Bitcoin: ETFs nos EUA têm saída de US$ 296 mi
Os ETFs spot de Bitcoin listados nos Estados Unidos registraram cerca de US$ 296 milhões em saídas líquidas entre 24 e 27 de março. O movimento sugere uma mudança no apetite por risco global. A princípio, a semana começou positiva, com entradas de US$ 167,2 milhões na segunda-feira. No entanto, o cenário se inverteu ao longo dos dias.
Na sexta-feira, a pressão vendedora se intensificou, com US$ 225,5 milhões em saídas em apenas um dia. Além disso, o ETF iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock, liderou os resgates. Como resultado, o fluxo semanal figura entre os episódios mais relevantes de redução de exposição institucional desde o lançamento desses produtos, em janeiro de 2024.
Fluxo negativo reflete ambiente macro mais cauteloso
Saídas ocorrem de forma disseminada
Os dados indicam que a retirada de capital não ficou concentrada em um único fundo. Pelo contrário, houve um movimento disseminado entre os principais ETFs. Na quinta-feira, 26 de março, os 11 ETFs spot registraram juntos saída de US$ 171,12 milhões, o maior volume diário em mais de três semanas.
O IBIT perdeu US$ 41,92 milhões nesse dia. Ao mesmo tempo, produtos como Fidelity Wise Origin Bitcoin Fund (FBTC), Grayscale Bitcoin Trust (GBTC), Bitwise Bitcoin ETF (BITB) e ARK 21Shares Bitcoin ETF (ARKB) registraram resgates entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões cada. Dessa forma, o comportamento coletivo reforça a leitura de um ajuste mais amplo, possivelmente ligado ao cenário macroeconômico.
Quando apenas um fundo apresenta saídas, o motivo tende a ser pontual. No entanto, movimentos simultâneos entre os principais produtos costumam indicar mudança mais abrangente no posicionamento institucional. Nesse sentido, investidores parecem ter reduzido risco de forma estratégica.

Fonte: SoSoValue
Segundo analistas, o pano de fundo é um ambiente global mais defensivo. Josh Gilbert, analista de mercado da eToro, afirmou que o Bitcoin atingiu mínimas de três semanas. Além disso, o índice S&P 500 acumulou sua quinta semana consecutiva de queda, algo que não ocorria desde 2022.
“O sentimento de aversão ao risco domina os mercados neste momento. As forças macroeconômicas estão se intensificando”, afirmou Gilbert.
Entre os fatores de pressão estão a alta do petróleo e preocupações persistentes com a inflação. Como consequência, aumentam as expectativas de adiamento nos cortes de juros. Assim, ativos de risco, como o Bitcoin, tendem a perder atratividade.
Além disso, tensões geopolíticas ampliaram a volatilidade. Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre possíveis ações envolvendo o petróleo iraniano influenciaram tanto commodities quanto mercados financeiros. Portanto, o ambiente externo segue como fator determinante.
Níveis técnicos do Bitcoin entram no radar
Suportes e resistências orientam o curto prazo
Apesar das saídas expressivas, parte dos analistas avalia o movimento como compatível com o comportamento recente. Peter Chung, da Presto Labs, afirmou que os fluxos negativos seguem a tendência atual. Do mesmo modo, Pratik Kala, da Apollo Crypto, classificou os cerca de US$ 290 milhões como um volume dentro da normalidade, considerando a combinação de aversão ao risco e rebalanceamento de fim de trimestre.
Do ponto de vista técnico, o Bitcoin testa regiões relevantes. A principal zona de suporte está entre US$ 65.631 e US$ 65.107, faixa associada às mínimas de fevereiro. Além disso, há um suporte próximo de US$ 65.600 observado em março.
Caso o preço rompa essa região de forma consistente, o mercado pode interpretar o movimento como sinal de enfraquecimento estrutural. Por outro lado, a resistência mais próxima está em US$ 71.880, máxima registrada em 25 de março. Assim, esses níveis devem orientar decisões no curto prazo.
Os fluxos dos ETFs permanecem como indicador relevante. Um cenário mais construtivo dependeria de alívio geopolítico ou sinais mais dovish do Federal Reserve. Em contrapartida, a continuidade das incertezas pode manter o mercado em consolidação.
Entre os cenários possíveis, destacam-se três: recuperação com melhora macroeconômica, lateralização com menor demanda institucional ou nova pressão vendedora caso suportes sejam rompidos. Em outras palavras, o comportamento recente reforça a sensibilidade do Bitcoin ao ambiente externo.
Ao mesmo tempo, embora os ETFs tenham acumulado mais de US$ 2 bilhões em entradas recentemente, a reversão rápida evidencia como o posicionamento institucional pode mudar. Nesse sentido, a combinação de saídas relevantes, pressão macroeconômica e níveis técnicos críticos mantém o mercado em estado de cautela.