crimes contra usuários de computador.

Carteira de hardware ficou guardada em cofre

A apuração aponta que a história começou em dezembro de 2017. Naquele período, a vítima decidiu comprar Bitcoin como investimento de longo prazo. A fim de armazenar os ativos digitais, ela adquiriu uma carteira de hardware e confiou a configuração e a segurança do dispositivo a Castro.

Castro trabalhava para a vítima desde 2013 e atuava como especialista em TI. Até o fim de janeiro de 2018, ele havia armazenado mais de US$ 217 mil em Bitcoin em nome do empregador. Em seguida, a carteira física ficou dentro de um cofre na residência da vítima.

Durante anos, o dispositivo não apresentou movimentação aparente. No entanto, a situação mudou em julho de 2025. Durante uma mudança, a vítima abriu o cofre e acessou a carteira. Então, encontrou o dispositivo vazio.

Segundo o relatório de prisão, os Bitcoins retirados já valiam mais de US$ 1,9 milhão no momento da descoberta. Além disso, os investigadores concluíram que o desvio ocorreu em 2020. Ou seja, a retirada teria acontecido mais de cinco anos antes de a vítima perceber o desaparecimento dos fundos.

Suposto desvio ocorreu antes da saída do funcionário

Outro ponto chamou a atenção dos investigadores. De acordo com o documento, Castro continuou trabalhando para o empregador até 2024. Dessa forma, o intervalo entre a suposta retirada dos valores e a descoberta do rombo ampliou a relevância do caso.

O episódio mostra como a custódia de ativos digitais pode esconder riscos por anos, sobretudo quando o titular não verifica o saldo com frequência. Embora as transações de Bitcoin fiquem registradas em blockchain pública, a recuperação de valores desviados costuma ser complexa.

Ainda assim, a trilha deixada pelas movimentações financeiras e digitais pode ajudar autoridades a reconstruir o caminho do dinheiro. Nesse caso, os investigadores analisaram tanto o acesso à carteira quanto registros bancários ligados ao suspeito.

Frase-semente virou ponto central da investigação

Um elemento decisivo da apuração foi a frase-semente da carteira. Em outras palavras, ela funciona como a chave mestre de recuperação e permite acesso total aos fundos armazenados. Segundo o relatório, apenas duas pessoas conheciam essa sequência: a vítima e Nahum Reynaldo Castro.

Além disso, os registros bancários tiveram papel central. Depósitos feitos nas contas de Castro coincidiam com retiradas da carteira de Bitcoin, segundo a apuração. Por isso, os investigadores afirmam que obtiveram a confirmação financeira necessária para ligar o suspeito ao furto.

O caso reforça um alerta recorrente em segurança de custódia. Em primeiro lugar, concentrar toda a confiança em uma única pessoa durante a configuração de uma carteira amplia o risco operacional. Em segundo lugar, o conhecimento isolado da frase-semente pode permitir desvios silenciosos, principalmente sem auditoria periódica.

Por consequência, o episódio destaca a importância de controles básicos. Entre eles estão validação regular dos saldos, separação de responsabilidades e armazenamento seguro das credenciais de recuperação. Embora o relatório trate de um caso específico, a dinâmica descrita vale para qualquer investidor com exposição relevante a ativos digitais.

Prisão encerra sequência iniciada em 2017

Após a prisão, as autoridades levaram Castro à cadeia. Ele deveria comparecer à audiência de fiança na quarta-feira. Até o momento citado no relatório, Castro ainda não havia apresentado declaração formal no processo.

Assim, o caso reúne eventos distribuídos por quase uma década. A compra inicial ocorreu em 2017, a suposta retirada dos fundos teria ocorrido em 2020, a vítima descobriu o prejuízo em julho de 2025 e a polícia prendeu Castro agora em Miami. Acima de tudo, a investigação indica como falhas de confiança e custódia podem gerar perdas milionárias, mesmo quando os ativos parecem protegidos dentro de um cofre.

O autor:

Contabilidade de Criptomoedas