Bitcoin ETFs: Tailândia propõe regras para mercado local

A Tailândia propôs um marco regulatório para Bitcoin ETFs que prioriza gestores locais, a Bolsa de Valores da Tailândia e custodiantes supervisionados no país. Com isso, o governo pretende abrir espaço para produtos de Bitcoin e Ethereum. A estrutura manteria inicialmente a maior parte da cadeia de valor dentro das fronteiras tailandesas.

Em 24 de agosto, a Comissão de Valores Mobiliários da Tailândia abriu consulta pública sobre a proposta. Inicialmente, o texto permitiria fundos passivos de ativo único, dedicados exclusivamente ao Bitcoin ou ao Ethereum. Portanto, cada produto acompanharia apenas uma das duas criptomoedas.

Cada fundo precisaria manter exposição líquida média mínima de 80% do valor patrimonial líquido no ativo escolhido durante o exercício contábil. Nesse contexto, a proposta segue um modelo adotado nos Estados Unidos. Os ETFs de criptomoedas norte-americanos acumularam mais de US$ 60 bilhões em entradas líquidas desde o lançamento.

Fundos locais teriam prioridade no mercado tailandês

Os ETFs de Bitcoin concentram cerca de US$ 54 bilhões desse montante. Por sua vez, os produtos de Ethereum somam aproximadamente US$ 12 bilhões. Outras ofertas recentes de ETFs de criptomoedas respondem pelo saldo restante.

A proposta determina que a Bolsa de Valores da Tailândia negocie exclusivamente os fundos estabelecidos no país. Além disso, empresas de ativos digitais reguladas pela SEC tailandesa assumiriam inicialmente a maior parte da custódia. Assim, instituições locais ocupariam funções centrais na operação desses produtos.

A medida, porém, não proibiria produtos estrangeiros. Pelas normas atuais, fundos mútuos e fundos privados já podem investir em ETFs de criptomoedas no exterior. Paralelamente, a SEC avalia um modelo que poderá admitir custodiantes estrangeiros qualificados no futuro.

Varejo enfrentaria limites para produtos estrangeiros

A estrutura preservaria parte do acesso existente a fundos internacionais. Ainda assim, os ETFs sediados na Tailândia formariam o caminho mais direto para investidores de varejo. Ao mesmo tempo, algumas alternativas ligadas a produtos estrangeiros enfrentariam restrições iniciais.

Entre essas alternativas estão recibos depositários referenciados em ETFs de criptomoedas no exterior. A proposta também alcança determinadas estruturas oferecidas por corretoras. Essas restrições valeriam para clientes fora das categorias institucional e de patrimônio líquido ultraelevado.

Como resultado, os ETFs domiciliados no país ganhariam posição central na oferta ao varejo. Entretanto, as regras manteriam algumas formas já existentes de exposição a fundos estrangeiros. O desenho procura combinar abertura do mercado com supervisão doméstica.

Gestores e custodiantes podem disputar funções

O registro atual da SEC inclui Rakkar Digital e Orbix Custodian entre os provedores licenciados de carteiras de custódia. Enquanto isso, Soberin, Orbix Invest e Merkle aparecem como gestores registrados de fundos de ativos digitais. Essas empresas poderão disputar funções se a autoridade concluir o marco.

A Tailândia também possui 24 empresas licenciadas para administrar fundos mútuos. Dessa maneira, essas companhias poderão participar da estrutura, caso as regras avancem. Contudo, a consulta não identifica solicitantes de ETF, mandatos de custódia ou prováveis beneficiários.

Antes das negociações, os intermediários deverão orientar os investidores sobre os riscos e obter o reconhecimento dessas condições. Também precisarão avaliar diversificação, tolerância ao risco e capacidade financeira dos clientes. A medida amplia as obrigações de adequação dos produtos ao perfil de cada investidor.

O período para comentários termina em 20 de setembro. A SEC espera colocar as regras relacionadas em vigor mais tarde, em 2026. No entanto, a autoridade ainda não definiu uma data para o lançamento dos ETFs.

Caso receba aprovação, a iniciativa abrirá caminho para ETFs locais de Bitcoin e Ethereum. O modelo inicial, contudo, concentrará a operação em instituições reguladas na Tailândia. Dessa forma, o país busca ampliar o acesso sem transferir imediatamente a estrutura principal para participantes estrangeiros.